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Pousadas Backpackers: delícias da África do Sul


A área de camping do Island Vibe Backpackers, em Jeffreys Bay é bem em frente as melhores ondas do mundo.
Foto: Tito Rosemberg



As cabanas de madeira do Africa Centre Backpackers em Joanesburgo são simples mas confortáveis.
Foto: Tito Rosemberg



A vista de um dos quartos do Island Vibe Backpackers em Jeffreys Bay: um dos melhores points do mundo, neste dia sem ondas.
Foto: Tito Rosemberg



Assim são as cozinhas das pousadas da rede “Backpackers”. Cada hóspede mantém sua comida separada.
Foto: Tito Rosemberg



Na cozinha do Hermanus Backpackers, em Hermanus, como em todas as outras pousadas, cada um faz seu café da manhã.
Foto: Tito Rosemberg



O bar/salão de jogos do Hermanus Backpackers é confortável e aconchegante.
Foto: Tito Rosemberg



Grandes mansões são convertidas em pousadas intimistas, aqui o Hermanus Backpackers.
Foto: Tito Rosemberg



O salão de leitura do Hermanus Backpackers é um ambiente ideal para o viajante relaxar.
Foto: Tito Rosemberg



Do quarto do Amberley Travellers Lodge, em Muizenberg, perto de Cape Town a vista é especial.
Foto: Tito Rosemberg



O deque de observação do Nelspruit Sun Lodge, perto do Kruger National Park, um bom lugar para curtir a paisagem.
Foto: Tito Rosemberg



Uma das cozinhas coletivas do Nelspruit Sun Lodge fica em meio a uma vegetação exuberante.
Foto: Tito Rosemberg



Os quartos do Nelspruit Sun Lodge são feitos bem no estilo sul-africano, um luxo só. Note-se os mapas na parede.
Foto: Tito Rosemberg


O intenso tráfego de mochileiros planetários e outros viajantes de longo curso fez nascer uma rede de pousadas especialmente para eles.

Da janela do avião descendo no aeroporto de Joanesburgo o viajante mal consegue perceber que está pousando no continente africano. As terras intensamente cultivadas, jardins, mansões e belíssimas estradas, quando vistos do alto, destoam da miséria do país.

O aeroporto é moderno e bonito, os funcionários da imigração e da alfândega eficientes e corteses, uma raridade nestes últimos tempos. Em minutos estou na livraria do aeroporto em busca de um guia que me dê alguma dica de onde me hospedar na enorme metrópole.

Eu havia partido do Brasil em meio a uma correria de compromissos e nem tinha podido investigar melhor sobre o destino que me esperava. Mas às vezes é melhor desembarcar sem saber o que fazer, porque entregar-se nas mãos do destino é também é uma forma Zen de viajar, e tornar mais emocionante uma viagem.

Logo achei – grátis - uma cópia do “Coast to Coast – A fina arte de “mochilar” no Sul da África”, um bem humorado guia oficial de todas as pousadas sul-africanas, e também de Moçambique ,Namíbia, Lesotho, Swaiziland, que atendem principalmente aos mochileiros.

Distribuído nos aeroportos e em todas as pousadas, o danado do “Coast to Coast” torna fácil a tarefa dificílima de encontrar onde dormir no final de casa dia de viagem improvisada, pois em quase todas as cidades do país tem pelo menos uma pousada “backpacker”. É só sair viajando sem rumo e à tardinha ver o que há de pouso por perto.

No “Coast to Coast” vem também uma pequena descrição das pousadas, uma ou duas por página, seus estilos, atrações do entorno, facilidades, localização, e melhor de tudo: preços, coisa que poucos guias ou reportagens de revistas costumam apresentar.

A característica principal deste estilo de pousada é a informalidade e a total ausência de serviços tipo arrumadeira ou café da manhã, que garantem o que um verdadeiro mochileiro quer: um valor reduzido em troca de mais simplicidade.

Há quartos para casais, com ou sem banheiro, com duas camas de solteiro e também dormitórios com 10 ou 12 camas tipo beliche com armários para guardar e trancar as bagagens de cada hóspede individualmente.

Mas que fique bem claro: todos as pousadas do sistema “Backpackers” que visitei eram limpíssimas, seguras (importante num país com alto índice de violência), com colchões e roupa de cama de qualidade e banheiros coletivos impecáveis.

O custo de um quarto para duas pessoas varia de 170 a 80 Rands (mais ou menos de 28 a 13 dólares) e uma cama individual num dormitório entre 40 e 60 Rands ( 6 a 10 dólares), o que não é caro se considerarmos o alto custo de vida na África do Sul e a média dos hotéis das grandes redes internacionais.

Em diversos “Backpackers” mais afastados dos grandes centros há também espaços para camping, uma alternativa a mais para os “duristas”. Em média um espaço para barraca varia de 35 a 45 Rands (de 6 a 8 dólares).

Todas oferecem uma ou duas cozinhas completas e diversas geladeiras onde cada hóspede tem direito à uma prateleira com o número do quarto onde pode guardar suas compras. As manhãs são sempre muito animadas com todos os hóspedes se conhecendo e interagindo enquanto preparam sua primeira refeição do dia.

