Novo e Velho Chico: a história do piloto Chico e o Rally de São Francisco

Tema:Rally dos Sertões
Autor: Carol Vendite
Data: 23/7/2002

Natural de Recife (PE), Francisco Morais de Souto Filho, de 44 anos, é o grande homenageado na décima edição do Rally Internacional dos Sertões. Ele foi o pioneiro, o responsável pela introdução da modalidade cross-country no Brasil. Ou seja, o “pai” dos ralis de grande extensão, que se assemelham a longas expedições off-road, mas com uma boa dose de velocidade.

Chico, como é conhecido no meio, começou suas aventuras pilotando motos. Foi em 1969, assistindo ao filme Easy Rider (Sem Destino), que o jovem Chico de 11 anos enlouqueceu com motos. As Choppers pilotadas por Wyatt a Billy (Peter Fonda e Denis Cooper), dois motociclistas aventureiros que cruzavam o Sudoeste dos EUA em busca do Sonho Americano, foram a inspiração para sua paixão. Chico chegou a ver o filme 14 vezes.

O sonho do garoto pernambucano se concretizou em 1983. Chico já era casado e morava na cidade de Ribeirão Preto, Interior Paulista. Foi neste ano que as suas aventuras começaram, com mais seis amigos: dois da cidade de Batatais e quatro de Ribeirão Preto. Eles fizeram a primeira trilha e foi isso que bastou. Deste então eles não pararam mais, foram enduros, trilhas e mais trilhas.

O Novo e o Velho Chico

Mas o espírito aventureiro queria ir mais longe, e no ano de 1988 ele fez sozinho o roteiro que acompanhava o rio São Francisco, um dos maiores do Brasil, que tem sua nascente na Serra da Canastra (MG), percorre o Nordeste de deságua em Sergipe, no oceano Atlântico. O percurso foi feito em janeiro, no verão, e o curioso é que era justamente a época de chuvas:

“A escolha do período foi proposital, era realmente para ter mais adrenalina. Quanto mais difícil o percurso, melhor, e ainda uma viagem sozinho”, explica Chico. O aventureiro repetiu o percurso mais seis vezes. Foi quando teve a idéia de criar um rali. O sonho só se concretizou em 1991 e ganhou o nome de Rally São Francisco, que contou com a participação de 43 motos. O grande campeão foi o mineiro Bernardo Magalhães, o Bê.

No ano seguinte ele tentou lançar a segunda edição do rali, porém casado e com um casal de filhos, foi obrigado a voltar ao trabalho. Além de ser um “motomaníaco”, Chico também é arquiteto. A paixão se estendeu a todos da família. Ele mesmo já sofreu acidentes gravíssimos, mas nada que o fizessem desistir do amor sobre duas rodas.

Do Velho Chico para o Sertões

E foi graças a sua aventura no rio São Francisco que Chico escreveu o seu nome no Rally Internacional dos Sertões. Em 1992 sua planilha foi utilizada para elaborar a primeira edição do rali que é hoje o mais importante do Brasil.

No ano de 2002, o Rally Internacional dos Sertões chega na sua décima edição, e Francisco terá uma justa homenagem. Conhecido como o “pai“ do rali do Brasil, ele irá receber o título de “Diretor de Prova de Honra” do Sertões 2002. Quando soube que seria homenageado, Chico se emocionou: “Sai do chão, flutuei. É a realização de um sonho, a maior prova de reconhecimento que já tive”.



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