Renato Acerbi: Cuidados com a navegação

Autor: Renato Acerbi
Data: 19/5/2002

Tivemos recentemente alguns incidentes durante a navegação. Felizmente eles não tiveram conseqüências maiores para os atletas envolvidos. Um deles teve o velame rasgado e outro com fratura em uma vértebra. Todos os incidentes foram de colisão de velames.

Não vamos falar aqui sobre os incidentes propriamente ditos e tão pouco procurar culpados. O principal objetivo desse texto é orientar as pessoas para que não mais tenhamos incidentes na navegação.

Sabemos que todas as colisões de velames durante a navegação são causadas por um único motivo: Falta de atenção de um ou mais pára-quedistas. As colisões de velames aumentaram nos últimos anos devido à utilização de aeronaves maiores que lançam mais pára-quedistas por passagem.

Desde o curso básico aprendemos que dois velames nunca se colidirão se estiverem em alturas diferentes. Uma vez que sabemos disso devemos nos preocupar com a navegação antes mesmo de entrarmos dentro da aeronave. Para isso a separação dos grupos e a ordem de saída deve levar em consideração, além de outras coisas, o tamanho do velame, peso do pára-quedista e altura de abertura.

Quando definimos a ordem de saída do avião levamos em conta o tamanho dos grupos e o tipo de salto a ser realizado. Em linhas gerais primeiro saem os grupos de TR e depois os grupos de freefly, seguidos dos solos e depois alunos e duplos. Na determinação da ordem de saída devem ser levados em consideração também o tamanho dos velames e a altura de abertura. Geralmente os velames maiores são dos pára-quedistas menos experientes e que irão comandar mais alto também. Esses devem sair depois dos que tem velames menores.

Uma vez definida a ordem de saída da aeronave todos os pára-quedistas presentes na decolagem devem observar não só aqueles que irão sair à sua frente, mas devem observar também os que sairão depois. Nessa observação, o pára-quedista deve ver o tipo de salto que os outros grupos irão realizar, o número de pessoas em cada grupo, altura prevista de abertura e se possível acertar detalhes, tais como, a navegação e o tipo de pouso do colega.

Uma vez que abrimos nossos pára-quedas devemos olhar no sentido da reta de lançamento para frente e para trás a fim de obter contato visual com todos os velames. Exemplo: Em uma decolagem a ordem de saída tem um 4-way com vídeo, um 3-way de freefly, um solo com um velame 210 pés abrindo a 4000 pés, um aluno AFF com 2 instrutores e um Tandem com vídeo. Vamos tomar como referencia o pára-quedista solo com velame 210 pés. Após a abertura do pára-quedas ele deve observar no sentido da reta, começando por quem saiu primeiro, verificando todos os velames.

Ele deverá observar: 5 velames (4-way com vídeo) que deverão estar na direção do alvo e provavelmente com PS negativo, mais baixo do que ele. Partindo dos cinco velames ele deverá ver mais 3 velames (3-way freefly) também mais baixos do que ele. Olhando para o lado oposto ele deverá ver um velame student aberto mais alto do que ele e também 2 velames mais abaixo (instrutores) que provavelmente passarão por baixo para pousar antes. Por fim mais adiante esse pára-quedista deverá localizar o velame tandem e logo abaixo deste o velame do cameraman.

Teoricamente o pára-quedista em questão não teria porque se preocupar com quem saiu antes dele, uma vez que eles estão mais abaixo e com velames menores. Mais não custa ficar atento e evitar fazer espirais para não alcançar quem está mais abaixo. Dificilmente também os velames student e tandem o alcançarão, porém o maior risco seria os outros 3 velames que restaram (2 instrutores e 1 cameraman), estes na maioria dos casos utilizam velames menores, mais rápidos e estão mais longe do alvo. Sabendo quem são eles e que velames usam fica fácil saber se o pára-quedista em questão deve deixar os outros passarem ou tentar pousar antes. A maneira mais fácil seria deixa-los passar, segurando um pouco a meio freio, mas não deixe de manter o contato visual com todos e principalmente com o aluno e o tandem para que não possam ficar na mesma altura. Uma vez que os 3 velames já passaram volte os batoques para a posição de vôo total, pousando com segurança e antes dos 2 velames maiores.

Esse é só um exemplo, em todos os saltos as variações são enormes, em todas elas sempre existe uma solução mais fácil, basta recolher todos os dados, analisar a situação e optar pela melhor forma. Nunca se esqueça que podemos ter uma pane, que mudaria um pouco as coisas, uma abertura prematura e outras tantas que devem ser analisadas na hora da navegação.

Por último, planeje também o pouso, com vento de nariz, navegando com curvas para a esquerda e se possível, entre no circuito de pouso somente na altura correta, se uma pessoa entra muito alto no circuito terá que permanecer muito tempo dentro de um espaço que será utilizado por outros pára-quedistas.

Um salto começa na hora da equipagem e só termina na área de dobragem. Vamos fazer um pára-quedismo mais seguro e divertido. Bons saltos, ótimas navegações e pousos seguros.

Renato “Gordinho” Acerbi Cameraman, Instrutor AFF, Tandem Pilot – 3200 saltos




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