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Mercedes de Meroño
Ela é uma mulher forte. Uma das Madres de la Plaza de Mayo, essas bravas senhoras batalhadoras que há 23 anos manifestam-se frente a Casa Rosada (de governo) com lenços na cabeça para que o mundo não se esqueça do desaparecimento de seus 30 mil filhos. Mercedes perdeu sua filha única, Alicia. Como todas outras mães, andou por hospitais, quartéis, cadeias. Finalmente, seu marido contou-lhe que haviam essas mulheres caminhando ao redor da pirâmide na praça. "Nos juntamos pela dor, mas lutamos pela vida, não aceitamos a oferta de pagamento que fez o presidente Alfonsin, não aceitamos o sistema, reivindicamos para nós mesmas a força revolucionária de nossos filhos". Conseguiram.
As cristaleiras da casa da Associación Madres de la Plaza de Mayo te remetem a uma casa familiar, como se fosse a casa de uma avó amada a quem queremos muito. Quando olhadas de perto, as estantes te contam um pouco da história revolucionária mundial. Os presentes vêm de todos lados, há bonequinhas russas, panos bordados do Peru, bandeiras de grupos políticos da esquerda brasileira, de Nicarágua. Há uma guitarra que pertenceu ao roqueiro Charlie Garcia e tantas coisas mais.
Como Madre de la Plaza de Mayo, Mercedes segue sua luta de busca de sua filha e explica como decidiram socializar a maternidade. "Tínhamos no lenço escrito o nome do filho desaparecido, mas há 10 anos decidimos ser mães de cada um dos 30 mil desaparecidos, muitas de nós estão velhinhas e temos de seguir com as bandeiras de nossos filhos".
Sem dúvida, conseguem. Em março de 2000, abrem as portas da associação para a comunidade com a Universidad Madres de la Plaza de Mayo para discussão de temas sociais e políticos. Os professores serão convidados de outras escolas e centros políticos. "Assim deixamos uma semente para as gerações futuras", diz Mercedes com um carinho típico de mãe.
Personagens anteriores :
Clodoaldo Turbay Braga
Seu Anastácio
Cabeza de Vaca
Carlos Paez Vilaró
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