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Farah
e as autoridades 2 - Lima
Às pessoas agradam-lhes outros cheiros diferentes dos cachorros. Lástima. Eles não sabem o que perdem. Por exemplo, nunca os vejo cheirando uns o rabo dos outros. Pelo contrário, eles gostam de colocar cheiros artificiais às coisas. Se pegas um desses edifícios enormes, como bancos, hospitais e lojas não têm cheiro natural. Em Lima, Bárbara e eu fomos a um banco. De novo, um desses prédios que exalam detergente químico, eu tentei entrar porque prefiro acompanhar a Bárbara, mas ela me deixou atada à porta. Tudo bem, sem problema. Jogo-me sob o sol, ao lado da porta de entrada. Bárbara passa entre os detectores de metal, então um guarda usa um detector eletrônico nas suas roupas e finalmente me aponta com o dedo e diz que eu devo sair dali. Não sei porque. Eu estava deitada do lado de fora, na calçada, não na entrada. Eles não querem saber, eu tenho que sair. Porque será que homens em uniforme sempre gostam de brincar de chefe?
Bárbara me defende e diz que eu sou super mansinha e que não iria morder ninguém. Ela caminha até a caixa, o guarda chama seu superior. Ele também diz que eiu não posso ficar. Enquanto isso, todos dentro do banco me olham. Bárbara disse que tinha medo que alguém me roubara e que ela mesma última já tinha sido roubado, diz também que sou muito bem adestrada e que eu jamais iria a machucar alguém. O chefe e dois guardas estavam observando-me. Foi quando o vento soprou o pelo do meu pescoço. Os guardas ficaram nervosos, mas não é culpa minha que assim eu parecia um lobo. O chefe afastou-se uns quatro metros, aponta-me seu dedo e dá uma ordem: "Desamarrem o cão e levem-no para o outro lado da rua".
Os dois guardas olharam-se e tentaram julgar quão bem treinada eu sou. O que tinha um colete à prova de balas era mais corajoso. Eu cheiro entre suas patas, mas mantenho-me tranquila, não quero causar problemas para a Bárbara. Mas o homem tem medo, posso olfatear através de seu uniforme. Ele leva-me ao outro lado da calçada, ata minha coleira e se põe em posição de alerta, esperando. Sinto-me suspeita, como se eu quisesse roubar o banco. - Pft... Eu não estou interessada em dinheiro, dinheiro cheira mal e sequer dá para comer.
Bárbara finalmente sai. Ela nos vê e começa a rir, tira sua câmera e começa a filmar. Quando o guarda a enxerga, apruma-se como bom macho. Então, o chefe vem também e ambos colocam uma cara como se tivessem recém adestrado um leão. Que heróis!
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