Arquipélago no Atlântico pode abrigar naufrágios

Tema:Mergulho
Autor: Redação 360 Graus
Data: 17/8/2007

O arquipélago de São Pedro e São Paulo, localizado no meio do Oceano Atlântico, a um terço da distância entre o Brasil e a África, pode abrigar diversos naufrágios em seu entorno. Esta é uma conclusão do projeto "Arqueologia Subaquática do Arquipélago de São Pedro e São Paulo", desenvolvido pelo Centro de Estudos de Arqueologia Náutica e Subaquática da Universidade Estadual de Campinas (CEANS/UNICAMP), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - Cnpq.

Pesquisadores do CEANS, em parceria com o Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Oceanário Pernambuco (ONG), encontraram próximo a uma das ilhas do arquipélago vestígios que podem pertencer a mais de um naufrágio. "São destroços de uma ou mais embarcações de um contexto cronológico bem definido: fins do século XVIII e primeira metade do século XIX. Encontramos quatro canhões de pequeno porte, duas âncoras, um ilhós, fragmentos de um cabrestante, entre outros objetos, que estão, em média, a 15 metros de profundidade. Podem ser parte do sistema de ancoragem de uma embarcação que tenha tentado se abrigar na ilha, destroços que foram perdidos ou lançados ao mar por diferentes embarcações ou, até mesmo, provenientes de mais de um naufrágio", afirma o arqueólogo do CEANS, Flávio Calippo, que participou das pesquisas no local.

Em virtude da sua localização, São Pedro e São Paulo foi, e continua sendo, um importante e conhecido ponto de referência para embarcações de todos os tipos que cruzam o Oceano Atlântico.

Assim, o objetivo do Projeto é produzir conhecimento arqueológico e histórico do local, através de uma abordagem que sugere a reconstrução de uma história, contada pelos vestígios arqueológicos, que certamente envolve outras nacionalidades que passaram pelo Arquipélago em diferentes momentos e por diversos motivos.

Além disso, de acordo com Calippo, o levantamento, mapeamento e cadastramento sistemático do patrimônio arqueológico submerso existente é importante, pois esta área é de interesse estratégico para o Brasil. "Se o Arquipélago for reconhecido internacionalmente como território brasileiro, o país passará a ter domínio legal sobre uma área de mar que equivale aproximadamente metade de sua área continental".

O material visualizado foi medido, mapeado e fotografado in situ. "Nada foi retirado de seu contexto, a não ser conhecimento", informa Gilson Rambelli, Coordenador do Projeto. "Esse é um exemplo, um modelo de gestão do patrimônio arqueológico que é desenvolvido pelo CEANS, tendo como referência a Convenção da UNESCO sobre Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático. A Arqueologia subaquática tem muita coisa para estudar, documentar e interpretar nos próprios sítios submersos, antes de se preocupar em retirar artefatos do fundo mar," conclui Rambelli.



© Copyright 1998 - 2009 - 360 GRAUS MULTIMÍDIA
Proibida a reprodução integral ou parcial, para uso comercial, editorial ou republicação na Internet, sem autorização mesmo que citada a fonte.