Entrevista com a piloto francesa de parapente Sandie Cochepain

Tema:Parapente
Autor: Chris Bueno
Data: 27/6/2005

Apesar de se decretar “aposentada”, Sandie Cochepain é um dos ícones mundiais do parapente e ainda está muito ativa. A piloto possui um currículo invejável de vitórias e excelentes participações em campeonatos franceses e europeus – incluindo o título do Campeonato Europeu de 1998 e do Campeonato Mundial de 1999. Hoje em dia se dedica a dar aulas do esporte na região francesa de Mont Blanc, ensinando as técnicas e os segredos do esporte. Com experiência de oito anos em competições, Sandie se declara uma verdadeira apaixonada pelo vôo e por viagens, e alerta que o grande perigo do parapente é se viciar. Corajosa, participou de uma expedição na Cordilheira dos Andes, onde realizou um inesquecível vôo sobre crateras de vulcões, picos nevados, Laguna Verde e o Atacama chileno, tornando-se uma das poucas pessoas do mundo a ter realizado essa façanha. Sandie tem um carinho muito especial pelo Brasil, destino de sua primeira viagem fora da Europa e onde afirma ter realizado vôos fantásticos. Além disso, entre seus planos para o futuro, está uma nova viagem a o país – desta vez para praticar kitesurf, sua nova mania.

Confira entrevista exclusiva com essa celebridade do vôo livre!


360 Graus - Para começar, conte como foi seu início no vôo livre e suas primeiras competições.
Sandie Cochepain - Eu comecei por paixão. E comecei a competir porque, para mim, esta era uma ótima maneira de conhecer novos lugares, como o Brasil. Minha primeira fora da Europa foi para o Brasil, e foi maravilhoso descobrir as belezas desse país!

360 Graus - Há quanto tempo você participa de competições de parapente? Quando você começou?
Sandie - Eu comecei em 1993, como instrutora de parapente, e era obrigatório participar de uma competição, como parte final do exame. E parei de competir em 2001.

360 Graus - Qual foi sua maior vitória no esporte?
Sandie - Minhas maiores vitórias foi o título europeu, conquistado em 1998 em Piedrahita, na Espanha, e o Campeonato Mundial, em 1999.

360 Graus - Para você, qual é a parte mais difícil de voar de parapente?
Sandie - Ficar viciado!

360 Graus - Qual era sua rotina durante as competições?
Sandie - Bom, eu parei de competir há um bom tempo, mas pelo que me lembro, só conseguia bons resultados com a motivação certa. Precisava de incentivo. Eu adorava voar em planícies, por exemplo, e isso me motivava.

360 Graus - Agora que você não está mais competindo, o que você faz no seu tempo livre?
Sandie - Eu ainda trabalho com parapente, como instrutora, e agora estou praticando kitesurf. Aliás, espero ir ao Brasil no próximo inverno praticar kitesurf por aí!

360 Graus – Há alguns anos atrás você realizou um vôo sobre a Cordilheira dos Andes. Como foi essa experiência?
Sandie - Eu sonhava com esse momento há muitos anos. O começo foi mais difícil, peguei muita turbulência. Sem contar que estava muito cansada de toda a caminhada, numa região muito difícil. Cheguei a pensar que não conseguiria voar. Mas depois que decolei, e passei por cima da cratera de um vulcão, foi incrível. Simplesmente mágico.

360 Graus - Você pratica algum outro esporte? Você já experimentou voar de asa-delta?
Sandie - Não, por incrível que pareça, nunca voei de asa-delta. Mas pratico outros esportes sim: adoro montanhismo, equitação, dança e kitesurf.

360 Graus - Em todos esses anos de vôo livre, qual foi o momento mais difícil que você passou? E qual foi o mais hilário?
Sandie - Bom, um acidente engraçado (bem, acidentes nunca são engraçados...) foi ficar presa em uma árvore durante 25 minutos no Japão. E uma das situações mais difíceis foi durante um campeonato na Áustria, em 1999. A competição acabou sendo cancelada porque apenas poucas provas puderam ser realizadas: as condições de vôo estavam realmente muito perigosas e a organização achou melhor parar o evento pela segurança dos atletas.

360 Graus - Você acha que é mais difícil para as mulheres voarem de parapente? Como você se sentia sendo uma das poucas mulheres em um esporte dominado pelos homens?
Sandie - Eu acho que é mais fácil para uma mulher voar de parapente (mais coordenação, mais aceitação de seus medos e limites, mais flexibilidade e leveza...). Porém, quando se alcança um nível mais avançado, o problema é que as mulheres têm um instinto de sobrevivência mais aguçado do que os homens, então as mulheres vão assumir menos riscos – eu, por exemplo, competi durante oito anos e nunca me machuquei! Isso é bom em certo sentido, mas também pode impedir de evoluir no esporte.

360 Graus - Para terminar, quais são seus planos para o futuro?
Sandie - Meus planos? Bem, continuar voando, é claro. E também praticar kitesurf no Brasil e ter um filho!



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