E o melhor: a maioria dos hóspedes são viajantes de longo curso que passam meses perambulando pelo planeta, e até mesmo dando a volta ao mundo, um verdadeiro viveiro de informações dignas de enlouquecer o mais experimentado dos vagabundos planetários.

Nos diversos “backpackers” em que me hospedei encontrei, entre outras pessoas simpáticas, um casal neozelandês que vinha de Moçambique e ia para a Namíbia viajando de ônibus, ingleses que tinham vindo do Zaire a pé, franceses que tentavam ir para Angola por terra e uma variedade de figuras interessantes como o jovem médico belga que trabalhava para organizações humanitárias só para conhecer o mundo ou os suecos que tinham vindo em transporte público do Quênia até a África do Sul. A maioria já havia estado em outros continentes antes de chegarem na África do Sul.

Muito interessante também é a variedade de personagens e culturas diferentes num mesmo ambiente. Ao contrário do que a maioria dos brasileiros mal informados possa pensar, o conceito de mochileiro nos países civilizados abrange mais do que “bichos-grilo” cabeludos levando um violão nas costas.

São mochileiros também, por exemplo, senhores ingleses de classe média em busca de uma viagem solidária, casais de idosos alemães apertando um viajão de suas modestas aposentadorias e professores universitários espanhóis que aprenderam com seus alunos os prazeres de se evitar freqüentar insípidos e inodoros hotéis que além de não ter nenhuma personalidade própria poderiam estar em qualquer parte do mundo.

Outra característica das pousadas da rede “Backpackers” é a informalidade de seus pouquíssimos funcionários, que mais parecem com os clientes do que “empregados” e não são raros aqueles que até já deram, ou estão em vias de começar, a sua própria volta ao mundo. Todos são descontraídos e fazem o possível para ajudar o viajante em busca de mais informações.

O mochileiro de longo curso, apesar de muitas vezes levar consigo todo o dinheiro que pensa em gastar nas suas andanças, não desperdiça um centavo em coisas que possam a vir encurtar sua peregrinação filosófica sem o devido retorno em vivência.

Recentes pesquisas do Departamento de Turismo da Austrália mostram que apesar de serem mais jovens e mais “duros” que os turistas tradicionais, por ficarem mais tempo no seu destino os mochileiros acabam deixando mais dinheiro no país que visitam, e por viajarem em contato direto com as pessoas comuns, direcionam seus recursos para as mãos dos nativos, ao invés dos cofres das grandes redes multinacionais que controlam os hotéis de três a cinco estrelas, preferidos nove em cada dez turistas “tradicionais”. Tanto que há uma política governamental específica para atrair o público mochileiro para a Austrália

E o conceito da rede “Backpackers”, segundo me informaram está presente também, não por coincidência, na Austrália e Nova Zelândia, países tradicionalmente visitados pelos mochileiros.

E aqui no Brasil, onde há uma legião de jovens que só poderia viajar se houvesse mais campings ou pousadas muito (mas muito mesmo) econômicas, fica a questão: porque ainda não há “Backpackers” por aqui? Porque tão poucas pousadas brasileiras ao invés de oferecerem café da manhã não oferecem uma cozinha para os hóspedes?

Numa época em que se fala tanto em inclusão social porque não acrescentar a inclusão turística, porque se considerarmos o custo do metro quadrado construído (se comparado com a África do Sul), o que não deve faltar é viabilidade econômica, penso eu, pois certamente não faltariam clientes para as pousadas “Backpackers” no Brasil.

Dicas:

Para obter o “Coast to Coast – The Fine Art of Backpacking Southern Africa” visite www.coastingafrica.com ou escreva para info@coastingafrica.com

Joanesburgo
Africa Centre Backpackers - www.africacentre.co.za
Duplo 200 Rands, dormitório 60 Rands
De bom: pega o hóspede no aeroporto.
De ruim: Joanesburgo é uma cidade muito perigosa.

Hermanus
Hermanus Backpackers – moobag@mweb.co.za
Duplo 170 Rands, dormitório 70 Rands, camping 40 Rands
De bom: uma deliciosa cidadezinha à beira mar, com altas ondas e pertinho de Cape Town. Pessoal super simpático, piscina, localização perfeita: um dos melhores lugares do mundo para se ver baleias e ... tubarões imensos.

Cape Town
Amberley Travellers Lodge – www.amberleylodge.com
Duplo 140 Rands, dormitório 60 Rands
De bom: econômico (comparado com Cape Town), perto de uma praia com ondas legais, limpo e silencioso.
De ruim: em Muizenberg, um pouco distante do centro de Cape Town, mas para quem vai de carro vale a viagem, para se afastar da urbe desvairada.

Nelspruit Nelspruit Sun Lodge – martie@satic.co.za
Duplo 130 Rands, dormitório 60 Rands
De bom: dentro de um bosque muito verde, piscina, fácil acesso ao Kruger National Park, considerado um dos melhores da África para se ver animais selvagens.

Jeffreys Bay
Island Vibe Backpackers – www.islandvibesbackpackers.com
Duplo 160 Rands, dormitório 55 Rands, camping 35 Rands
De bom: na areia da praia com algumas das melhores ondas do planeta, prancha de surf e bicicleta de graça para hóspedes, restaurante (limitado), clima hiperdescontraído, pertinho do centro.

* Na época da viagem (12/2004) um dólar americano valia 6 Rands.