Fábio Diniz em um pouso de alta performance sobre a água
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Fábio Diniz
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Fábio Diniz (agachado) com o pessoal da Copa 4-way
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Fábio Diniz com o campeão mundial Kirk Verner
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Fábio Diniz dando instrução durante salto nos céus de Boituva
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Poucos são capazes de voar, saltar, e chegar tão longe. O pára-quedista Fábio Diniz, integrante da atual equipe campeã brasileira de FQL-4 e da Copa 4-way CTR 2004 - Optimum, possui diversos títulos nacionais e recordes sul-americanos de grandes formações.
Não é para menos. Diniz se dedica ao esporte há mais de uma década. Já fez vários cursos e especializações nos Estados Unidos, é um dos fundadores do Clube do TR, entidade de formação de atletas de competição reconhecida
internacionalmente e fundador da CTR Consulting, a primeira empresa de planejamento e gestão estratégica de RH brasileira com programa de desenvolvimento organizacional baseado no sistema operacional das equipes campeãs do mundo.
Com tanta experiência, é de se supor que as investidas não parem por aí. Em outubro Fábio Diniz fará parte da equipe brasileira CTR/Optimum que irá para o Arizona (EUA), competir na Copa do Mundo de Pára-quedismo: a World Cup em Eloy.
Aqui no 360 Graus Fábio Diniz conta como começou a paixão pelo pára-quedismo e suas expectativas.
360 Graus - Como você começou a praticar o pára-quedismo? Quando foi o seu primeiro salto e qual foi a sensação?
Comecei a saltar pois tinha medo de altura e precisava vencê-lo, isso realmente me incomodava. Resolvi fazer o curso para perder o medo. Fiz o curso, saltei e me apaixonei, não somente pelo salto em si, mas pelo desafio que é saltar de pára-quedas. Meu primeiro salto foi em 1993, na cidade de Piracicaba, pelo método ASL. A sensação foi indescritível, quando pousei do primeiro salto tive uma sensação de vitória interior, de ter superado um medo e foi isso que me motivou a continuar.
360 Graus - Você possui vários títulos nacionais e recordes de grandes formações. Quais deles foram os mais importantes para vc e por quê?
Sinceramente todos eles foram extremamente importantes pra mim e sempre serão, porém, acredito que a primeira vitória na modalidade de FQL que foi já no meu primeiro campeonato brasileiro ficará sempre marcada em meu coração com um carinho especial, afinal, foi a minha primeira conquista como atleta dentro do pára-quedismo.
360 Graus - Qual é a modalidade mais difícil e por quê?
Não consigo enxergar uma modalidade mais difícil dentro do pára-quedismo, seja ela qual for. Todas elas tem suas características e peculiaridades, todas são lindas e requerem um grande nível de técnica e concentração se forem praticadas com seriedade. Na minha concepção a dificuldade não é da modalidade, mas sim dos atletas que precisam ser disciplinados, comprometidos, dedicados e principalmente, amar o que fazem. Isso sim é difícil, principalmente dentro de um país como o Brasil que não incentiva os esportes e os atletas de alto rendimento.
360 Graus - Como é o treinamento dos pára-quedistas para saltos de formação?
Treinamos o conjunto corpo, mente e técnica, ou seja, parte física, psicológica e técnica. O bom equilíbrio entre essa tríade é requisito para que possamos ter um bom desempenho. Na parte física fazemos exercícios de alongamento, musculação e aeróbicos diariamente. Para a parte psicológica, temos um psicólogo esportivo que cuida de cada um de nós como indivíduo e também da equipe, e na parte técnica fazemos simulações dos saltos no solo, treinamos em túnel de vento (simulador de queda-livre) e fazemos o principal que é saltar, saltar e saltar. Trabalhar em equipe é algo desafiador e aprendemos a cada dia que passa. O nosso convívio é grande e requer muita disciplina e principalmente, comprometimento com o time e com o processo de treinamento.
