Everest 2006: estratégia é fator predominante para alcançar o cume

Tema:Montanhismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 24/4/2006

O dia amanheceu incrivelmente lindo. Durante a noite não ventou nada. Impressionante. Ventou menos que no Guarujá. Até parece que este lugar é sempre feliz e quente.

Ontem à tarde deitei na minha barraca, encostado numa pilha de roupas. Pela porta de trás eu via as barracas de outras expedições, um domo lindo da The North Face, bandeirinhas tremulando, um colorido e talvez pela primeira vez, senti prazer em estar aqui.

Ao fundo o Glaciar de Rongbuk. Pequenos pontos subindo e descendo. O sol aquecia a lona de minha barraca e a temperatura estava agradável. Tirei as meias e fiquei de camiseta observando a imagem incrível.

Hoje o clima mudou um pouco, nuvens passam velozes, mas ainda está quente e agradável. Amanhã subiremos para o Colo Norte, ou Acampamento 1, a 7100 metros de altitude. A idéia é passar uma ou duas noites no Acampamento 1; subir e passar uma noite no Acampamento 2 e, em seguida, subir até os 8.000 metros, a fronteira da Zona da Morte.

Neste mesmo dia descer até o Acampamento Base Avançado, dormir e no dia seguinte descer até o BC e tentar conseguir um carro para ir até Shegar.

Assim, nos damos o estímulo durante as subidas e em Shegar, com bastante oxigênio, nosso corpo se recupera para a próxima etapa da escalada: voltar até o ABC e esperar a melhor oportunidade para lançar um ataque ao cume.

Nestes dias passamos horas e horas discutindo a estratégia de aclimatação de cada um. Cada alpinista planeja aclimatar e atacar o cume de uma forma diferente. Não existe uma resposta definitiva. Depende da velocidade, da força, do clima, do número de garrafas de O2. Montar um acampamento no C3 ou atacar diretamente do C2? Infinitas variáveis....

Quantas horas levam cada opção? Estas perguntas, que terão uma resposta somente daqui a um mês são discutidas e rediscutidas enquanto estamos juntos. Acho que este é um dos grandes desafios da escalada do Everest: encontrar qual é a melhor opção de aclimatação, ataque ao cume e, principalmente, controlar a ansiedade durante estas etapas, pois tudo pode mudar.

Nem todos conseguem conviver com esta instabilidade, em especial quando o desdobramento das alternativas pode significar a diferença entre a vida ou a morte.



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