Acima de tudo, e além de toda a poesia e frases lindas, alguém precisa dizer isso: o Vitor não queria morrer, não! Não queria e não devia! O Vitor tinha outras coisas à fazer. O Vitor, ninguém me convencerá do contrário, não morreu feliz, não! O Vitor pediu ajuda diante da morte. Pensem nisso.
Pensem como tudo aconteceu e assimilem a lição, mais uma vez, distraídos alpinistas brasileiros, principalmente os da nova "geração patrocínio"!
O Vitor cometeu um grave erro tático -´do qual o alertei há alguns meses e comentei com outras pessoas do meio - e não suportou a excessiva exposição à extrema altitude. Ele atacou de muito alto, perdeu muito tempo 'parado' num acampamento inútil, à 8300 metros. Isso depois de já ter 'parado' à 7200 m.
Há uma máxima no alpinismo que diz: "Se estiver se desgastando, mas não está subindo, está errado!" Na sequência, serás cobrado! E pensem também nesta: "O cume é só a metade". Nada é mais verdadeiro. Alguém discorda?
Na minha opinião o Vitor não estava pronto. Não sei se um dia estaria. Para fazer o "Big One" sem oxigênio é preciso ser capaz de atacar de muito mais baixo, além de, e inclusive, subir mais rápido. A palavra aqui é "performance". Livrar-se o mais rápido da "zona da morte". É assim ou nada! Não tem acôrdo. E não sei se ele seria capaz de unir essas duas premissas. À deduzir pelo seu currículo, sempre marcado por notável tenacidade. Porém com pouquíssima velocidade onde isso pode ser vital. Como no ataque final à Sul do Aconcágua, só completado em longuíssimos 6 ou 7 dias, quando o aconselhável são 3 dias, ou nada.. Um mau sinal!
Quanto ao Everest sem "tubos", é só voltar no tempo e analisar a estratégia dos poucos que o fizeram com sucesso, comparada aos erros daqueles que ficaram no caminho. Salvo raras excessões, quase sempre de Sherpas. Como um deles que há pouco tempo - além de não usar oxigênio - ficou dando 'um tempinho' de 16 horas bem lá, no cume! E no dia seguinte estava de volta lá embaixo, dançando e bebendo 'chang' para comemorar o recorde. Um sêr anaeróbico...
O valoroso Vitor acabou descobrindo isso, sim! Mas da pior maneira.
Alpinistas e leigos, acordem, descartem de uma vez a incabível idolatria. Concentrem-se em assimilar a lição. Afinal, errar é humano...
Nota do editor: o texto deste relato não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
» Sem oxigênio, muito potencial, pouca tática: infinita tristeza
» Sobre José Luiz Pauletto
» Esposa de Negrete comenta as críticas de Pauletto
» Pauletto responde à Marina Soller, viúva de Vitor Negrete
» AVENTURA
» AVENTURA
» 30/05 Pauletto responde à Marina Soller, viúva de Vitor Negrete
» 30/05 Confira como foi o encontro BloXperience de montanhismo
» 28/05 Sem oxigênio, muito potencial, pouca tática: infinita tristeza
» 18/05 Esposa de Vitor Negrete explica os últimos acontecimentos no Everest
» 11/05 Travessia da Serra Negra no Parque Nacional de Itatiaia é uma das mais belas do Brasil
» 24/04 Everest 2006: estratégia é fator predominante para alcançar o cume
» 24/02 Confira relato do parceiro de Maria Paula, Julio Mello sobre o acidente
» 10/10 Relato sobre a 'Conquista de um Big Wall' no Espírito Santo
» 15/04 Segundo dia - Rodrigo Raineri
» 23/08 Escalada do Dedo de Deus: em busca do sonho
» 04/07 A sensação de escalar o cume sul do Illimani
» 19/05 Considerações sobre a conquista da Face Sul do Aconcágua
Mais >>





