Simpósio analisa saltos operacionais militares

Tema:Pára-quedismo
Autor: Renato Gordinho
Data: 20/7/2001

Discutir e padronizar procedimentos utilizados no salto livre operacional (SLOp) foi a preocupação central do simpósio realizado no 1° Batalhão de Forças Especiais (BFE), no Campo dos Afonsos(RJ), entre 05 e 09/06/00, quando reuniram-se os principais setores de elite das três Armas: Exército, Marinha e Aeronáutica.

O salto livre operacional é o emprego do pára-quedismo nas atividades militares de infiltração, onde é necessário utilizar um meio rápido, eficiente e, acima de tudo, sigiloso no transporte de tropas. O pára-quedismo, bem como alpinismo, rapel, canyoning, mergulho e outros esportes também são utilizados por esses batalhões.

No salto livre operacional existem alguns fatores que limitam a operação: condições meteorológicas, sistema de defesa aérea do inimigo, capacidade das aeronaves, dependência de utilização de materiais importados, nível técnico dos saltadores e ainda a restrição quanto à carga que pode ser levada.

Para o exército o salto livre operacional é o utilizado para infiltração de elementos operacionais em operações de combate que exijam alto grau de sigilo e em áreas de difícil acesso. Já para a marinha e aeronáutica o salto livre operacional recebe esta denominação por estar relacionado com o emprego operacional da tropa em operações especiais ou em operações aeroterrestres.

A primeira prática do salto livre operacional por parte do Exército Brasileiro foi em 1957, incluída no curso das tropas das forças especiais. Em 1960, ocorreu uma paralisação destas atividades devido a um acidente fatal ocorrido no Campo dos Afonsos com um saltador.

Em 1973, alguns membros do exército foram para os Estados Unidos realizar um novo curso de salto livre. Desde então a sua prática voltou a fazer parte das atividades dos batalhões de elite. No dia 31/08/1976, realizou-se em Guaratinguetá(SP) o primeiro salto livre operacional de grande altitude no país: 31000 pés (9400 metros).

Participaram do Simpósio os seguintes órgãos:

BFE – Batalhão de Forças Especiais – exército
CIA PREC – Companhia de Precursores – exército
DOMPSA - Dobragem e Manutenção de Pára-quedas e Suprimentos Aéreos - exército
GRUMEC – Grupo de Mergulhadores de Combate - marinha
B TON – Batalhão Toneleiros – marinha PARA SAR – resgate e Salvamento - Aeronáutica
V FAE - 5° Batalhão da Força Aérea - aeronáutica

O salto livre operacional (SLOp) pode ser realizado das seguintes maneiras:

SLOp diurno;O salto livre operacional (SLOp) pode ser realizado das seguintes maneiras:

SLOp diurno a grande altitude;
SLOp noturno;
SLOp noturno a grande altitude e
SLOp na água.

Em todas essas variações de SLOp existem obstáculos como dificuldade de identificação da direção do vento e a impossibilidade de levar grande quantidade de suprimento. Dentro dos objetivos do SLOp existe uma característica que não pode ser esquecida e tem que ser realizada com total eficiência: a tropa deve sempre permanecer junta, desde a saída do avião até o momento do pouso. Disso vai depender o sucesso da missão. As técnicas utilizadas para isso são as seguintes:

É feito um briefing detalhado de todos os passos a serem dados;
As equipes são divididas em grupos de no máximo dezesseis saltadores;
É feita uma passagem do avião para cada equipe;
Todas as equipes tem um líder, que é o responsável pelo lançamento e pelo pouso de sua equipe;
Os saltadores devem seguir o seu respectivo líder durante a queda livre e depois durante a navegação;
Nos saltos noturnos toda equipe usa dispositivos para localização durante a queda livre, sempre dois pontos luminosos em cada pessoa, e o líder usa ainda uma luz tipo “strobo” para ser identificado facilmente;
O pouso deve ser feito em torno do líder, afim de não haver dispersão da tropa;
Em missões reais, logo após o pouso a tropa deve esconder todo equipamento utilizado no salto para não denunciar sua presença no local de combate.

Todos os militares pertencentes à esses batalhões fazem o curso para salto livre operacional, com duração de três semanas sendo duas de teoria e uma de saltos para avaliação. Como ferramentas para o curso teórico são feitos treinamentos em piscina para a posição durante a queda livre e o treinamento para saída do avião e pouso são feitos em equipamentos suspensos.

Todos os alunos do curso já fazem saltos utilizando velames redondos e saindo do avião através da abertura semi-automática do pára-quedas. Isso facilita a instrução, uma vez que todos já conhecem os fundamentos básicos do pára-quedismo. Ao todo é realizado o número mínimo de dezessete saltos durante o curso. E para aqueles que enfrentam alguma dificuldade são feitos saltos extras para garantir a qualidade da formação do aluno. A partir de 1996, o número de alunos aumentou consideravelmente, o que dificulta um pouco a formação.

Os líderes de equipe devem ser obrigatoriamente mestres de salto livre ou MSL. Para se tornar MSL o saltador deve fazer um curso de especialização, com duração de três semanas, onde ele vai aprender técnicas avançadas de queda livre, lançamento e navegação, bem como treinamento para inspecionar os equipamentos.

Com relação aos equipamentos, existe um batalhão especializado em dobragem e manutenção. O Batalhão DOMPSA (dobragem e manutenção de pára-quedas e suprimentos aéreos) é o responsável pelas dobragens dos pára-quedas, bem como sua revisão e estocagem.

Esse batalhão ainda tem como missão preparar todas as cargas que serão lançadas pelos aviões militares. O Simpósio contou com a participação de algumas pessoas que ministraram palestras sobre assuntos de grande interesse por parte dos saltadores, com destaque para o general Cerqueira, comandante geral da Brigada Pára-quedista, que falou sobre a história do pára-quedismo militar; tenente coronel Neves, falando a respeito da segurança no salto livre; coronel Flávio, da aeronáutica, que deu uma verdadeira aula sobre fisiologia aplicada ao salto de pára-quedas, falando principalmente sobre os efeitos no corpo humano quando se faz um salto à grande altitude (acima de 7500 metros) e Marco Castanõn, brasileiro que mora nos Estados Unidos e tem uma loja de equipamentos, mostrando as novidades do segmento.

Por fim Gerard, vice presidente da Air Tec, fabricante do disparador automático Cypres, que veio ao simpósio para demonstrar a versão militar do dispositivo, um lançamento da empresa. O Cypres militar atende às necessidades de emprego pelas Forças Armadas que sofriam algumas limitações com a versão esportiva do equipamento.

Foram realizados quatro saltos durante o simpósio. Os participantes saltaram levando em consideração alguns temas que foram discutidos, testando assim o que havia sido comentado. Foram três saltos diurnos e um salto noturno, o qual provocou grande satisfação aos saltadores. Em todos os saltos foram cumpridos os objetivos pré determinados pela organização. A aeronave utilizada para os saltos foi o C-130 – Hércules, exceto no último salto, quando foi utilizada a aeronave C-115 – Búfalo. Por ser menor que o C-130 teve que fazer duas decolagens para levar todos os saltadores.





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