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Garganta do Tarn: de caiaque pela França
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A água limpa e transparente desce das altas montanhas e jorra em cascatas diretamente no leito do rio. Um arraso! Foto: Tito Rosemberg
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Ao longo dos córregos existem centenas de áreas para camping ou um piquenique. Foto: Tito Rosemberg
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Para os mais exigentes há charmosas pousadas centenárias. Foto: Tito Rosemberg
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Algumas aldeias estão penduradas nos paredões verticais da garganta do Rio Tarn, exatamente como há séculos atrás. Foto: Tito Rosemberg
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Para quem viaja de carro, a vista do Rio Tarn serpenteando entre os paredões chega a lembrar o Grand Canyon americano Foto: Tito Rosemberg
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Pequenas aldeias medievais espalham-se ao longo das margens do Rio Tarn. Foto: Tito Rosemberg
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Estradas estreitas porém com asfalto impecável descem vertiginosamente pelos paredões abruptos do Rio Tarn. Foto: Tito Rosemberg
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Enquanto os caiaques descem lentamente acompanhando a correnteza, as aldeias vão ficando para trás. Foto: Tito Rosemberg
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No verão europeu as praias do Rio Tarn são uma tentação para o visitante disposto a um mergulho na água cristalina e nada fria. Foto: Tito Rosemberg
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A parada com o caiaque numa praia pode servir de desculpa para experimentar a famosa culinária francesa nos restaurantes da beira rio. Foto: Tito Rosemberg
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Em seu curso rumo ao mar o Rio Tarn passa por belos desfiladeiros Foto: Tito Rosemberg
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Paisagens de cartão postal vão desfilando diante dos olhos do remador disposto a uma aventura incomum. Foto: Tito Rosemberg
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O viajante com disposição para andar na contramão do turismo careta encontra em plena Europa urbanizada uma região com natureza preservada e muita emoção à bordo de caiaques ou até mesmo por estradas vicinais desertas.
Quase todo mundo associa a França com museus e monumentos, mas descer um rio de caiaque pode ser mais uma surpresa que o velho país da Europa oferece ao esportista em viagem.
Alguns cuidados devem ser levados em consideração pois os rios podem estar desde baixos, como em julho, transparentes e muito confortáveis para passear, até caudalosos e plenos de emoções em águas turvas em março, quando na primavera a neve começa a derreter nos picos gelados.
Uma dica certa é o passeio pela garganta do Rio Florac, que também pode ser feito de carro, ao longo da estrada que de vez em quando acompanha a margem do rio.
Atravessa-se uma região com aldeias medievais, cachoeiras e algumas praias deliciosas, de areia branca, entremeadas com piscinas naturais onde a água é agradável e pode-se passar horas flutuando e descansando das horas remando.
Em alguns pontos do trajeto as cachoeiras caem direto no leito do rio, e o banho é reconfortante e aconselhado, pois a água desce direto das montanhas e portanto não é poluída.
O percurso começa em Florac, onde o Rio Tarn passa por uma apertada garganta circundada por paredões altos, onde mal entra o sol algumas horas por dia.
Saindo de Florac já começam a aparecer as primeiras empresas que promovem a descida do rio, com caiaques ou grandes botes infláveis, dependendo da força das águas nos determinados momentos do ano.
Pode-se escolher entre diferentes passeios, uns mais curtos, outros mais longos e cansativos, mas muito mais interessantes, já que leva um certo tempo para o viajante esquecer as estradas, o trânsito e a vida de hotéis.
Algumas cidades interessantes ao longo do trajeto são Ispagnac, Saint Enimie, La Malene, Les Vignes e Le Rozier, mas muitas outras pequenas aldeias em intervalos de poucos quilômetros estão à disposição do remador sedento.
Em qualquer uma delas o viajante pode deixar o caiaque na beira do rio e caminhando apenas alguns passos sentar num café ao ar livre, de onde poderá ficar ao mesmo tempo de olho na sua nave (por que apesar da criminalidade na região ser praticamente zero, nunca se deve bobear) e curtir uma cena interessantíssima, com todos os esportistas aproveitando para fazer novas amizades entre uma cerveja e outra.
Como o local é muito procurado pelos jovens escandinavos em busca de um alívio do inverno quase polar, a freqüência de gente loura é de se notar.
O percurso total em caiaque pode chegar até a quase 80km, ainda que a maioria das pessoas prefira as partes mais estreitas da garganta do rio, onde a água é sempre mais rápida.
Pode-se também alugar o caiaque em diversos pontos do caminho, e parar em muitos outros pontos, pois os operadores, tantos que nem se pode enumerar, trazem em ônibus especialmente preparados, os caiaques e os clientes de volta para o ponto de partida.
Dicas
A viagem de carro é também muito bela, serpenteando entra os paredões de rocha, atravessando incríveis túneis cavados na rocha e de vez em quando subindo (de carro) para dar uma olhada lá do alto do penhasco e descobrir panoramas à perder de vista.
Um belo passeio paralelo é sair da estrada principal, estreitíssima, e conhecer os altiplanos de Roc des Hourtous e Roc du Serre.
Muita gente faz o trajeto de bicicleta, aproveitando as muitas e longas descidas, pois como o rio está descendo e a estrada que o acompanha, teoricamente também (há umas subidas de amargar), não exige condicionamento físico de atleta olímpico. Pode-se alugar bicicletas em diversos pontos do caminho.
Cuidado com o inverno, quando o frio exige roupas adequadas.
Para quem tem mais tempo, uma visita à outra garganta de rio muito bela, é a do Ardéche, com outro tipo de vegetação, rochas e visual e a apenas 80km da garganta do Tarn, na direção de Marseille e Aix-en-Provence.
Como chegar
Florac está 650km ao sul de Paris e 140 km ao norte de Montpellier, já no Mar Mediterrâneo, e por esta razão talvez não seja um passeio viável para quem vai ficar somente alguns dias na capital francesa.
Mas como muitos viajantes alugam carro em Paris e saem passeando pela França, descer a garganta do Tarn em caiaque pode começar a se tornar um projeto interessante, principalmente para aqueles que pretendem ao mesmo tempo conhecer a Côte D'Azur, e a famosas praias de Saint Tropez.
Pode-se também ir de trem até alguma cidade grande perto do local, como por exemplo Lyon, Marseille, Montpelier ou Toulouse, e somente lá alugar um carro para o trajeto de poucas horas através de belíssimas estradas vicinais e excelentes auto estradas.
Onde ficar
Na verdade não é assim tão barato uma noite num hotel na região, começando em torno de 50 dólares por noite mas chegando até a 500 dólares diários em hotéis dentro de antigos castelos medievais.
O autor fica sempre em pequenos campings - categoria 1 ou nenhuma estrela - onde passa-se uma bela noite em barraca, a poucos metros do rio e sua água cristalina, que borbulhando favorece ao sono dos justos, e é garantido ao acordar descobrir-se dentro de um dos mais belos cenários do planeta.
Os grandes campings podem ser insuportáveis porque com seu excessivo conforto atrai muita gente urbana e barulhenta. Quanto mais discreto o camping, melhor será sua noite.
publicado originalmente em 10/17/2003
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