Excesso de carga em acrobacia de parapentes

Tema:Parapente
Autor: Silvio Ambrosini
Data: 30/8/2006

A acrobacia de parapente passou a desenvolver-se no mundo de forma bastante rápida.

Atuações como a dos irmãos Rodriguez, que inventaram a manobra SAT e tudo o que derivou delas, têm sido a sensação dos campeonatos de acro que atraem a atenção do grande público - especificamente pela possibilidade de acompanhar com os olhos o que está acontecendo. Muito diferente das competições que estamos acostumados, onde os pilotos enrolam uma térmica e desaparecem das vistas de todos indo pousar em algum lugar longínquo.

É inegável que o apelo de marketing é poderosíssimo neste caso, e vem consolidar o parapente como um esporte mundial bastante interessante para o público. Competições como o Wings Over Aspen e o Red Bull Vertigo em Villeneuve na Suíça, reuniram mais de mil pessoas assistindo, em meio a barracas vendendo badulaques em geral, comidas e bebidas, um cenário lindíssimo e excitante de acrobacias espetaculares sobre um lago fotográfico.

Um destes pilotos, que é também designer de parapentes, Robbie Whittal da Ozone, conta o que aconteceu outro dia com o test-pilot Chris Santacroce: ao executar algumas manobras iradas demais com o protótipo do Mutant (o novo velame acro da fábrica), terminou com várias linhas do bordo de ataque partidas. Foi obrigado a usar o pára-quedas de emergência abreviando seu vôo para as águas do lago onde fazia suas experiências.

Ele comenta que, provavelmente, o Chris chegou perto de 6G de aceleração em uma seqüência de tumblings (uma mistura entre espiral invertida - SAT e looping), e as linhas não resistiram. As linhas oficiais no modelo final seriam naturalmente mais espessas, mas a coisa é que ele ficou meio assustado com isso.

Agora estão iniciando alguns testes, utilizando acelerômetros e medidores de G, para reunir o máximo de informações possível acerca das variações de carga no parapente durante manobras mais ousadas como os tumblings.

Mr Whittal comenta que se sente culpado com o excessivo entusiasmo pelo mundo da acrobacia em parapente, e que é preciso refrear um pouco os ânimos - até que novos progressos sejam feitos para garantir mais segurança neste tipo de atividade.

É natural que Robbie posicione-se desta forma, afinal, ele está à frente de uma das fábricas de parapente que mais cresce no mundo e que produz o preferido dos velames utilizados em acrobacia (o Octane).

As acrobacias em parapente ainda têm muito o que aperfeiçoar. Especialmente os parapentes adaptados às novas possibilidades técnicas, que a aparentemente infinita criatividade dos acro-pilots foi capaz de produzir.

É inegável que o parapente é um esporte novíssimo e todos os anos vemos novidades assombrosas no mundo do design, com equipamentos que facilmente suplantam em rendimento os modelos anteriores, mantendo o mesmo nível de segurança proposto pela categoria a qual pertencem.

Melhoras na construção, utilização de novos materiais (como as linhas Betec, mais finas, e a nova composição do tecido Porcher, mais durável), novas idéias, projetos... Enfim, tudo garante novidades a todo instante em meio a um esporte tão fascinante quanto possível.



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