Alpinista brasileiro narra as aventuras na escalada ao McKinley

Tema:Montanhismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 29/6/2007

A equipe do alpinista Roman Romancini, após 30 horas de vôo, acaba de voltar de uma aventura radical no Alasca. Foram 23 dias de expedição, sendo 16 de montanha e muita adrenalina. Arranhões e congelamentos também fizeram parte da peripécia. Foram situações de perigo durante as 10 horas de escalda na montanha mais alta da América do Norte, com 6.194 metros de altitude.

O grupo, integrado por cinco alpinistas, iniciou a escalada ao Mount McKinley, no estado do Alasca, EUA. Conhecida como Denali, o McKinley é a montanha mais fria do mundo, pela proximidade do Pólo Norte, podendo gerar uma sensação térmica de 80º negativos, com ventos de 100 km/h.

Para que tudo corresse bem, Roman se preparou para o desafio durante seis meses e realizou um check-up de saúde completo no Vita Check-up Center, sob a orientação do cardiologista Antonio Carlos Till. O alpinista fez exames fundamentais para garantir o perfeito estado de saúde exigido para uma aventura como essa.

A rota traçada pela equipe foi de 65 km, percorrida em 16 dias. “Sendo assim, o condicionamento cardiovascular e uma boa base muscular, garantidos por exercícios aeróbicos e musculação, são indispensáveis, assim como hidratação e alimentação corretas. Afinal, as grandes exigências calóricas e de esforço poderiam agravar problemas cardíacos e de diabetes, por exemplo” – explica Till.

Roman já escalou montanhas geladas, como o Aconcágua, e sabe das dificuldades que as condições climáticas e a altitude podem acarretar. Entre os possíveis problemas a serem enfrentados, Roman destaca dores de cabeça, vômitos, insônia, tonteiras, confusão e lentidão mental, hipotermia, desidratação, edema cerebral e edema pulmonar, além dos riscos de fraturas devidos a quedas. Porém, desta vez, o alpinista apenas teve pequenos resfriados, dores de cabeça (leve) e garganta. “Foi muito importante o check-up que fizemos no Vita porque saímos do Brasil com a certeza de que estávamos com as condições físicas perfeitas. E isso foi de suma importância para não termos problemas sérios de saúde”, disse Roman.

Segundo Till, a adaptação às altas altitudes é um processo muito individualizado e muito dependente das condições bio-fisico-químicas de cada alpinista. Vem daí a grande importância do check-up antes de uma escalada deste porte, mapeando com precisão qual o real estado de saúde do alpinista. O cardiologista ainda ressalta que a rarefação do oxigênio nestas condições dificulta a respiração, podendo ocasionar uma acelerada produção de hemácias (glóbulos vermelhos), já que são elas as responsáveis pela captação e transporte do oxigênio no organismo. Esse aumento pode causar diversos problemas, uma vez que o sangue passa a ficar mais viscoso (espesso), aumentando a pressão sangüínea e o risco de formação de coágulos. Roman exemplifica que a 5.000 m de altitude a sensação é a de que se respira usando apenas um dos pulmões.

A equipe, também composta por Ana Elisa Boscarioli, Andrew Chandler, Clayton Conservani e Eduardo Keppke, documentou em som, vídeo e foto o cotidiano dessa expedição, além da vida na região, e ainda estabeleceu um alerta para a problemática do aquecimento global que será divulgado nos meios de comunicação.



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