Fernando Pradi, da Sol Paragliders, fala sobre vôo livre, mercado e Expedição Nordeste

Tema:Parapente
Autor: Chris Bueno
Data: 4/7/2005

Uma expedição feita para quebrar recordes em um dos mais belos e exóticos cenários brasileiros. Essa é a Expedição Nordeste, evento de parapente realizado anualmente na região de Patu – um pequeno paraíso perdido entre Natal e Fortaleza. Criada por Fernando e Ary Pradi, os irmãos proprietários da Sol Paragliders – única fabricante nacional de parapente e que já alcançou renome internacional – a Expedição Nordeste já tem em seu currículo a quebra de três recordes mundiais: distância livre solo (308 km) e distância livre duplo, quebrado duas vezes no mesmo ano (299,7km e 283,4km), além de um Sul-Americano (338km) e vários Brasileiros. Este ano, o evento será realizado novamente, prometendo ainda mais recordes e belos espetáculos pelos céus nordestinos. Para saber mais sobre a expedição, seus recordes e seus preparativos (e mais sobre vôo livre e sobre o mercado nacional e internacional de parapente), confira entrevista exclusiva com Fernando Pradi, proprietário da Sol Paragliders organizador da Expedição Nordeste e piloto de parapente:

360 Graus - Este ano vocês vão realizar a terceira Expedição Nordeste. Como surgiu a idéia de realizar um evento como esse?
Fernando Pradi - Tudo começou quando chegou as minhas mãos uma matéria sobre condições meteorológicas para vôo feito por um americano no Brasil falando dos melhores locais para vôo em distância no país. Logo após, recebi a noticia que Thomas Milko tinha batido o Recorde Brasileiro de Planador (1050 km) saindo do Rio Grande do Norte e pousando no Maranhão. Fui logo procurando pelo recordista que, pelo seu carisma, se tornou um grande amigo. Então, peguei todas as informações possíveis e acabamos achando Patu, distante 350 km de Natal ou Fortaleza. Depois de termos falado com alguns pilotos de Natal e Fortaleza, vermos fotos do local e estudarmos mapas e cartas meteorológicas, concluímos que poderíamos ter 80 % de chance de alcançarmos o objetivo do Recorde Mundial.

360 Graus - Qual o objetivo do evento?
Fernando Pradi - O objetivo dessa expedição se resume em buscar a quebra de recordes de distância livre.

360 Graus - Quais as características da região Nordeste que a fizeram ser escolhidas para a realização do evento?
Fernando Pradi - A região é totalmente seca, árida, rochosa, com muito vento e um excelente nível de evaporação - que resulta nas térmicas.

360 Graus - Quantos recordes vocês já conseguiram quebrar nas edições anteriores? E quantos (e quais) pretendem quebrar este ano?
Fernando Pradi - Bem, já quebramos quatro recordes: Marcio Pinto, 308 km voando sozinho; André Fleury, 299.7 km e 283,4 km voando de duplo (ele bateu duas vezes o recorde); e Marcelo Prieto, 338 km quebrando o recorde Sul-Americano. Temos ainda a melhor marca do mundo voada com um parapente categoria DHV 2: 318 km pelo Marcelo Prieto com o parapente Synergy 2. Neste ano nosso próposito será quebrar o recorde Mundial livre, que está em 422 km.

360 Graus - Como é a feita a verificação desses recordes?
Fernando Pradi - Para a confirmação de um recorde é preciso que esteja presente um observador da FAI (Federação Aeronáutica Internacional) como fiscal. Também é preciso um papel com dados (nome do piloto, local de decolagem, data, hora, coordenada GPS de decolagem, foto do piloto segurando o papel, e fotos do trajeto durante o vôo); um Track Log (gravação de pontos que ocorre no aparelho GPS durante o vôo mostrando o percurso voado) e o Barograma (impresso através do variômetro que também mostra detalhes referente ao vôo como hora de decolagem, altura e hora de pouso).

