Guru
e La Samba em Ilhabela
O arco-íris que os jatos de água do barco dos bombeiros faziam contra a costa verde de Ilhabela, era sinal de boas vindas à Expedição Rota Austral, na chegada sábado dia 14 na ilha.
Pontual
e britanicamente o Guru e o La Samba chegaram à Praia do
Pequeá às 14:30, como previsto. Os grandes barcos dos
bombeiros e da Petrobras, o Hozhoni, hobie cats, e lanchas
sob o estouro dos fogos de artifícios acompanhavam e
saudavam os navegadores brasileiros Gui von Schmidt e Betão
Pandiani, idealizadores e realizadores da Expedição Rota
Austral.
Bandeiras
do Brasil, do Chile, Uruguai e Argentina, tremulavam ao
vento que soprava a mais de 10 nós. Das águas geladas do
Pacífico ao calor do Atlântico, as tripulações do Guru e
do La Samba sofreram duros desafios, superados com
galhardia.
Agora,
em um dia lindo, de muito sol, luz, claro, recebiam da
multidão na praia calorosa recepção. Do Hozhoni que nos
recebeu gentilmente, comandado por Marcelo Paulo e
Alessandra, tendo Angelo Marino ao leme sob o olhar atento e
sábio de Thierry Stump, vimos os barcos surgirem no
horizonte e velozes avançarem em direção à praia do
Pequeá. Ao se aproximarem do Hozhoni Gui e Betão receberam
o tradicional banho de champanhe dos vitoriosos.
Acompanhamos
o Guru e o La Samba até a linha de arrebentação. A praia
está cheia. Gente que não acaba mais. Felipe Tommasi e
Santiago Isa, argentinos que fizeram dupla com Gui e Betão,
impecáveis em seus uniformes da Expedição Rota Austral,
deixam-se envolver pelo calor humano. José Eduardo Amoroso
e o argentino Sandro Oswaldo Sanchi, da eficiente e capaz
equipe terrestre de apoio são carinhosamente recebidos por
todos.
No
Hozhoni, quando navegávamos em direção ao La Samba e
Guru, Marcão Hurodovich em contato direto com a Rádio
Eldorado, passava boletins informando sobre a chegada. Este
repórter que já cobriu aqui e no exterior tantos fatos
importantes, e que se sente honrado em ser o pai do Gui,
sufocava as emoções vendo o Guru, o La samba, Gui, Betão,
Felipe e Santiago colhendo as glórias da dobragem do Cabo
Horn em 11 de janeiro de 2001.
Chegar
à Ilhabela é a volta ao lar, graças a Deus, deuses,
santos e orixás.
Quando
o Guru em 1 de outubro de 2000 foi lançado ao mar na praia
da Armação, na escola de navegação BL3, entreguei tudo
aos deuses e sua turma. Hoje agradeço. Por traze-los de
volta. Como fiz e continuarei fazendo a cada milha navegada.
Agradeço a superação de cada dificuldade, a todos que de
Puerto Montt a Ilhabela estenderam a mão para ajudar,
acolheram os tripulantes da expedição Rota Austral.
Não
é todo o dia que um jornalista tem a oportunidade de cobrir
o triunfo da coragem, da determinação, da dedicação.
Não é todo dia que um pai vê seu filho no palanque
aplaudido sob o sol maravilhoso de Ilhabela.
Estou
escrevendo esta nota na mesa número 7 do Cheiro Verde.
Acabei de comer uma muqueca de lula, digna dos deuses. A
sobremesa está no vizinho, na sorveteria Daqui, no número
19 da rua da Padroeira. Sorvete a quilo. O meu será de kiwi
e papaia com calda de chocolate quente. Devo voltar
segunda-feira para São Paulo. De lá darei notícias sobre
a chegada ao Rio.