Confira entrevista com Guilherme Spinelli, vencedor do Rally dos Sertões 2003

Tema:Rally dos Sertões
Autor: Redação
Data: 6/8/2003

A 11ª edição do Rally dos Sertões foi uma competição de extremos. Começou com uma etapa maratona, na qual os competidores não podem contar com apoio mecânico, e terminou com uma especial "roleta russa" - nas dunas, com travessias de rios – em que uma simples escolha poderia alterar todo o resultado do rally. "Foi o rally mais difícil que realizamos", declarou Marcos Ermírio de Moraes, organizador da prova. Competitividade, alternância de líderes e de pisos, sol forte e muita poeira marcaram a disputa.

"Ficamos próximos do tudo ou nada o tempo todo, o fator psicológico foi o mais exigido", disse o piloto Guilherme Spinelli, 31, que ao lado do navegador Marcelo Vívolo, 20, conquistou o campeonato do Sertões 2003 na categoria Carros. A dupla Spinelli/ Vívolo, da equipe Mitsubishi Racing, teve um começo dramático, conseguiu recuperar terreno, passou por momentos de muita tensão no último quilômetro do último dia de prova, quando ficou encalhada num rio, até alcançar a vitória do maior evento off road da América Latina.

A seguir, o campeão Guilherme Spinelli, o Guiga, carioca com cinco participações no Sertões, faz uma retrospectiva dos melhores – e dos piores – momentos da competição. Confira!

O início
O rally foi muito técnico e com boa dose de disputa psicológica. No primeiro dia tivemos um pneu furado, no segundo aquela capotada boba, idiota no rio. Pensei: não merecia isso! Bater num trecho de alta velocidade é compreensível, mas capotar devagar por não enxergar em função da água no pára brisa me pareceu a princípio um castigo do destino. Mas o importante naquele momento foi manter a cabeça fria para buscar a diferença. Foi um momento que abalou a equipe no geral. Nossa responsabilidade tinha aumentado e naquela hora o fundamental foi contar com a força e o carinho dos amigos de dentro e de fora da equipe. Sem esse apoio não sei como me recuperaria do desânimo.

A virada
Após os problemas iniciais, eu e o Marcelo nos fechamos na nossa prova. Só nos preocupávamos em fazer o nosso melhor e tentar com todas as forças recuperar o tempo perdido. Não nos importava quem estava liderando o rally e com que diferença. Nos concentramos ao máximo e tentamos fazer o melhor que sabíamos. Eu destaco também a importância do jogo de equipe, o apoio, estar no lugar certo na hora certa. Essa vitória não começou em Goiânia. O Sertões exige união. E a equipe estava determinada, existia um disposição de todos em se aproximar, ser uma equipe. Isso pesou muito. Por trás do Guiga e do Marcelo tem todo um time que deu o sangue para chegar à vitória.

O novo parceiro
O Marcelo Vívolo, meu navegador, apesar de ter 20 anos, tem uma maturidade impressionante. Nos momentos mais críticos ele chamou a responsabilidade para si e resolveu a questão. E nessa prova a navegação contou muito. Era um apoio como amigo e no carro. O clima era sereno, estávamos concentrados. Uma parceria mesmo.

A última especial
O terror dos terrores! Larguei tranqüilo, pela diferença de tempo, mas apreensivo pela dificuldade da especial. No rádio, já ouvi que o Riamburgo, o primeiro a largar, tinha ficado num rio. Mas havia um conforto: estar rodeado de amigos. O Maurício e o Palmeirinha avisaram pelo rádio: rio pela esquerda. Foi o primeiro momento tenso. O Ingo estava na nossa escolta, até atolar. Mais a frente, num brejo, eu fiquei. O Maurício e o Bina voltaram, engataram a cinta e me tiraram dali. Até que a um quilometro do final da especial outro rio. Entrei e não consegui sair. Sensação de morrer na praia. Mas o André Ramos e o Ricardo Lopes, dupla da categoria imprensa, me tirou de lá. Sou um piloto da escola do velocidade, confesso que esses obstáculos são meu ponto fraco. Mas apesar de não gostar de provas de regularidade, vou fazer alguns raids e treinar mais essa técnica de transpor obstáculos.

A lição
Tive de lidar com muita instabilidade. Num primeiro momento não conseguia entender o por que daquela capotada tão boba, mas no final do rally, olhando para trás notei que aquele momento mudou a nossa postura na prova. Começamos a só ter nós como nossos adversários. Acho que isso fez a diferença. Estávamos confiantes que conseguiríamos reverter o quadro o fazer o nosso melhor. Confirmamos que quando o quadro complica, não pode-se deixar abalar. E também existe o fator sorte.

A receita
Um trabalho que vem sendo desenvolvido há 3 anos, desde que a L200 Evolution foi lançada, e esse aprendizado foi fundamental para chegarmos a esse conjunto. Fiz todo o rali sem problemas mecânicos. O importante é focar na resistência, depois na performance, e ter um ritmo de prova forte, pois vários competidores andam forte.

Próxima meta
Buscar o título do Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country. Assumimos a liderança e temos mais três provas pela frente.



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