Skatista Isnard Rocha fala de sua carreira e sobre o esporte no país

Tema:Skate
Autor: Marisa Abel
Data: 2/12/2005

O skatista Isnard Rocha Alaby está entre os 20 melhores colocados no Ranking Mundial de Freestyle e entre os 10 do ranking nacional. Foi o 2º colocado em Daytona Beach USA em 1990, numa competição de freestyle amador e atualmente busca a excelência na modalidade treinando durante as horas vagas na cidade de Atibaia, interior de São Paulo, onde atualmente reside.

Como a maioria dos atletas, Isnard possui outra atividade profissional além do skate, mas deixa claro que o esporte é sua paixão número 1, depois dos dois filhos, é claro. Nas horas vagas, ele treina constantemente para aperfeiçoar suas manobras e se tornar um profissional com maiores qualificações.

Em entrevista à nossa redação, o skatista relatou como foi o seu primeiro contato com o skate, comentou sobre a atual situação dos campeonatos do país e fez uma análise geral sobre o esporte.


360 Graus - Quanto tempo você pratica Skate? Pratico desde os nove de idade.

360 Graus - Como foi o seu primeiro contato com o esporte?

Isnard Rocha - Por influência do Jóis (42), meu mano velho que já curtia o skate na década de 70. Eu ainda era criança quando ele praticava o skate, então foi meio caminho andado. Dois primos também me impulsionaram, o Fernando e o Diógenes. Os caras tinham um skate de fibra e moravam em São Bernardo do Campo, passei algumas férias de colégio com eles, que curtiam andar na pista (bowl) do Paço Municipal. E aqui em Atibaia tive a sorte de morar em frente a uma praça, do “José Alvim” como ainda é conhecida, e ali tinha uma área boa de cimento onde comecei a tomar meus primeiros tombos (risos).

360 Graus - Qual a modalidade que você prefere?

Isnard Rocha - Gosto de todas. Andei muito em ruas e praças quando moleque, talvez por isso o street e o freestyle são as preferidas.

360 Graus - Com que freqüência você pratica?

Isnard Rocha - Ando mais nos fins de semana. Gosto de andar à noite também, depois do trabalho.

360 Graus - Qual característica principal para uma boa manobra?

Isnard Rocha - No freestyle, quando ela é feita com precisão e no estilo do som que você escolheu.

360 Graus - Você tem participado de campeonatos?

Isnard Rocha - Participo de eventos organizados pela Freestyle - Liga de Profissionais de Skate, a F.L.I.P.S., que em outubro deste ano possibilitou, além das etapas nacionais, a realização do primeiro campeonato mundial da modalidade no Brasil, enquadrando o freestyle tupiniquim no cenário internacional.

360 Graus - Qual manobra você julga ser a mais radical?

Isnard Rocha - Aquela que você vem pensando em fazer há muito tempo (risos), e quando você acerta, nem você acredita!

360 Graus - Em sua opinião, qual a maior dificuldade que um iniciante encontra para entrar nas competições?

Isnard Rocha - Talvez seja aquele friozinho na barriga, que também dá nos mais experientes. O nervosismo que também é natural e muitas vezes isso atrapalha.

360 Graus - Como você analisa as atuais competições de skate no Brasil?

Isnard Rocha - As competições para profissionais não deixam nada a desejar para as estrangeiras. O público costuma comparecer em peso e o nível dos skatistas brasileiros sempre foi muito bom. Acredito que o Brasil nunca realizou tantos eventos relacionados ao skate como vem realizando atualmente, principalmente campeonatos de street para iniciantes e amadores. A demanda é grande, a competitividade é maior ainda e o mercado tá instalado. Quem ganha com isso são os skatistas.

360 Graus - Você tem patrocínio ou apoio de algumas pessoas?

Isnard Rocha - Tenho duas empresas que me patrocinam, uma delas é uma loja de Campinas que se dedica ao esporte desde 1985, do meu amigo e skatista Éder Botelho. Conto com o incentivo de vários skatistas também, quando vou ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo, ando com Per Canguru (3º lugar no mundial), Didi Nagao, Paulo Folha, Shigueto, Hatsuo Pop, Jaspion, além de vários skatistas iniciantes a amadores que considero pra caramba. Os cariocas também marcam presença quando vou aos eventos e acabam me incentivando, como é o caso do Diego Marques, Marquinhos e o César Cabeleira. Na real somos uma grande família. No Ceará também tem um irmãozinho, o Carlos Bezerra, um cara que se dedica ao freestyle e está divulgando nossa modalidade no nordeste. Enfim, toda essa rapazeada me empurra pra frente.

360 Graus - Você acha que falta alguma coisa para que o esporte seja melhor divulgado?

Isnard Rocha - Acho que não. Existem sites especializados no assunto e revistas com distribuição nacional.

360 Graus - Qual é o perfil do skatista hoje?

Isnard Rocha - Acredito que seja o mesmo desde o surgimento do esporte, pois a filosofia nunca mudou, pelo menos pra mim. A gente gosta de diversão, liberdade e de desafiar nós mesmos, e claro, sempre estar com uma boa dose de adrenalina correndo nas veias. Freud explica (risos).



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