

Nautilus (foto 1)
Foto: Armando de Luca

Argonauta nodosa (foto 2)
Foto: Armando de Luca

Olho de lula (foto 3)
Foto: Armando de Luca

Octopus vulgaris (foto 4)
Foto: Armando de Luca
Olá, colega sub. Vamos continuar nosso estudo sobre os moluscos marinhos? Hoje falo do grupo de moluscos mais desenvolvidos, que apresentam uma série de tentáculos partindo de uma "cabeça" volumosa. Os espécimes mais conhecidos são os polvos e lulas, habitantes do imaginário nebuloso do homem, através de histórias de ficção como do capitão Nemor e do submarino Nautilus, que perseguia o polvo gigante.
O grupo dos Cefalópodes apresenta hoje mais de 650 espécies, contrastando com as mais de 10 mil espécies fósseis registradas, indicando um declínio evolutivo. Existem espécies que produzem conchas, pelo menos em seu período reprodutivo. Além dos polvos e lulas, as espécies náutilos e argonautas são conhecidos.
Os tentáculos desses animais são providos de numerosas ventosas, que o animal utiliza para capturar seus alimentos. O hábito alimentar é basicamente carnívoro, sendo suas presas prediletas os crustáceos, outros moluscos e peixes.
Os náutilos, habitantes pelágicos do Indo-Pacífico, são verdadeiros fósseis vivos. Produzem uma elaborada concha calcária espiralada e achatada lateralmente, que possui separações internas (tabiques) correspondentes aos estágios de crescimento do animal (e também da concha). Eles são dotados de dezenas de tentáculos que são utilizados na captura de peixes, suas presas prediletas. A concha chega a 25cm de diâmetro e é muito apreciada pelos colecionadores (foto 1).
Nos mares brasileiros são encontrados os argonautas, muito semelhantes a pequenos polvos, cuja fêmea produz uma delicada concha branca onde se abriga e pode depositar ovos. Detalhe interessante é o fato de os machos serem muito menores do que as fêmeas e até utilizarem as conchas de suas companheiras para partilharem do abrigo. Nas águas do Sudeste brasileiro, durante o mês de novembro, é comum encontrarmos inúmeras conchas abandonadas no fundo do mar, porém a observação do animal vivo é muito pouco freqüente (foto 2).
Lulas e polvos
As lulas e os polvos são mais conhecidos, seja pela maior constância nos encontros durante os mergulhos, seja por sua utilização como alimento pelo homem. Eles conseguem variar de forma impressionante seu padrão de coloração graças ao cromatófaro. Essa variação pode ser provocada pela necessidade de se camuflar no ambiente, manifestar suas mudanças de "humor" ou até como comportamento de corte na época da reprodução.
Esses animais não possuem concha externa para proteção, mas para proteção a lula tem uma delicada concha interna com o aspecto de uma pena e capacidade de mudar a coloração do corpo. A lula tem ainda uma glândula que produz tinta escura, para ser lançada na água quando se sente intimidada. Funciona como um tipo de "cortina de fumaça", permitindo a fuga do animal.
Esses animais apresentam dois olhos bem desenvolvidos (foto 3) e formam imagens reais. Portanto, quando encontramos alguns exemplares durante os mergulhos e "trocamos olhares", podemos ter a certeza de que estamos sendo vistos como realmente somos...
Enquanto as lulas nadam ativamente, normalmente em grupos, através da coluna d'água, os polvos vivem isolados e costumam ocupar tocas entre rochas, corais ou até escavando areia (foto 4). Para identificar a toca de um polvo, costumamos observar na sua entrada conchas de bivalves e restos das carapaças de crustáceos, que serviram de alimento.
Os polvos ainda são dotados de uma "inteligência" sem igual entre os invertebrados. É conhecido que os polvos atacam armadilhas para lagostas, comendo o crustáceo que estava aprisionado e escapando tranqüilamente em seguida. Em um documentário de Jacques Cousteau, foi filmado no laboratório do navio Calypso um polvo deixando seu aquário durante a noite (seu horário de maior atividade), invadindo o aquário vizinho ocupado por uma lagosta, devorando-a e retornando a seu próprio aquário.
Ainda em laboratório, cientistas testaram a capacidade dos polvos desvendarem a passagem em labirintos. O animal era colocado na entrada e alimento na saída. A partir do momento em que o polvo descobria o caminho até o alimento, "memorizava" e não se enganava mais nas outras tentativas. Inúmeros outros experimentos foram feitos e, na maioria deles, os polvos foram bem sucedidos, inclusive em testes normalmente aplicados em mamíferos, como aqueles em que o animal seleciona um botão com cor ou forma específicos entre vários botões para receber o prêmio (geralmente alimento).
Assim, em seus próximos mergulhos, procure estar atento a esses incríveis animais e dividir ótimos momentos com eles. Boas águas para você.
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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