
Janine Cardoso e a irmã Paloma no estande do 360 Graus
Foto Renato Gordinho

Escalada Indoor
Foto: Divulgação/Casa de Pedra
Em depoimento concedido em maio à reportagem do 360 Graus, Janine Cardoso contou um pouco sobre a sua atual fase profissional e pessoal.
A atual vice-campeã brasileira tem hoje 28 anos e escala há oito. Em 2001, participou de uma etapa do mundial realizada na cidade de Chamonix, França, classificando-se em 34º lugar entre 65 atletas, faltando uma posição para passar das eliminatórias.
A experiência serviu para corrigir e aprender, incentivando-a para este ano. Ela acredita que está em um momento ótimo de sua carreira, como ela mesma conta. Na última etapa do paulista de boulder, na qual foi campeã, chamou a atenção dos espectadores quando “mandou” um boulder que nem os meninos conseguiram.
Jornalista por formação, Janine trabalha atualmente em uma revista especializada em escalada e montanhismo.
Leia abaixo suas opiniões sobre carreira, vida, o calendário paulista de campeonatos e a recém criada FEMESP - Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo .
Paulista de boulder
“Minha cabeça nunca esteve tão em paz. Estou muito feliz, e já sentia-me assim mesmo antes de ganhar o campeonato de boulder que, na verdade, estava competindo comigo. Claro que eu queria ganhar, mas meu pensamento já estava voltado para o mundial, e ganhar aqui acabou sendo uma conseqüência. Torço para que todos se sintam realizados em seus sonhos, sem inveja e sim, energia positiva”.
Mundial de escalada
“Sou otimista, tentando ser realista ao mesmo tempo, e sei que estou longe de chegar à final de um mundial, mas irei para o mundial sim, aproveitando esta fase boa que estou passando, e que não vai durar para sempre. No ano passado aconteceu uma das experiências mais emocionantes que tive na escalada, competindo em Chamonix, na França. Este ano quero sentir o meu nível e me atualizar quanto ao nível das melhores escaladoras do mundo".
Incentivos
“Considero-me privilegiada em poder me dedicar aos treinos no Brasil, um país que é tão difícil viver de esporte. Agradeço o Alê (Alexandre Silva, seu marido e proprietário do ginásio paulista Casa de Pedra), que há oito anos sabe da minha paixão pela escalada. Ele me apoia e me agüenta (risos).
A Paloma (Paloma Cardoso, irmã mais nova, também escaladora e várias vezes campeã brasileira) também iria ao mundial. Seria muito legal nós duas juntas (Paloma infelizmente não participará por causa de uma contusão que a obrigou a engessar o pé).
FEMESP e calendário paulista
“Acho que o ranking paulista está bacana do jeito que foi montado. A FEMESP é uma evolução inegável, e cada um faz o que pode. Críticas são bem-vindas, mas em forma de conselho. Quem não levanta a bunda para nada e só abre a boca para criticar torna-se irrelevante e pequeno".
Saúde x objetivo
“Acho que saúde esta acima de tudo e, sem ela, eu não irei a lugar nenhum. Por isso, se eu tiver que deixar a saúde em segundo plano para chegar à final do mundial, prefiro apenas ficar admirando as finais".
Treinamento
“Estou treinando como nunca estive. Não escalo mais todos os dias feito louca, estou respeitando mais os descansos que agora são obrigatórios. Aprendi a entender quando meu corpo está debilitado ou quando dá para forçar mais".
Como melhorou na escalada de boulder
“A minha evolução no boulder foi escalando 1 para 1, ou seja, treino forte em um dia e descanso total no outro. Mas o que fez aumentar a força foi o trabalho de musculação, não só para adquirir potência, mas para compensar alguns exercícios que a escalada não prioriza, como por exemplo ficar curvada”.
E na escalada para cima (dificuldade)
“Atualmente estou escalando dois dias seguidos e está difícil, pois são dois dias seguidos de treino puxado. São nessas horas que passo por cima das dores e cansaços e procuro continuar sem me machucar. Aprendi a fazer uns exercícios de respiração e, de vez em quando, quando estou tensa ou ansiosa, começo a praticá-los naturalmente para acalmar. Isso auxilia na escalada, estabilizando o batimento cardíaco na hora do desespero (no crux ou cansaço da via, por exemplo). Assim eu acabo indo mais longe".
Alimentação
“Me alimento várias vezes ao dia. Frutas, verduras, peixe, grãos, carne (de vez em quando), pão integral, buscando sempre variar. Visitei uma nutricionista que me auxiliou e tento manter uma dieta rica e saudável, mas sem paranóias. Não sei se faço tudo certo, só sei que está funcionando e estou em harmonia com o meu corpo e com a minha vida".
Nova companheira
“Há alguns meses ganhei uma cachorra que me hipnotiza quando eu chego em casa. Não vejo a hora de estar com ela e com meu marido, em casa, brincando. Isso me faz desligar um pouco da escalada e relaxar.”
Determinação
“Eu me considero muito determinada quando quero algo. Se o que quero estiver ao meu alcance e, eu não tiver que passar por cima de ninguém, estarei fazendo minha parte para evoluir e conquistar este objetivo".
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