

Molusco bivalve em detalhe, na Ilha da Queimada Grande
Fotos: Armando de Luca

Bivalve encontrado em fundo arenoso
Foto: Paul Human

Gastrópode desprovido de concha, na Laje de Santos
Foto: Armando de Luca

Nudibrânquio do Sudeste brasileiro, na Laje de Santos
Foto: Armando de Luca

"Língua-de-flamingo", em Cuba
Foto: Armando de Luca

Gastrópode mostra sua abertura, na Queimada Grande
Foto: Armando de Luca
Como está o amigo do mergulho? Espero que continue aproveitando muito as maravilhas do mar. Falando em maravilhas, nada mais oportuno do que abordarmos hoje o tema moluscos, animais cuja elaborada construção de delicadas e formosas conchas, sempre encantaram o homem...
Os moluscos são apreciados desde a antiguidade, além da beleza de suas conchas, por constituírem importante fonte de proteínas na alimentação, como fonte de carbonato de cálcio, servindo como peças de coleções e até mesmo como moeda corrente, fazendo com que o grupo seja um dos mais conhecidos e estudados no reino animal.
As características gerais desse grupo de invertebrados são:
- Possuem o corpo mole e não segmentado, dividido em cabeça, pé e massa visceral (estruturas que podem ser mais ou menos desenvolvidas, dependendo da espécie);
- Apresentam um fino manto carnoso cobrindo o corpo;
- A maioria das espécies possui concha calcária, produzida pelo próprio animal a partir de carbonato de cálcio obtido no ambiente em que vivem;
- Ocupam habitat variados como fundos arenosos, costas rochosas, corais, perfuram madeiras, etc. Sua distribuição vai desde a zona litorânea até mais de 10 mil metros de profundidade;
- Serão abordadas três classes do filo, devido a sua importância e freqüência de encontro nos mergulhos : bivalves, gastrópodes e cefalópodes.
Os Bivalves (fotos 1 e 2) são dotados de conchas providas de duas peças (ou valvas), podendo também ser chamados de pelecípodes (pé em forma de machado) ou ainda de lamelibrânquios (suas brânquias lembram lâminas justapostas). Nesse grupo as cores são muito variadas, não apresentam uma cabeça e possuem fortes músculos presos à concha. Vivem em ambientes bastante variados, nas mais diversas profundidades e podem ser fixos a algum substrato ou viver livremente. Geralmente apresentam sexos separados e a reprodução é sexuada com fecundação externa, produzindo larvas planctônicas.
A maioria apresenta hábito filtrador e várias espécies são utilizadas como alimento. Esse é um fato que chama a atenção porque os bivalves têm a tendência de acumular toxinas e metais pesados quando filtram a água na busca de alimentos, constituindo um problema para quem os ingere sem conhecer a procedência. Aqui encontramos espécies muito conhecidas como as ostras, mexilhões, vieiras, vôngoles, etc.
Vale a pena destacar a existência de espécies de ostras que produzem as pérolas. Quando algum grão de areia minúsculo ou um verme se colocam entre o manto e a concha, o molusco secreta sucessivas camadas de madrepérola (um dos materiais formadores da própria concha) tentando isolar aquilo que o incomoda e, assim, formando a pérola. Existe a possibilidade de se induzir a ostra a produzir a pérola, introduzindo-se o estímulo artificialmente.
Também merecem destaque os teredinídeos, moluscos perfuradores que atacam as madeiras podendo causar sérios prejuízos às embarcações feitas desse material. Eles são chamados popularmente de “buzanos” e constroem verdadeiras galerias, onde permanecem, enfraquecendo a madeira (podem ser observados em troncos de árvores que chegam às praias após ficarem nas águas por um tempo sendo levados por correntes marinhas).
Já os Gastrópodes (fotos 3, 4, 5 e 6 ) constituem a maior das classes dos moluscos, cujos representantes podem ou não ter o corpo abrigado por uma concha que, geralmente é espiralada. Possuem um longo pé com o qual deslizam sobre o substrato em que vivem, a cabeça fica na posição anterior sendo bem característica e a massa visceral permanece abrigada dentro da concha nas espécies que a possuem. A cabeça apresenta um par de tentáculos, onde estão os olhos. Geralmente são hermafroditas, mas necessitam de parceiros para promover a fecundação, que é interna e cruzada (ambos se fecundam), resultando na postura de ovos que originam os filhotes em formas larvais.
O tamanho, forma e coloração das conchas mostra padrões muito variados. Ocupam diversos tipos de hábitat e apresentam hábitos alimentares variados. São muitas as espécies observadas pelos mergulhadores, porém existe uma dificuldade em identificá-las por nomes populares, já que normalmente são simplesmente denominadas de “conchas”. Mas, dentre elas destacamos as cipréias, conhecidas como “búzios”, as aplísias ou “lebres-do-mar” que não possuem concha, assim como os nudibrânquios, pequenos moluscos coloridos e cobiçados pelos fotógrafos sub.
Na próxima coluna, falarei sobre os Cefalópodes. Deixo este grupo separado por um motivo bem parcial: minha predileção por eles, tornando-os motivo de artigo exclusivo. Fico por aqui, sempre lembrando você que mande seus e-mails com sugestões e críticas. E, claro, desejo boas águas e mergulhos inesquecíveis para você e seus colegas.
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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