
Na trilha a caminho de uma rocha, cachoeira ou pelo simples prazer de andar, deparamo-nos muitas vezes com plantas que sugerem que possam ser ingeridas.
Mande uma mensagem para o autor: Carlos Vageler
Não é preciso fazer um curso de sobrevivência para entender alguns princípios básicos de diferenciação do que pode ou não ser ingerido. O próprio instinto do Homem costuma dar um recado claro, principalmente em adultos, por experiências ancestrais e seleção natural.
As crianças de até três anos, por sua vez, também têm esse instinto bastante aguçado, mas é mais concentrado no paladar, sendo esse o perigo, pois somente depois de experimentar algo ele dá o alarme.
Alimentos amargos, adstringentes, azedos são instantaneamente refugados. Por isso a recusa da criança em comer aquele lindo prato com rúcula e agrião. Nos adultos, qualquer experiência muito desagradável na infância pode ser levada para a vida toda.
Voltando às trilhas. Na região sudeste e parte do sul, por exemplo, é comum encontrar em pastos de regiões mais altas, ou margens de caminhos parcialmente sombreados, os famosos morangos silvestres (Rubus rosifolius).
Eles amadurecem da noite para o dia, são considerados ervas daninhas, mas são uma delícia. Mesmo assim atenção, não apenas com seus espinhos. Percevejos (Nezara viridula), conhecidos também como “Maria Fedida”, costumam habitar suas folhas e frutos, não sendo incomum alguém ter degustado os moranguinhos com esse “ tempero” extra.
É praxe escutar que: Fruta que pássaro ou macaco come não tem perigo. Cuidado, pode não ser bem assim. Alguns animais têm resistência diferente a certos tipos de componentes que nós, humanos, não temos.
Outras frutas são ingeridas por insetos, dando a impressão que foi um pássaro ou mamífero. Geralmente frutas que tem alguma substância tóxica e são degustadas por outras espécies, não tem um veneno potente, mas podem causar desconforto de algum tipo no Homem.
Os cogumelos, para os brasileiros, sempre foram sinônimo de perigoso veneno. São raros aqueles que podem ser colhidos e saboreados nas receitas tradicionais.
Mesmo em países com tradição em sua colheita, principalmente em bosques e matas, não raro é a ocorrência de acidentes, onde a identificação é prejudicada pela similaridade entre as espécies. Alguns ainda são comestíveis somente na fase jovem, que dura apenas alguns dias ou até horas.
O mais prudente quando se trata de comer algo silvestre durante a sua caminhada é conhecer muito bem aquilo que vai colocar na boca. Receber a informação de quem conhece ou diz que, é válido, mas mesmo assim faça essa pessoa comer primeiro.
No mais, dicas do tipo: O que não conhece e ainda por cima, em pequeníssimas porções é amargo, adstringente, muito azedo, contém penugem na casca e é leitoso não arrisque.
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Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
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