
Dioguinho o campeão brasileiro de 2001
Foto: Divulgação Casa de Pedra 3

A via Mister Bill um 11a e est no Rio de Janeiro
Foto: Marcela Chaves

A via tem 30 metros em uma parede negativa
Foto Marcela Chaves

Diogo Ratacheski o atual campeao brasileiro
Foto: Marcela Chaves

Dioguinho na via mais difcil do Brasil
Foto: Marcela Chaves
Qualquer escalador deseja ter bons resultados no esporte, seja em campeonatos ou em realizações pessoais, como completar alguma via específica. Diogo Ratacheski, 19 anos, conseguiu as duas maiores façanhas que um escalador brasileiro possa sonhar e acabou tendo seu ano de ouro em 2001.
Esse curitibano, que conheceu o esporte em meados de 1997, acabou de ganhar o título de campeão brasileiro, em campeonato ocorrido dias 8 e 9 de dezembro (ele já tinha abocanhado o Paulista, em agosto). Mas seu maior feito mesmo foi o sonho de qualquer escalador brasileiro de rocha: ele encadenou (completou sem cair) a via mais difícil do Brasil, a Mister Bill, que está localizada no Rio de Janeiro e é um provável 11a (em uma graduação que começa no 3º grau).
Dioguinho, como é conhecido entre os amigos, trancou recentemente a matrícula na faculdade de administração e hoje se dedica inteiramente ao esporte, treinando para campeonatos e visitando os principais points de rocha espalhados pelo país. Neste entrevista, o mais recente campeão brasileiro conta, com exclusividade ao 360 Graus, sobre suas últimas conquistas indoor e outdoor e como ele conseguiu se consagrar o melhor escalador esportivo de 2001.
360 Graus: Como foi encadenar a via mais difícil do Brasil, a Mister Bill?
Dioguinho: Uma sensação inigualável, de pura alucinação, de realização pessoal.
360: Quantas vezes você tentou encadená-la? E quanto tempo você trabalhou na via?
Dioguinho: Num total fiz 13 tentativas na via e deixei ela equipada por duas semanas, exatamente.
360: Como é a Mister Bill?
Dioguinho: A via se divide em duas partes. Até a oitava costura (proteção) ela se resume em um 10a, entrecortada por um razoável descanso, seguido de um lance de 9b com 3 costuras. Ali é o crux (lance mais difícil) definido da via. Na segunda parte vem a seqüência final de uns 10 metros, graduada em 7a. A via possui aproximadamente 30metros de altura no total, sendo toda ela negativa.
360: Você graduou a via em 11a, explique como funciona a confirmação dessa graduação.
Dioguinho: A minha proposta é que ela seja um 11a. Isso só é confirmado depois que outra pessoa venha encadená-la.
360: Qual é o seu próximo projeto em rocha?
Dioguinho: Em janeiro vou para o Rio e pretendo tentar a Coquetel de Energia (10c). Com isso também vou ter uma base melhor para graduar essas vias de alto grau de dificuldade.
360: Vamos falar sobre o recente título de campeão brasileiro. Você afirmou que a dedicação foi grande, mas esperava ganhar?
Dioguinho: Me dediquei bastante. Foram duas semanas totalmente voltadas para o campeonato. Tive uma grande ajuda de Rômulo Bertuzzi que foi meu treinador físico. Poderia dizer que ele foi essencial para minha vitória. Sim (eu esperava ganhar), treinei para isso e a partir do momento que me inscrevi na competição eu não tinha outro pensamento a não ser o título de campeão brasileiro. Gostaria de agradecer as empresas By e Ferrino que sempre me apoiaram dentro e fora da escalada.
360: Como foi a via da final do campeonato?
Dioguinho: A via estava difícil, porém, não impossível. Graduada em 9c, um grau que já era esperado para um final de Brasileiro. O crux era realmente forte, posicionado na entrada do teto e tinha uma agarra em forma de colmeia que é complicado localizar sua melhor pega, ainda mais ela sendo abaulada (lisa). Cheguei até ali e fiquei sem reação, mal consegui bater na próxima agarra para pontuar. Desci da via um pouco desanimado, pois achava que a galera estava encadenando-a. Depois me falaram que eu estava em primeiro. Por um instante não acreditei, mas depois fiquei completamente alucinado, mas também ansioso, pois os monstros do Thiaguinho (Thiago Cucci) e do Fabinho (Fábio Muniz) ainda estavam por escalar. Depois foi só alegria! (Thiago terminou em 6º lugar no ranking e Fabinho em 3º)
360: Alguma consideração sobre o campeonato?
Dioguinho: Nesse Brasileiro faltou a presença de alguns bons atletas que o Brasil têm. Acredito que muitos não vieram pelo fato de não haver premiação. Eu gostaria de agradecer a presença da galera que veio, pois com isso mostraram que não estavam ali pelo prêmio e sim pelo título que, eu acredito, vale muito mais.
360: Já que você faz algumas críticas, o que você acha que falta na escalada esportiva brasileira para que o esporte cresça?
Dioguinho: Eu poderia dizer muitas coisas, mas dentre todas elas, as mais importantes são: organização, união e maturidade acima de tudo.
360: Como é a sua rotina de treinamento? A que você atribuí essa boa atuação em 2001?
Dioguinho: Durante esses últimos meses me dediquei bastante, treinando forte e fazendo uma alimentação adequada, com isso todas as minhas metas planejadas foram alcançadas. Eu sigo um treinamento planejado pelo Rômulo, o qual é baseado em treinamentos de muita resistência, muito boulder (lances curtos e fortes, sem corda) e muito campus boarding (sistemas de agarras construídos especialmente para treinamentos).
360: Qual é o seu conselho para a galera que está começando agora no esporte e deseja evoluir como você?
Dioguinho: Acredite em você mesmo, acredite no seu potencial que a coisa vai longe.
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