Eleições no Pára-quedismo. O sistema deve mudar?

Autor: Renato Acerbi
Data: 26/2/2002

O pára-quedismo esportivo cresceu muito nos últimos anos. Esse crescimento sem dúvida nenhuma gera uma série de coisas boas, tais como, maiores investimentos em áreas, equipamentos, aviões de maior porte e também o reconhecimento do Brasil no cenário mundial.

Porém, da mesma maneira que trás coisas boas também aparecem problemas que não existiam quando havia um número menor de atletas. Entre essas coisas podemos mencionar o aumento do número de acidentes, a necessidade de formação repentina de novos instrutores, problemas com a legalização de aeronaves e emissão de NOTAM.

Existe uma estrutura oficial que comanda o pára-quedismo nacional. Essa estrutura hierárquica começa com os clubes que devem responder para sua Federação estadual, que por sua vez devem responder para a Confederação Brasileira de Pára-quedismo que é o órgão que deve manter a ordem e determinar as regras do jogo. Tudo isso é muito lógico, sem dúvida uma estrutura que funciona, ou deveria funcionar. Dentro de todos esses órgãos temos um presidente, um vice, uma diretoria, tesoureiros e etc.

Muito bem, mas como são formados todos esses órgãos?

Os clubes são formados por atletas e instrutores que devem seguir uma série de normas para sua legalização.

As Federações devem realizar eleições periódicas para determinação dos novos presidentes que por sua vez escolhem sua equipe de trabalho. As eleições são realizadas a partir das chapas que desejam concorrer. Cada clube ligado a essa federação tem direito a um voto que não é obrigatório.

Para a eleição do presidente da confederação é realizada outra assembléia onde cada presidente de federação tem direito a um voto na decisão da nova presidência nacional.

Será que aí não existe um “pequeno” erro? Será que é justo que um clube com 10 atletas cadastrados, que pagam suas anuidades, tenha um voto com o mesmo valor de outro clube, com 150 atletas cadastrados que também pagam suas anuidades? Será justo que uma federação estadual com 30 atletas atuantes no esporte tenha um voto com o mesmo valor de outra federação estadual com 1500 atletas atuantes? Não seria a hora de mudar um pouco as regras desse jogo, com o objetivo de tornar a atual realidade de nosso esporte um pouco mais “democrática”?

As eleições devem continuar, isso é a democracia, mas devemos mudar o sistema de votação para que realmente seja eleito aquele que tenha a aprovação da maioria dos atletas. Não tenho dúvida que os que realmente devem optar e votar são aqueles que mais se interessam pelo esporte, ou seja, os atletas.

Dessa maneira, os clubes podem fazer suas assembléias para a eleição, onde votam os atletas que nele estiverem filiados, esse resultado seria levado à assembléia estadual onde o clube em questão teria um voto com o valor relativo ao número de atletas filiados. Feito isso, a eleição do presidente da federação se daria com a soma dos votos dos clubes, com seus respectivos valores. Seria eleito então o novo presidente de cada federação.

Para a eleição do presidente da confederação faríamos da mesma forma, onde na assembléia cada presidente de federação teria um voto com o valor correspondente ao número de atletas de sua federação. Mais uma vez teríamos a soma dos votos e seus respectivos valores para a definição do novo presidente.

Não seria assim uma forma mais justa e que proporcionaria um melhor sistema de cobrança por parte dos atletas? Não seria assim uma forma mais democrática, onde quem vota é realmente o atleta? Não seria assim o começo para uma nova era de gestores, com pessoas novas, com idéias novas?

Nós atletas temos que tentar mudar essas regras “antigas”, que regem um esporte que é cada vez mais “moderno”.

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