O vôo de XC é o vôo de longa distância. Consiste em subir o máximo utilizando as térmicas para partir numa determinada direção procurando voar o mais longe possível. Trata-se, na minha opinião, da mais espetacular atividade permitida pelo parapente.
A capacidade de subir uma térmica, deslocar-se perdendo altura até finalmente encontrar uma nova termal, subir novamente e assim sucessivamente até pousar no final do dia em algum lugar dezenas e até centenas de quilômetros de onde você estava, sem nenhum tipo de propulsão é algo difícil de ser expressado em palavras.
Muitas vezes quando você está voando nas térmicas, nem acredita que é possível conseguir fazer vôos de longa distância. Então o piloto inicia o vôo e as horas vão passando e as cidades vão ficando para trás junto com todo seu stress. Em dado momento, você está no meio do céu, a milhares de metros de altura, absolutamente sozinho, olha a sua volta e vê a grandiosidade de tudo que o cerca parando um instante para pensar “como é bom estar vivo!”.
Não é nada fácil fazer vôos de Cross Country. A maioria dos pilotos passa praticamente toda sua vida de voador se aperfeiçoando para conseguir fazer um vôo mais longo e sempre aparece alguém que consegue ir mais longe ainda.
Recentemente o piloto brasileiro Marcelo Prieto (o Cecéu) foi o primeiro piloto no mundo a romper a marca dos 400 voando 402 quilômetros no deserto de Zapata no Texas. Foi superado apenas vinte minutos mais tarde por um piloto canadense que voou 423 quilômetros quebrando o recorde mundial de distância: 337 quilômetros.
Um vôo destes leva mais de dez horas para ser feito; isto significa dez horas pilotando um parapente - atravessando um deserto absolutamente inóspito onde um pouso feito em um local de difícil acesso pode até significar a morte do piloto por desidratação ou frio.
É claro que ninguém sai por aí morrendo de tanto voar; esta situação representa aquilo de mais extremo possível proporcionado pelo esporte. Algo como nadar um pouco numa praia do litoral norte comparado a atravessar o canal da mancha a nado.
Silvio Ambrosini é instrutor da Escola Ventomania. Para saber mais: www.ventomania.com.br
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