Montanhistas californianos homenageiam brasileira Roberta Nunes

Tema:Montanhismo
Autor: Redação 360 Graus
Data: 16/3/2009

Em visita ao Brasil para produção de mais um documentário, os montanhistas californianos Cedar Wright, 33 anos, Nicolas Rasen, 33 anos, Kim Kimple, 28, Renan Oztlerck, 29, Sean Liary, 33, e o brasileiro Hugo Langel, 25, prestarão uma homenagem à montanhista paranaense Roberta Nunes.

“A idéia é contar a história da Roberta, uma grande amiga e uma das melhores escaladoras do mundo. Viemos onde ela nasceu e também a lugares que ela gostava de treinar, como na Patagônia, onde estivemos antes de chegar no Rio”, disse Nicolas Rasen que está produzindo o documentário para o canal norte-americano National Geografic, através da Sender Films.

Roberta despontou no mundo como uma escaladora técnica, rápida e de muita coragem. Foi considerada a primeira brasileira a fazer a via Franco-Argentina, no Monte Fitz Roy, na Patagônia, Argentina, em 2002.

No ano seguinte, esteve presente numa expedição feminina para escalar Thumbnail, na Groelândia. Em 2005, consagrou-se como a mulher mais rápida ao escalar o big wall El Capitain, em menos de 24 horas. Natural de Curitiba, Paraná, treinava no Morro do Anhagava, desde 1993.

No entanto, Roberta faleceu num acidente de carro, em 2006, enquanto voltava de mais uma escalada no Parque de Yosemite, Califórnia, EUA, com o seu namorado, o norte-americano Sean Liary.

Segundo Rasen, esta é uma viagem entre amigos com escaladas novas, belas paisagens e muita história para contar. Hospedados na Bintang House, na Joatinga, os montanhistas já subiram a Pedra da Gávea, onde praticaram High Line, com o atleta Hugo Langel, profissional na categoria.

“Agora vamos escalar o Pão-de-Açúcar, o Corcovado e o Dedo-de-Deus”, disse empolgado Cedar Wright, o mais experiente do grupo. Praticante de escalada há 12 anos, Wright, já conquistou as montanhas da Baffin Islands, arquipélago que fica no meio do oceano, entre a Groelândia e o Canadá. Segundo ele, é um lugar extremamente frio (com altitude de 2147m no Monte Odin e oito graus negativos) e que só tem acesso no inverno, quando o mar está totalmente gelado.

“A Roberta era uma grande amiga e uma das melhores do Brasil. Na verdade, eu caí de pára-quedas neste esporte, sempre incentivado por ela, que me ensinou algumas técnicas do High Line, esporte que pratico já há bastante tempo”, lembrou Hugo Langel que trouxe a equipe para a Bintang House.

“Não é por competição, é pelo prazer da conquista. Tudo surge, na verdade, a partir da idéia de fazer um documentário, daí a gente bola nossa trip”, explicou Langel que já passou por situações extremas em suas aventuras.

“Já quase morri congelado várias vezes. Se não curtir o que está fazendo, isso vai te judiar tanto que vai te fazer desistir”, disse Hugo que pratica também B.A.S.E. Jump (modalidade onde o base jumper salta de um objeto fixo, uma montanha ou um prédio, por exemplo, com uso de pára-quedas, mas sem estar voando).

“Sabe quando você quer conquistar muito uma coisa e consegue... Naturalmente seu corpo libera um êxtase indescritível. Primeiro vem a adrenalina e depois a endorfina, é a muito louco”, disse Langel, atleta Bintang. Bintang House

Criada em setembro de 2002, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, a Bintang surgiu após uma surf trip para a Indonésia . Em indonesiano Bintang, significa estrela, bem como o nome de um reef break nas Ilhas Mentawaii.

Momentos e memórias deste lugar onde viver integrado com a natureza, e uma cultura local bem diferente, traz a tona sentimentos mais humanos e espirituais.

Com isso, a filosofia da Bintang é buscar no dia-a-dia uma vida que possa representar toda essa ideologia: natureza, arte, música, viagens, novas culturas, surftrips, ecotrip, esportes e cultura de praia.



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