Quando vemos uma foto ou assistimos a um vídeo sobre pára-quedismo nem sempre nos damos conta de como tais imagens foram conseguidas. Lembro-me de já ter ouvido várias perguntas a respeito de como o pára-quedista consegue capturar tais imagens. É para tornar mais fácil de entender o trabalho dessas pessoas que se dedicam a filmar e fotografar pessoas brincando, ensinando ou treinando, durante a queda livre ou com seus pára-quedas já abertos, que escrevo este artigo.
Já considerada uma atividade profissional dentro do pára-quedismo, voltada para fins evolutivos, artísticos, competitivos e responsável na divulgação do esporte nos meios de comunicação, a arte de filmar e fotografar esses vôos já chegou até o cinema, exigindo de excelentes pára-quedistas a malícia de saltar com câmeras de cine e foto de até 10 kg instaladas sobre seus capacetes ou em alguma outra parte do corpo, dependendo da imagem a ser capturada.
Deixando de lado esses excessos, voltamos a nossa área de salto, onde encontraremos esses voadores, cuja peculiaridade é determinada por sua experiência, qualidade de seus equipamentos e por suas características de vôo.
Acredito que um bom cameraman possui pelo menos duas dessas três características bem desenvolvidas. Imaginem então um experiente pára-quedista com excelente domínio de seu vôo e possuidor de uma simples câmera de vídeo 8 mm. E em contra partida um outro com pouco conhecimento de seu vôo, menos experiência e excelentes equipamentos de vídeo e foto. O que veremos então será a compensação da qualidade das imagens conseguidas pelo câmera 1 por possuir maior controle e melhor planejamento de seu vôo, o que aumenta de forma significativa a qualidade de suas imagens, mesmo não possuindo um equipamento de última geração.
Sem dúvida alguma, o fator experiência determina não apenas o resultado artístico como também a segurança, pois uma atitude errada ou um pequeno vacilo podem custar-lhe não apenas novos equipamentos, mas até a própria vida. O uso de equipamentos de vídeo em nossas cabeças pode parecer algo bem simples, mas há necessidade de atentar para problemas decorrentes de uma colisão com uma formação ou simplesmente o embaraço de uma linha durante a abertura de nosso pára-quedas proveniente de um comando em uma posição instável por parte do cameraman.
Hoje encontramos no esporte diversos tipos de salto, tais como: Formações em Queda Livre, Free Style, Skysurf, TRV e Freeflying. Cada uma dessas atividades tem características próprias que necessitam de um trabalho direcionado para se obter o melhor ângulo, conseguir imagens claras e, em alguns casos, criar um ambiente, cujo resultado no vídeo seja deslumbrante. Como exemplo disso, podemos citar as modalidades Skysurf e o Free Style, em que a plasticidade e integração câmera/atleta garantem melhores pontuações.
Para isso desenvolvemos qualidades de exímios voadores, deixando de lado o bê-á-bá do vôo estável e procurando conseguir estabilidade em qualquer posição de vôo (em pé, deitado, de ponta-cabeça ou sentado), dependendo das necessidades de cada tipo de salto. Também é necessário o uso de macacões construídos especialmente para cada tipo de atividade. É comum o uso de asas para obter maior arrasto, quando necessário, evitando-se uma queda em cima de uma formação por se estar fazendo uma filmagem muito próxima e muito vertical, ou simplesmente resultando numa maior estabilidade decorrente de uma maior superfície de controle do escoamento do fluxo de ar.
J. Guilherme Saez é pára-quedista desde 1989, e tem mais de 2.600 saltos, sendo mais de 700 como cameraman. Piloto Comercial e Instrutor de Pára-quedismo, é integrante da equipe de demonstrações aéreas Circo Aéreo. Representou o Brasil nos dois primeiros Jogos Aéreos Mundiais como atleta e como team manager da delegação brasileira.
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