
Vitor Negrete com a bandeira do Brasil!
Foto: Rodrigo Raineri

Rodrigo Raineri e Vitor Negrete
Foto: Divulgação/Everest 2006

Rodrigo Raineri e Vitor Negrete
Foto: Arquivo Pessoal
Antes de tornar-se o primeiro brasileiro a chegar ao cume do Everest sem oxigênio suplementar, Vitor Negrete começou a registrar, em gravações e entrevistas dadas a sua esposa, Marina Soler, os relatos de suas maiores expedições. A intenção dele era escrever transformar esse material num livro que relatasse essas aventuras.
A morte de Vitor em 19 de maio de 2006, durante a descida do Everest, impediu-o de concretizar esse projeto, que foi então retomado por Marina, resultando no livro “Espírito Livre – Da Transamazônica ao Everest: Como Vitor Negrete chegou ao topo do mundo”, que será lançado dia 28 de julho às 19 horas na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos.
Marina parte dos registros deixados por Vitor e incorpora ao relato algumas lembranças dos quatro anos em que ela esteve ao lado do alpinista, acompanhando suas aventuras. Assim, Espírito Livre ganhou novas dimensões e profundidade, transformando-se num retrato ainda completo, íntimo e preciso de quem foi Vitor Negrete: um atleta que vivia intensamente.
Vitor adorava situações e lugares extremos; tinha pressa como se soubesse que viveria pouco. Leu sobre uma mulher neozelandesa que atravessou a Transamazônica de bicicleta e decidiu fazer a mesma coisa acompanhado de dois amigos.
Foi o único a ter coragem de aceitar o convite de Rodrigo Raineri, seu parceiro de escaladas, para desafiar o monte Aconcágua (6.962 metros de altitude) pela Face Sul, uma das escaladas técnicas mais difíceis do mundo. Chegou ao topo do mundo (Everest, 8.850 metros de altitude) por duas vezes. Na segunda sucumbiu depois ter feito a escalada sem oxigênio suplementar e sem apoio de sherpas, aos 38 anos. Seu corpo continua lá, a 8.300 metros de altitude, no Acampamento 3 da face Norte (Tibete) da montanha. Para os tibetanos quem morre na montanha tem o espírito elevado.
Vitor casou-se com Marina depois de três meses de namoro. Depois de seis meses estavam “grávidos” de Leon, concebido aos pés do Aconcágua. Ele estava com dois anos quando o pai morreu. Davi, seu irmão mais novo tinha sete meses. Toda esta intensidade de vida sempre despertou reações das pessoas.
Ninguém ficava indiferente a Vitor Negrete. Da mesma forma, sua morte mexeu não apenas com a comunidade do montanhismo e de esportes de aventura, mas com as pessoas mais comuns que se identificavam com aquela figura que andava sempre na tênue linha que divida vida e morte.
Vitor morreu antes de terminar os depoimentos e deles se tornarem um livro como imaginava. Caco Alzugaray, publisher, amigo e parceiro na equipe de corridas de aventura incentivou Marina a continuar a escrever e finalizar a história. Marina explica que não teve intenção escrever a biografia do seu marido, mas que “quis mostrar como era o Vitor no dia-a-dia, em como ele encarava suas aventuras, as expedições, como ele reagia diante das mais diversas situações”.
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