Entrevistas

Editorial Revista InsideNow (01/2000)
Autor:
Data: 14/1/2000

Muitos já se referiram aos surfistas como se eles formassem uma imensa tribo...nômade. A palavra nômade exerce um fascínio especial sobre nós, surfistas. Afinal de contas, viver em busca da onda perfeita sempre foi uma espécie de ideologia da nossa tribo. Qual o surfista que nunca desenhou uma onda numa folha de papel ? Como uma forma simples de materializar o seu maior sonho: encontrar a onda perfeita ! Esta eterna busca tem muito romantismo e é este sentimento que faz surfistas do mundo inteiro rodarem o planeta atrás da perfeição. Esta edição é dedicada a estes viajantes.

Nenhum outro surfista brasileiro jamais personificou tanto a imagem do eterno viajante como Tito Rosemberg.

Este carioca, um dos pioneiros do surf no Brasil e nosso entrevistado das Páginas Vermelhas desta edição, passou a maior parte da sua vida viajando. Durante os últimos 30 anos, Tito viveu uma vida repleta de aventuras.

Depois de ter sido um dos descobridores de Saquarema, ele se mandou pelo mundo afora, levado, entre outras coisas, pela sua imensa curiosidade. Este intrépido surfista brasileiro, esteve em lugares exóticos como o Marrocos e o Senegal, morou na Califórnia e rodou os Estados Unidos de carro. Surfou ondas perfeitas, conheceu lugares diferentes, fez centenas de amigos e até hoje não parou de viajar.

Sem nunca ter se interessado em criar raízes pelos lugares por onde passou, ele já morou em Búzios, mas atualmente passa a maior parte do ano na França, dirigindo seu carro pelos arredores de Guetary, uma das melhores direitas da Europa.

Surfistas como Tito servem como exemplos, verdadeiras referências para os demais membros da nossa tribo. Figuras como ele são a maior prova de que é possível trilhar um caminho fora dos padrões normais.

Alguém como Tito, que já deu várias voltas ao mundo, não tem endereço fixo, nem nada que o obrigue a ficar muito tempo no mesmo lugar, precisa estar na estrada para continuar vivendo. Este é o oxigênio que o mantém vivo... sonhando. É como se para ele a busca nunca tivesse fim.

Afinal de contas, a perfeição não existe. Ela é apenas uma mera desculpa para que nós, surfistas, continuemos correndo mundo afora atrás dos tubos.