Amazônia

Autor: Carlos Vageler

Data: 10/12/2008

Em algumas oportunidades que tive de viajar para o exterior, algumas pessoas que conheci perguntaram sobre o Brasil, em especial sobre a "Floresta Amazônica", dizendo ser o sonho de visitá-la. Quando dizia que não conhecia ainda, o espanto:

- Você não conhece?

Tirando aqueles que acham que o Brasil todo é uma grande floresta, é comum essa indignação. É incrível também como às vezes pensamos que, por estar dentro de nosso país determinada cultura ou atração turística, a qualquer hora podemos ir. Mas nem sempre é assim. Conheço muitos cantos do Brasil e sempre brincava (infelizmente com certa razão) de que gostaria de visitá-la antes que acabasse.

Recentemente tive a oportunidade de conhecer um pequeno pedaço do estado do Amazonas, um dos que compõe a grande região de floresta amazônica.

Não tinha muito tempo disponível, apenas uma semana, tendo como base Manaus.

A região é extremamente rica em atrativos, a começar pela própria capital e, antes de ficar alguns dias somente no mato, uma visita ao centro histórico começando pelo Teatro Amazonas é muito interessante. Indispensável é presenciar o agito do porto e do mercado municipal, tendo como boa opção para um almoço comer um peixe numa das inúmeras barracas restaurantes. Lanchar em um café regional pedindo um sanduíche de queijo coalho com fatias de fruto do Tucumã, um tipo de palmeira, é sentir-se interagindo com o meio.

Atravessar o Rio Negro e ir até Novo Airão, 180 km de Manaus, em um dia ensolarado é uma programação de um dia. Com calma pela estrada sem movimento ainda, pois estão construindo uma ponte sobre o Rio saindo do centro da cidade, encontram-se vários balneários. A região está se desenvolvendo e floresta na beira da estrada está ficando rara. Compensa na hora que se chega ao destino, onde há a oportunidade de conhecer e até nadar, com justas restrições, junto aos Botos.

Reservar alguns dias para ficar na Floresta é algo que atrai os que desejam um pouco mais de aventura, mesmo que em um Hotel. Existem opções requintadas, com ar condicionado e tudo que um estabelecimento de cidade oferece. Se quiser algo mais rústico ou mesmo acampar, até se consegue. Por questão de tempo, no meu caso e de minha esposa, que me acompanhava e responsável pelo roteiro, preferimos algo intermediário escolhendo um hotel sem energia elétrica ou gerador, somente uma luz auxiliar a energia solar no quarto, uma cabana de madeira, lamparinas a querosene, uma refeição excelente a  base de peixe e muito silêncio. O lugar tem o nome singular de “Malocas Jungle Lodge”.

Os passeios na mata e saídas ao alvorecer de canoa é a atração principal. Um experiente guia nos acompanhou, Leandro é seu nome. Particularidades da floresta são passadas e por mais que vejamos documentários ou lemos algo, vemos que não sabemos nada.

Ficamos apenas por três dias e retornamos para o roteiro que incluiu a cidade de Presidente Figueiredo, a capital das grutas e cachoeiras, uma hora e meia de carro de Manaus. O potencial turístico dessa localidade é imenso, é cachoeira que não acaba mais. Existe um centro de visitantes logo na entrada da cidade, muito bem organizado, que oferece serviço de guias para os atrativos com acesso restrito. Por acaso quem contratamos era Paulista, o Johnny. Muitos pontos, porém, estão em propriedades particulares, onde é cobrada uma taxa, supostamente para a conservação do local, mas que em muitos casos não é o que ocorre. Os parques municipais oferecem entrada franca, mas tem movimento intenso, principalmente em finais de semana.

O turismo no Amazonas está em expansão freqüente, principalmente de estrangeiros. É uma importante fonte de recursos. Não chega perto da indústria, também em crescimento numa já tumultuada cidade com sérios problemas de saneamento básico e trânsito. Mas a principal riqueza está na floresta e suas águas, fonte de alimentos e diversidade. Conversando com as pessoas você nota que muitos entendem o significado da tão falada palavra "sustentabilidade", mas não necessariamente em sua sonoridade, mas na prática. Conhecem a fragilidade da floresta. Uns por que vivem e se sustentam dela, outros porque já a perderam.

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