
Questões ambientais, a cada dia que se passa, tomam mais espaço na mídia.
Ultimamente, no Brasil, a floresta Amazônica é o foco principal. É algo que está longe da maioria da população, e não passamos de meros espectadores, alguns até indignados, que tem saída para algum tipo de ação apenas uma lista de assinaturas enviadas a um congresso que pouco se importa com isso. Mas, qualquer tipo de pressão é válida.
Mande uma mensagem para o autor: Carlos Vageler
Muito mais próximo de uma boa parcela de habitantes estão as grandes cidades, com todo seu conforto e problemas. A poluição do ar é um deles.
Com o aproximar dos Jogos Olímpicos de Pequim, vemos, além dos protestos liderados pelos exilados do Tibet, alguma preocupação com a qualidade do ar que os atletas encontrarão por lá, principalmente nos esportes ao ar livre.
Para se ter uma idéia, 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo estão na China e somente Pequim, tem um índice de poluição do ar 5 vezes maior do que São Paulo, por exemplo.
Os organizadores dos jogos prevêem que, se não chover um dia antes ou durante a maratona, os atletas deverão usar máscaras durante a mesma e também em todos os outros esportes ao ar livre com duração superior a uma hora.
Medidas estão sendo tomadas para diminuir a poluição durante os jogos, mas não será suficiente, tanto que o principal atleta de maratona do mundo da atualidade, o etíope Haile Gerbrselassie, anunciou a decisão de não correr a prova, pois sofre de asma e não quer se arriscar.
Pensando em nossas cidades, o aumento incontrolável do transito e emissões de gases nocivos à saúde humana, preço do “espetáculo do crescimento” e da euforia consumista, não nos damos conta de que, junto a todos fatores que ameaçam a vida de uma pessoa, a poluição é aquela que se soma e ajuda a maior parte das doenças a se desenvolverem com mais vigor.
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina e pelo Instituto do Coração da USP em fiscais de trânsito de São Paulo mostrou que a redução da capacidade pulmonar desses profissionais foi equivalente àquela de quem fuma um maço de cigarros por dia.
A prática esportiva nesses ambientes “ hostis” deve ser destacada.
Um treinamento de corrida nas ruas de uma cidade poluída, por exemplo. O volume de ar inspirado durante uma hora de exercício intenso pode aumentar em até 15 vezes comparado ao volume de repouso. O acumulo de poluentes será até 15 vezes maior em apenas uma hora.
Um dos grandes “ vilões” para os atletas é o ozônio. Não confundir com aquele que nos protege a grande altitude e sim com aquele presente no ar poluído aqui em baixo.
Durante o exercício, o ozônio provoca inflamações na nossa árvore respiratória, os brônquios, bronquíolos e alvéolos, contraindo-os. Dessa contração resulta a diminuição da passagem do ar, forçando o músculo cardíaco e aumentando sua freqüência.
Os óxidos de carbono também são extremamente prejudiciais, pois aderem a hemoglobina, presente no sangue, prejudicando o transporte de oxigênio. Veja só: No exercício precisamos mais oxigênio, respiramos mais, vem mais poluente e diminui nossa capacidade respiratória.
Os poluentes são também fortes oxidantes, aumentando assim os “ famosos” radicais livres no organismo, causando o envelhecimento celular.
Como fazer então?
Não é objetivo deste texto assustar quem pratica atividade física numa grande cidade, mas sim alertar. Importante porém é procurar fazer seu exercício em horários e locais adequados. Mais do que isso, não ficar satisfeito achando que é normal esse preço pago pelo tal “crescimento” a qualquer custo, pois o custo para sua saúde é extremamente alto.
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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