


Boto Cor de Rosa no Rio Negro
Foto: Carlos Vageler

Gruta da Judéia
Foto: Carlos Vageler

Pequeno anfíbio
Foto: Alessandra Bonafé
Em algumas oportunidades que tive de viajar para o exterior, algumas
pessoas que conheci perguntaram sobre o Brasil, em especial sobre a
"Floresta Amazônica", dizendo ser o sonho de visitá-la. Quando dizia
que não conhecia ainda, o espanto:
Mande uma mensagem para o autor: Carlos Vageler
- Você não conhece?
Tirando aqueles que acham que o Brasil todo é uma grande floresta, é
comum essa indignação. É incrível também como às vezes pensamos que,
por estar dentro de nosso país determinada cultura ou atração
turística, a qualquer hora podemos ir. Mas nem sempre é assim. Conheço
muitos cantos do Brasil e sempre brincava (infelizmente com certa
razão) de que gostaria de visitá-la antes que acabasse.
Recentemente tive a oportunidade de conhecer um pequeno pedaço do
estado do Amazonas, um dos que compõe a grande região de floresta
amazônica.
Não tinha muito tempo disponível, apenas uma semana, tendo como base
Manaus.
A região é extremamente rica em atrativos, a começar pela própria
capital e, antes de ficar alguns dias somente no mato, uma visita ao
centro histórico começando pelo Teatro Amazonas é muito interessante.
Indispensável é presenciar o agito do porto e do mercado municipal,
tendo como boa opção para um almoço comer um peixe numa das inúmeras
barracas restaurantes. Lanchar em um café regional pedindo um
sanduíche de queijo coalho com fatias de fruto do Tucumã, um tipo de
palmeira, é sentir-se interagindo com o meio.
Atravessar o Rio Negro e ir até Novo Airão, 180 km de Manaus, em um
dia ensolarado é uma programação de um dia. Com calma pela estrada sem
movimento ainda, pois estão construindo uma ponte sobre o Rio saindo
do centro da cidade, encontram-se vários balneários. A região está se
desenvolvendo e floresta na beira da estrada está ficando rara.
Compensa na hora que se chega ao destino, onde há a oportunidade de
conhecer e até nadar, com justas restrições, junto aos Botos.
Reservar alguns dias para ficar na Floresta é algo que atrai os que
desejam um pouco mais de aventura, mesmo que em um Hotel. Existem
opções requintadas, com ar condicionado e tudo que um estabelecimento
de cidade oferece. Se quiser algo mais rústico ou mesmo acampar, até
se consegue. Por questão de tempo, no meu caso e de minha esposa, que
me acompanhava e responsável pelo roteiro, preferimos algo
intermediário escolhendo um hotel sem energia elétrica ou gerador,
somente uma luz auxiliar a energia solar no quarto, uma cabana de
madeira, lamparinas a querosene, uma refeição excelente a base de
peixe e muito silêncio. O lugar tem o nome singular de “Malocas Jungle Lodge”.
Os passeios na mata e saídas ao alvorecer de canoa é a atração
principal. Um experiente guia nos acompanhou, Leandro é seu nome.
Particularidades da floresta são passadas e por mais que vejamos
documentários ou lemos algo, vemos que não sabemos nada.
Ficamos apenas por três dias e retornamos para o roteiro que incluiu a
cidade de Presidente Figueiredo, a capital das grutas e cachoeiras, uma
hora e meia de carro de Manaus. O potencial turístico dessa localidade
é imenso, é cachoeira que não acaba mais. Existe um centro de
visitantes logo na entrada da cidade, muito bem organizado, que
oferece serviço de guias para os atrativos com acesso restrito. Por
acaso quem contratamos era Paulista, o Johnny.
Muitos pontos, porém, estão em propriedades particulares, onde é
cobrada uma taxa, supostamente para a conservação do local, mas que em
muitos casos não é o que ocorre. Os parques municipais oferecem
entrada franca, mas tem movimento intenso, principalmente em finais de
semana.
O turismo no Amazonas está em expansão freqüente, principalmente de
estrangeiros. É uma importante fonte de recursos. Não chega perto da
indústria, também em crescimento numa já tumultuada cidade com sérios
problemas de saneamento básico e trânsito. Mas a principal riqueza
está na floresta e suas águas, fonte de alimentos e
diversidade. Conversando com as pessoas você nota que muitos entendem
o significado da tão falada palavra "sustentabilidade", mas não
necessariamente em sua sonoridade, mas na prática. Conhecem a
fragilidade da floresta. Uns por que vivem e se sustentam dela,
outros porque já a perderam.
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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