Luiz Henrique Santos, o Sabiá - Pára-quedista e Base Jumper

Tema:Pára-quedismo
Autor: Laert Gouvêa
Data: 1/8/2001

Pára-quedismo -



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Luiz Henrique Santos, conhecido de todos nós pelo carinhoso apelido de Sabiá, coleciona títulos internacionais de pára-quedismo. Registra um total de 6.700 saltos e, além de defender o Brasil inúmeras vezes em campeonatos internacionais, já teve a honra de ser convidado pela equipe americana de pára-quedismo para representar os EUA em competições mundiais. Ocupa atualmente a terceira posição do ranking mundial de Skysurf.

Mas o que ele realmente gosta é de uma outra modalidade deste fascinante esporte, o radicalíssimo "BASE Jump". Ao contrário do que muita gente pensa, o BASE Jump não é um salto praticado por irresponsáveis suicidas; é sim, uma modalidade do pára-quedismo que exige muita técnica, atenção e equipamentos especiais.

E é sobre essa emocionante prática que 360 Graus conversou com ele, hoje um dos mais experientes BASE jamper do mundo, conhecido por várias matérias do Fantástico, da Rede Globo, e de outros programas que já o acompanharam em algumas de suas aventuras.


360 - O que é o BASE Jump?

Sabiá - O BASE é saltar de lugares fixos, que são prédios, antenas, pontes e montanhas, que são os quatro da sigla. Além disso eu já saltei também de chaminés, caixas d'água, represa hidroelétrica, guindaste, caverna, torre de alta tensão e bondinho. É isso aí.

360 - O que quer dizer a sigla Base?

Sabiá - A sigla BASE é "B" de "building", prédios, "A" de "antena", que em português é antena mesmo, "S" de "span", que é vão, pontes e "E" de "earth formatios", que são os penhascos.

360 - E como pintou a vontade de se tornar um BASE Jumper?

Sabiá - Foi nos tempos que eu fazia "TR" (trabalho relativo), na época ainda estava começando o "Sit Fly" no Brasil e eu comecei a ver na TV e nas camisetas dos americanos. Batalhando para saber mais, conheci o Mark Hillt que me ensinou a dobrar e saltar, depois fui para os EUA para poder saltar mais.

360 - Qual é a diferença básica entre um pára-quedas de BASE Jump e um equipamento normal de salto?

Sabiá - O pára-quedas que nós usamos para saltar tem um conceito diferente, quanto mais rápido melhor, quanto mais veloz chegar no chão melhor. O do BASE é ao contrário, a idéia é estar lento, principalmente na abertura para não bater em nada no caso de uma abertura fora do eixo e no pouso, que normalmente são "casca grossa", sempre no meio de ruas, fios, sempre num tiro de precisão. O Foil (velame de precisão) seria ideal, mas não têm um perfil de abertura para o BASE. O pára-quedas tem que abrir rápido e parado, ter uma boa razão para frente quando necessário e pousar com precisão total.

360 - A dobragem tem algum segredo especial?

Sabiá - Dobrar com o maior cuidado do mundo é o grande segredo. Com carinho, porque é "uma nota, uma chance". A técnica é fazer inflar primeiro o nariz do pára-quedas, ou seja, inflar a frente primeiro, depois o meio e por último a cauda. A cauda é que faz a pane quando dobra para frente, então tem que ser o nariz abrindo primeiro, o meio e depois atrás, assim têm que abrir um pára-quedas de BASE.

360 - Sabemos que têm uma brasileira chamada Martha que mora nos EUA e que fabrica pára-quedas de BASE. Fale-nos sobre ela.

Sabiá - Ah, a Marta é uma gaúcha maravilhosa em todos os sentidos, têm um nome super respeitado no mundo inteiro e hoje em dia mora no meio dos EUA onde vive da fabricação de seus pára-quedas. Ela é muito famosa pela qualidade dos pára-quedas que fabrica e pela técnica que têm para saltar.

360 - De todas estas plataformas de que você já saltou, qual lhe deu mais emoção?

Sabiá - Todo BASE é super marcante, é difícil esquecer de qualquer um deles. Cada um dos 516 saltos que eu tenho foi muito marcante. Até os lugares diferentes como o bondinho, por exemplo, ajudam a marcar, mas destes todos eu vou destacar El Captain, nos EUA, Cachoeira da Fumaça, divisa do Brasil com a Venezuela e o monte Pranto, na Itália. Estes são três picos alucinantes que eu já saltei.

360 - Qual é a altura mínima para um BASE jump seguro?

Sabiá - O mínimo que eu já fiz, foram medidos 35,40 metros de um guindaste de Bang Jump. Foi sobre um espelho de água, só deu tempo de abrir e nem de pousar. Quando terminou de abrir eu já estava dentro d`água.

360 - Perguntei sobre um salto seguro, qual é o mínimo?

Sabiá - Eh, esse foi o mínimo que eu fiz, mas eu gosto dos saltos acima dos 150 metros.

360 - Durante esta carreira de BASE jumper já houve algum susto?

Sabiá - Vários. Vou separar um twist com 180º para pedra, durante um salto de montanha e um outro 180º num prédio, que também foi um sustão legal.

360 - O que você teria a dizer para quem quer começar a praticar o BASE?

Sabiá - Que não meta um pára-quedas nas costas e saia se jogando de qualquer lugar. Que faça certo, procurando pessoas experientes que possam passar as técnicas seguras e indicar os equipamentos adequados...



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