

Hercules C-130 lançando pára-quedistas no recorde mundial de formação em Queda Livre
Foto: Simon Ward
Terça-feira, 19 de março de 2002. Nesta data o pára-quedismo esportivo Brasileiro sofreu um grande golpe. O pior de tudo é que esse golpe foi dado por quem deveria ser o principal interessado em transformar o esporte em um grande acontecimento, um grande espetáculo para o público, a mídia e principalmente os atletas.
Esta foi a data oficial de cancelamento da tentativa de quebra de recorde Brasileiro e mundial de formação em queda livre. Esta tentativa estava marcada para os dias 29, 30 e 31 de março de 2002 na cidade de Maceió - AL.
Centenas de atletas, organizadores, capitães de equipe, federações, patrocinadores, prefeitura, governo do estado, ministros, brigadeiros, Força Aérea, imprensa, apoiadores logísticos e muitos outros, todos envolvidos com o único objetivo de quebrar o recorde Brasileiro e mundial de formação em queda livre.
Mas será que falta alguém?
Com todos esses órgãos e pessoas envolvidas, será que alguém poderia impedir esta tentativa?
Sim, falta alguém na lista acima.
Sim, alguém pode impedir a tentativa de recorde.
E, infelizmente, esse “alguém” conseguiu mais uma vez impedir um evento que elevaria o nível técnico e o nome do Brasil dentro do cenário mundial do pára-quedismo.
Mas quem é esse “alguém”?
Esse “alguém” é simplesmente a Confederação Brasileira de Pára-quedismo. O órgão máximo do pára-quedismo nacional, entidade que deveria promover a prática do esporte, que deveria não só apoiar o evento, mas agradecer e incentivar este tipo de iniciativa.
Organizar um evento na mesma data e utilizando os mesmos aviões, dificultar a emissão de NOTAM (espécie de autorização para o uso do espaço aéreo), criar inúmeras dificuldades para a quebra de recorde, definitivamente esse não é o papel da Confederação Brasileira de Pára-quedismo.
Mas que esta data, 19 de março de 2002, seja também uma data que deva ser comemorada, não esse ano, quem sabe a partir de 2003. Que esta data seja um marco no pára-quedismo Brasileiro, a data em que os atletas, pelo visto os únicos interessados na evolução do esporte, cansaram de ter uma entidade que além de não ajudar ainda atrapalha o desenvolvimento do pára-quedismo no Brasil.
É hora de nós, atletas, nos unirmos para definitivamente “virar a mesa” e fazer com que o pára-quedismo evolua, que os órgãos reguladores estejam a favor do esporte e faça-o crescer e se desenvolver, não o contrário, retroceder no tempo.
Vamos fazer o pára-quedismo evoluir, afinal, se até o câncer evolui porque o pára-quedismo não vai evoluir.
19 de março de 2002 – Dia Nacional da Revolução no Pára-quedismo
Renato “Gordinho” Acerbi -
Pára-quedista participante da tentativa de quebra de recorde, mesmo que não seja desta vez.
Todas as colunas
Nota do editor: o texto desta coluna não reflete necessariamente a opinião do site 360 Graus, sendo de única e exclusiva responsabilidade de seu autor.
» AVIAÇÃO
» CICLISMO
» CAMINHADA





