O uso do pára-quedas reserva na prática do Paragliding

Tema:Parapente
Autor: Silvio Ambrosini - www.ventomania.com.br
Data: 4/3/2002

As vezes as pessoas me perguntam, especialmente no SIV qual seria a altura mínima para abrir o reserva... e eu respondo que seria algo em torno de meio metro... após risos nervosos a gente conclui que pelo menos assim, quando a galera chegar perto do defunto, vai ver ele com a mão na alça e vai dizer: "pelo menos ele tentou!!!".

Brincadeiras a parte, é preciso colocar as coisas na correta ordem. O PQD de emergência não é nenhuma máquina perfeita, ela é sim cheia de defeitos e o simples ato de abrir o reserva não significa que você estará absolutamente salvo de uma situação de emergência. É preciso lembrar que o parapente precisa ser recolhido e isto precisa ser feito corretamente para evitar que ele enrole-se no reserva e acabe estrangulando as linhas reduzindo a área e aumentando a velocidade de queda, ou que ele provoque pêndulos horrorosos na hora errada. É preciso também lembrar que o piloto precisa atingir o chão de pé e fazer o rolamento, exatamente ao contrário do que muita gente prega que é meter a bunda com airbag ou bump-air no chão como se fosse uma maravilha entregar a segurança de sua coluna vertebral para um equipamento que sabe-se lá se vai funcionar direito. Isto sem contar na possibilidade de chegar ao chão com seu reserva sobre postes, fios, casas, avenidas ou encostas pedregosas e etc.

O reserva é a última alternativa para qualquer piloto que esteja voando um parapente adequado ao seu nível técnico, mas é a primeira para os palhaços que voam parapentes de alta performance por que dá status. A estes, dedicamos ajuda divina, concentração energética, corais com o som primordial do universo, horas sentado em lótus, orações, terços e novenas. Àqueles primeiros, dificilmente precisarão sequer pensar no reserva, já que muito provavelmente nada acontecerá a eles que requeira o uso do equipamento e caso aconteça algo, eles procederão normalmente na reabertura e recuperação de suas máquinas, ou se não tiver jeito, abrirão seus reservas, recolherão seus velames da forma mais fácil e eficiente, virarão de frente para a trajetória e atingirão o chão fazendo um rolamento sem nada sofrer e ainda dando umas risadinhas (nervosas, tudo bem).

Nem estou mencionando aqueles espertalhões que se consideram importantes demais para terminar no paletó de madeira e saem fazendo vôos absurdos com ventos fortíssimos ou resolvem atravessar as rotas aéreas do Rio (como o Nader acha tão bonito), ou passam suas vidas voando no lift e vão estrear seus parapentes novos valendo milhares de dólares no dia mais turbulento desde Nagazaki numa rampa onde nunca botaram os pés.

Oh... gritos e berros!! uma multidão dizendo que com o Betão não foi assim, com o Vini não foi assim, com o Dib não foi assim, com o Frank não foi assim, e mais um monte de gente por aí afora que não abriu o reserva e estabacou a orelha no chão... Quem falou que tudo na vida é 100% garantido? Nem os maravilhosos produtos vindos do nosso vizinho Paraguai são 100% garantidos minha gente. Faça sua parte, faça um SIV decente e aprenda como esses trens funcionam e pare de depender exclusivamente da intervenção do Divino Espírito Santo como se ele realmente estivesse louco pra te salvar... até parece que somos tão importantes assim pra aquela galera lá de cima ficar perdendo tempo pra salvar maluco voador... esqueceram-se da quantidade enorme de velhinhas caquéticas se desequilibrando em escadas ou atravessando avenidas movimentadas que têm por aí?



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