360 Graus - Como estão os preparativos para a Expedição Nordeste 2005? A data e o local já estão definidos?
Fernando Pradi - Estamos trabalhando no novo site, conversando com possíveis patrocinadores, fazendo todo o levantamento do material que será usado neste ano, mas a organização final ocorre em agosto. A data já temos, mas ainda é segredo!

360 Graus - A Sol Paragliders tem uma equipe de pilotos de parapente. Como foi a participação da equipe no Campeonato Mundial de Parapente, realizado no começo deste ano em Governador Valadares (MG)?
Fernando Pradi - A Sol vem apoiando alguns pilotos que se destacam em nível nacional, mas a falta de experiência em um grande campeonato - onde se envolve muito mais estratégia, aptidão,equilibro emocional, agilidade, pressão psicológica, etc – faz com que eles tenham que trabalhar muito mais para conquistarem o topo. Mas com certeza o Campeonato Mundial no Brasil (realizado no começo do ano em Governador Valadares – MG) trouxe muitos pontos positivos para os pilotos brasileiros, que foram elogiados por muitos estrangeiros em vários momentos.

360 Graus - Como você e seu irmão (Ary Pradi, com quem Fernando criou a Sol Paragliders) se envolveram com o vôo livre?
Fernando Pradi - Já estamos no vôo livre faz 21 anos. Começamos na asa delta e agora já faz 14 anos que estamos no parapente, que foi iniciado pelo Ary que morou na Europa e viu que poderia ser um esporte promissor no Brasil. Em 86 foi construído uma rampa em nossa cidade e a partir dai não conseguimos mais tirar os olhos do céu. Então, o Ary comprou uma asa e hoje aqui estamos com muitas historias para contar para quem quiser ouvir. Com certeza dá um bom livro! (risos)

360 Graus - Vocês ainda voam? Participam de competições?
Fernando Pradi - Atualmente estamos voando muito pouco, pois o volume de trabalho em função do nosso crescimento internacional e nacional nos faz ficar administrando a empresa a maior parte do tempo. Hoje somos uma equipe de 104 funcionários, e ainda assim nem sempre funciona da maneira que a gente quer.

360 Graus - Como surgiu a idéia de criar uma fábrica nacional de parapente?
Fernando Pradi - Como já comentei, o Ary morou no exterior e foi lá que tudo estava começando. Daí surgiu a idéia de levantar o esporte no Brasil. Muitas dificuldades com materiais nacionais nos obrigaram a importar tudo o que existia de melhor para iniciar o que hoje é a Sol.

360 Graus - A Sol Paragliders é uma empresa nacional que se estabeleceu como uma marca internacional. Como vocês avaliam a participação da empresa no mercado doméstico e no mercado mundial?
Fernando Pradi - Hoje com certeza somos uma empresa de crescimento acelerado, pois nosso produto está em um nível de qualidade bom ou melhor que muitas marcas existentes. Isso faz com que sejamos competitivos no mercado nacional e internacional. Nossos concorrentes, aqui no mercado nacional, são os parapentes que entram de forma não clara, provavelmente sem pagar impostos, sem ter empresa formal e sem despesas decorrentes disto. Empresa legal estabelecida não existe, mas existe em grande quantidade estes equipamentos no mercado - estimado em 50% do mercado.

360 Graus - A empresa cresceu muito nos últimos anos. Quais vocês consideram as maiores conquistas da Sol Paragliders?
Fernando Pradi - Acho que podemos dizer que todos os dias são de grandes conquistas, pois entrar na empresa todos os dias e ver que as pessoas estão felizes e lutando para buscar soluções para melhorar seu produto, sua imagem e, acima de tudo, sempre procurando por uma melhor qualidade de vida , saber que todos se ajudam pelo mesmo propósito, isso já é uma grande conquista. Acredito que a nossa maior conquista é estar aqui após estes 14 anos, em um país em que a democracia é pouca, onde a política deixa a desejar, onde os impostos lhe comem o fígado e mais um pouco. Isso é uma grande conquista.



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