As esponjas do mar

Autor: Armando de Luca
Data: 31/7/2001
Mergulho - Foto 2<br>Armando de Luca

Foto 2
Armando de Luca



Mergulho - Foto 3<br>Armando de Luca

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Armando de Luca



Mergulho - Foto 4<br>Foto: Armando de Luca

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Foto: Armando de Luca



Mergulho - Foto 5<br>Foto: Armando de Luca

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Foto: Armando de Luca



Mergulho - Foto 1<br>Armando de Luca

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Armando de Luca



Mergulho - Foto 6<br>Foto: Armando de Luca

Foto 6
Foto: Armando de Luca



Mergulho - Foto 7<br>Foto: Armando de Luca

Foto 7
Foto: Armando de Luca



Mergulho - Foto 8<br>Foto: Armando de Luca

Foto 8
Foto: Armando de Luca



Olá, companheiro de mergulho.

Vou começar uma série de Biologia que abordará os diversos grupos de seres marinhos que costumamos observar em nossos mergulhos. Para isso, procurarei seguir uma escala evolutiva, começando pelos organismos mais simples.

O primeiro grupo é o das esponjas do mar, que pertencem ao filo dos Poríferos (têm as paredes do corpo repleta de pequenos poros), animais pluricelulares (compostos por inúmeras células) bentônicos (associados ao fundo) e sésseis (vivem fixos a algum substrato). São encontradas em todos os mares desde as águas mais rasas até as mais profundas.

As células das esponjas realizam suas funções de forma relativamente independente, já que não chegam a formar tecidos verdadeiros ou órgãos. Os poros são aberturas para a entrada da água que carrega para seu interior o oxigênio e as partículas de alimento que necessitam. Isso é possível graças a células especiais dotadas de flagelo (uma espécie de prolongamento que se move ativamente como um chicote) que revestem a cavidade interna das esponjas, provocando uma corrente contínua de água.

Essa água também leva para o meio externo os restos não aproveitados, dejetos, gás carbônico, etc, que saem pela abertura maior das esponjas, conhecida por ósculo (é a grande abertura, que geralmente visualizamos). Tratando-se de animais invertebrados, a sustentação de seu corpo é feita por estruturas internas a suas paredes corpóreas denominadas espículas, que se assemelham aproximadamente a pequenos espinhos.

Essas espículas podem ser de calcário ou de sílica e, havendo contato direto com a pele do mergulhador, penetram e provocam inflamações. Existem também espécies que apresentam uma rede protéica de sustentação (formada por espongina), tendo alto grau de maciez, tanto que são utilizadas para o banho (muito exploradas na região do Mediterrâneo). As esponjas podem ser encontradas fixas às rochas, aos corais, pilares de pontes e piers, cascos de embarcações, etc. Suas cores são muito variadas (amarelo, verde, laranja, vermelho e outras), assim como seus tamanhos (que podem variar desde poucos centímetros até cerca de dois metros de comprimento) e formas (existem as incrustantes, em forma de barril, de vasos, tubulares, etc).

Elas vivem individualmente ou formam colônias, o que é mais freqüentemente observado. Sua reprodução pode ser sexuada, através da união de células reprodutoras, formando um ovo que origina uma larva que nada livremente pelas correntes até se fixar em algum ponto e formar nova esponja; mas também pode ser assexuada, onde uma nova esponja simplesmente brota das paredes de outra, podendo destacar-se para viver individualmente, ou permanecer unida iniciando a formação de uma colônia. As esponjas ainda apresentam grande capacidade de regeneração, ou seja, podem refazer partes perdidas ou lesadas de seu corpo.



As variações das esponjas

Nas águas do Sudeste do Brasil são encontradas com mais facilidade as espécies incrustantes, sendo que formas tubulares ocorrem com maior freqüência em águas mais quentes. Em regiões tropicais, como no Caribe, as esponjas compõem a paisagem das formações de coral, emprestando-lhes suas belas formas e cores.

Apresento para você imagens de esponjas para que estabeleça um parâmetro de comparação entre as formas comuns em águas mais frias, como as do sudeste do Brasil, e as de águas mais quentes como as do Caribe. Nessas fotos, fica fácil de visualizar que aqui predominam formas pequenas e incrustantes, mas nem por isso menos belas, enquanto que lá as espécies podem atingir grande tamanho e, também por isso, chamam mais a atenção de quem as observa. Mas, o Mar do Caribe também tem suas formas pequenas e incrustantes, como esta de Bonaire (foto 1).

As esponjas tubulares geralmente encontradas em colônias, atingem mais de 1 metro de altura e destacam-se da paisagem do fundo (foto 2 - Bonaire). Com tamanho de cerca de 30 a 40cm, observamos esponjas com a forma de um vaso, com cor rosada (foto 3 - Cuba). Destacando-se por seu tamanho que chega próximo dos 2m, geralmente nas partes mais profundas dos recifes, encontramos as esponjas em forma de barril, esta em Cozumel (foto 4).

Ainda muito observadas nessas águas, temos as esponjas marrons (foto 5 – Cozumel), que muitas vezes estão em associação com outros organismos, como esta que mostra vários zoantídeos (cnidários, parentes das anêmonas-do-mar) e um ofiuróide (equinodermo, parente da estrela-do-mar) sobre seu corpo (foto 6 - Bonaire).

Porém, nossas esponjas também têm sua beleza particular, apenas temos que ser mais atentos, observá-las nas reentrâncias das rochas e utilizar lentes macro para obter boas imagens. Na Laje de Santos, por exemplo, encontramos pequenas colônias (cerca de 15cm2) de esponjas tubulares amarelas, fato não muito freqüente na região. O mais comum é observarmos as formas incrustantes, como essa colônia com aproximadamente 10cm de tamanho que estava sobre o fundo rochoso (foto 8) ou essas belas esponjas vermelhas e amarelas que normalmente são observadas no teto das tocas que se formam nas rochas (foto 9).

Nos próximos mergulhos por aqui, procure ficar atento a esses pequenos invertebrados e a outros detalhes, na certeza de que seu mergulho será muito bem aproveitado. Até a próxima oportunidade, continue escrevendo para mim e mandando suas sugestões e críticas. Boas águas e bons mergulhos.

Abraços molhados. Armando de Luca Junior.


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