Especialista explica como a meteorologia atua numa expedição

Tema:Montanhismo
Autor: Marcelo Romão
Data: 19/5/2006

Em 10 de agosto de 2005, a agência Reuters noticiava a seguinte manchete:"Alpinista é resgatado a 6 mil metros de altitude". Soldados paquistaneses resgataram, de helicóptero, um alpinista esloveno que ficou preso por quatro dias a 6 mil metros de altura em uma estreita passagem de gelo em uma das montanhas mais altas do mundo.

Tomaz Humar ficou preso devido ao mau tempo na montanha de Nanga Parbat, no norte do Paquistão. Ele não conseguiu se livrar de sua corda de segurança, que teve de ser cortada quando o helicóptero do Exército chegou ao local. Acredita-se que este foi o primeiro resgate bem-sucedido com helicóptero nesta altitude. Humar decidiu fazer a escalada sozinho, em uma rota nunca percorrida antes. No dia 5 de agosto, ele acabou ficando preso em uma caverna de neve, com pouca comida e cercado pelas avalanches. O resgate teve de ser atrasado devido às condições climáticas. Depois de ser resgatado, Humar teria sido levado para um hospital na cidade de Gilgit."Ele está absolutamente bem", disse um porta-voz militar, o coronel Atique Rehman.

Este foi um clássico exemplo de como os fenômenos meteorológicos podem atuar numa expedição. Neste caso o mau tempo, provocado por uma nevasca, não só atrapalhou a escalada do alpinista, mas também a equipe de resgate. A Meteorologia influencia em vários aspectos uma caminhada, trekking ou escalada. Ventos, temperatura, chuvas e visibilidade são variáveis de nossa atmosfera que interagem na organização, logística, segurança e desempenho daqueles que se aventuram em busca da natureza ainda preservada.

Por isso, é bom que saibamos como as condições adversas em determinado local podem nos afetar, e se estas forem inevitáveis, de que maneira podemos contornar as situações de risco. O tempo em regiões elevadas é muito variável. Os ventos alternam de calmo a forte; os ambientes, de seco a úmido; as temperaturas, do quente ao frio congelante, e tudo isso em um curto intervalo de espaço e tempo.

Esta grande variabilidade requer dos montanhistas um melhor preparo nas suas atitudes, de maneira a poderem tirar o maior proveito da expedição; mantendo-se as condições possíveis de segurança, logística, consumo e fornecimento de água, roupas adequadas e áreas para abrigo.

O autor é Especialista em Meteorologia (CTA/FAB). Atua no monitoramento das condições meteorológicas no âmbito do PROANTAR (Programa Antártico Brasileiro), onde adquiriu experiência na meteorologia de montanha dando apoio aos alpinistas do CAP.

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