360 Graus - Durante uma competição, o grupo é capaz - ainda no ar, em formação - saber se está se saindo bem? Ou é no chão que os integrantes passam a saber se foram bem sucedidos ou não?
Uma equipe de FQL madura (formações em queda-livre) consegue reconhecer se a sua performance durante o salto foi boa ou não, mas o resultado final só pode ser averiguado após a análise da filmagem, afinal, tudo acontece muito rápido e alguns detalhes podem passar despercebidos. Sempre temos um sentimento que pode ser bom ou ruim, após um salto de competição podemos abrir o pára-quedas comemorando ou "xingando", mas certeza mesmo, somente depois da avaliação dos juízes.
360 Graus - O que um pára-quedista precisa para participar de saltos de formação?
Praticar a segurança, discernimento, disciplina, concentração, foco, condição física e emocional, saber trabalhar em grupo e principalmente treino, muito, mas muito treino. O pára-quedismo é um esporte de eterno aprendizado e o atleta precisa dessa consciência para se superar sempre.
360 Graus - O "barato" do pára-quedismo é a queda, o visual, ou a adrenalina?
Para mim o barato do pára-quedismo é o conjunto de experiências que ele nos proporciona. A queda-livre, o visual, o aprendizado, a superação, o desafio, a mudança de comportamento, a mudança de pensamento e principalmente o prazer e privilégio de saltar de um avião, vendo o mundo de uma maneira diferente a cada vez.
360 Graus - O que é mais valorizado por uma comissão julgadora de uma competição nos vídeos do cameraman?
No caso das formações em queda-livre, a precisão e velocidade com que fazemos as figuras que são sorteadas para cada salto. Temos 35 segundos de trabalho para montar o maior número de figuras possível, isso quer dizer que quem for mais preciso, rápido e errar menos, ganhará.
360 Graus - Vc irá participar da World Cup nos Eua, em outubro? Quais as expectativas? Como é o treinamento para o evento?
O Brasil está muito longe das equipes campeãs do mundo, se no Brasil fazemos uma média de 13 ou 14 pontos, as equipes campeãs do mundo fazem 21 ou 22, é muita diferença. Não podemos comparar a quantidade de treinamento de uma equipe top do mundo com uma equipe top do Brasil. Uma salta somente de finais de semana enquanto a outra todos os dias, realmente é muito diferente.
As nossas expectativas são de fazer o nosso melhor, a nossa briga será conosco, para fazermos o máximo que estiver dentro da nossa capacidade, temos planos de alcançar uma boa média antes de chegar no mundial, mas tudo isso é parte de um processo e hoje nos preocupamos com o processo e não com o resultado na competição. Treinamos para vencer, competimos para dar o nosso melhor, este é o lema da nossa equipe.
360 Graus - Quais são os próximos planos?
Me dedicar ao máximo para a equipe Optimum CTR, com comprometimento, seriedade, profissionalismo, companheirismo e principalmente, espírito de equipe.
360 Graus - Você já passou por alguma situação perigosa e/ou engraçada durante um salto?
Muitas perigosas e muitas engraçadas, todos os saltos precisam de atenção e cuidados, todos os saltos podem ser perigosos ou engraçados, o perigo e a satisfação caminham juntos no pára-quedismo, é por isso que precisamos praticá-lo com discernimento, segurança, compreensão e amor. O simples fato de viver já é perigoso. Vejo o pára-quedismo como uma vida dentro da nossa vida, ou seja, você passa por diversas situações e sentimentos, cabe a cada um saber lidar com isso da melhor maneira possível.
360 Graus - Defina o pára-quedismo. O que é saltar de pára-quedas pra vc?
A coisa mais importante da minha vida, depois da minha esposa e minha família.
360 Graus - Qual o conselho para os que desejam começar no esporte?
Não percam a oportunidade de voar, não dependam dos outros, tenham atitude, procurem uma área de saltos e realizem o sonho de voar !
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