Cheguei em Laredo, sob um forte calor 40 graus, deserto, nas ruas apenas taxistas com aquelas caras de mexicano lacaio. Uma tarifa de 20 dólares até a rodoviária. Eram 14h e o único ônibus para Zapata sairia às 17h15, ou seja, seriam mais “algumas” horinhas de espera.
Para melhorar, os telefones que eu tinha contato em Zapata não funcionavam. Mas nada desesperador: Zapata é uma cidadezinha de interior onde todos se conhecem. Pelo menos era assim que eu imaginava.
Uma roubada! Estava parado ali, com um paraca nas costas e duas malas pra carregar, um calor infernal, a cada quilômetro uma casa e, para piorar, ninguém sabia nada sobre vôo ou aeroporto em Zapata. Nada ... nada ... nada.
Esgotado de tanto caminhar carregando minhas malas, que ainda por cima estavam com as rodinhas quebradas, acabei parando em um motel na beira da estrada por 30 dólares a noite, um muquifo! Mas, nessa altura do campeonato, parecia uma suíte presidencial.
No outro dia acordei cedo. Caminhei mais umas duas horas e nada - ninguém sabia de nada. Eu já estava desistindo, quando na minha frente passou uma caminhonete com adesivo de vôo. Finalmente saí da roubada! Cheguei no aeroporto e encontrei o pessoal do parapente e a organização do acampamento.
Eles me passaram algumas informações básicas e também informaram que a decolagem seria em Escobas, a uns 20 quilômetros do aeroporto, e que esta mudança seria para facilitar a rota de vôo. Decolando deste local, sairia menos da rota para contornar ao terminal de Laredo.
Chegando no local, descobri que nada havia sido feito. Não existia rua aberta, conforme havia prometido. Além disso, contava com apenas um guincho para realizar as decolagens, e na verdade cada piloto deveria possuir o seu próprio resgate.
Com certeza teria problemas pela frente. Após muita discussão com a organização, pelo menos a estrada foi aberta. Para minha sorte e do meu amigo Frank, dois mexicanos, Felipe e Santiago tinham levado um guincho, e acabamos combinando de nós quatro o utilizarmos.
Mas os problemas não pararam por aí: o guincho estava com problema de mau contato. Às vezes tínhamos que recolher a corda manualmente. Não tínhamos motorista nem operador para o guincho, então, tirávamos na sorte quem decolaria primeiro. O resto do pessoal ajudava - ou dirigindo, ou operando o guincho.
Com o passar dos dias, notamos que a condição de vôo no Texas é cíclica. A cada semana acontecia, no máximo, um dia bom para tentar quebrar o recorde. Estávamos frustrados porque só conseguíamos rebocar até 250 metros, pois as estradas eram muito curtas.
Não era possível escolher a hora certa para decolar. Para piorar, se você decolasse e tentasse sair derivando com alguma bolhinha e pousasse logo após, perderia o vôo, pois não existia nenhuma estrada para resgate nos primeiros 15 quilômetros de vôo. Mas, de qualquer forma, nós não dispúnhamos de resgate mesmo, tínhamos que nos virar: de carona, de ônibus, o que fosse! Roubada total ...
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