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www.universo4x4.com.br - (09/2001)
Autor:
Data: 1/9/2001
Tito Rosemberg: Confissões de um aventureiro!
Ele não tem medo de enfrentar qualquer trabalho para fazer o que mais gosta: aventurar-se mundo afora, conhecendo novas pessoas e novas culturas. Já lavou pratos em restaurante, cantou em esquinas, carregou pedras, dormiu sob pontes...tudo em nome da realização de seu sonho. Grande parte de suas andanças pelo universo foi a bordo de um 4x4. Tito Rosemberg é jornalista, surfista nas horas vagas (?), sempre preocupado e atento às formas de preservação ambiental. Segundo ele, “quem pensa que dinheiro é o fator mais importante de uma viagem está muito enganado.” O que você acha? Na entrevista que segue, Tito conta histórias curiosas, fatos inusitados, dá conselho aos iniciantes e, sobretudo, esbanja confiança e alegria. Uma imperdível lição de vida! Acompanhe.
Como começou sua vida de aventureiro?
- Quando eu era ainda adolescente percebi que só viajando conseguiria satisfazer minha enorme curiosidade sobre outros países. Meu pai, jornalista, viajava muito e na volta contava histórias que despertavam minha imaginação. Mais tarde, na década de 60, quando comecei a surfar no Arpoador, vivia sonhando em pegar ondas em lugares distantes. Acho que o chamado da estrada era evidente já desde esta época.
Quem lhe apresentou a esse universo?
- Meu pai, que tinha sempre revistas estrangeiras em casa. Nelas vi gente acampando na Europa, viajando de mochila pelos Estados Unidos, pedindo carona na América Latina, coisas que no Brasil daquela época poucos tinham conhecimento.
Como foi fazer parte da primeira equipe brasileira no Camel Trophy 1985, em Bornéu na Indonésia e, ainda receber o prêmio "Melhor Espírito de Equipe"?
- Para quem como eu "perseguia" o Camel Trophy há anos, foi um prêmio do destino. Eu já havia tentado me inscrever outras vezes em anos anteriores, mas ainda não se aceitavam brasileiros no evento.
Quando em 85 abriram as inscrições no Brasil, eu - e mais 21 mil pessoas - enviamos nossas inscrições.
Na hora da seleção era o azarão, o mais velho, o menos treinado, mas o que tinha maior experiência e menos exigia liderança. Acho que por isso me escolheram.
O título de "Melhor Espírito de Equipe", que ganhei junto com o meu até hoje amigo Carlos Probst e então companheiro de aventura, foi um reconhecimento pela nossa lealdade e participação ativa na ajuda a todos os que estavam se dando mal. Independentes de que equipe fossem.
Conte como foi sua viagem nos anos 70 para o deserto do Saara?
- Foram anos de preparação e anos de curtição. Acabei ficando 6 meses no Saara, num período de quase três anos de África. Viajei lentamente através do Marrocos, do Saara Ocidental, então ocupado pelos espanhóis, pela Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Máli, Costa do Marfim e Libéria. Foi lá que consolidou-se minha simpatia pelo Land Rover. Dentro de um deles passei apertos e prazeres durante 3 anos, e ele nunca me deixou na mão. Quando sua vida depende de uma máquina, é estranho ver como se desenvolvem vínculos de cumplicidade.
Como surgiu a idéia da viagem?
Acho que por ter sido moleque de praia do Rio de Janeiro nos anos 40, fiquei para sempre com o gosto de areia na boca. O Saara tinha tanta coisa para me chamar, como um nome exótico e lendário, as tradições, as antigas viagens em caravanas de camelos, os livros de aventura dos séculos passados, enfim, tanta coisa sobre desertos vivia povoando meus sonhos, que no divã do analista um dia me disse a mim mesmo: - "se você não realizar seus sonhos, ninguém vai realizá-los por você!", daí em diante foi ladeira abaixo.
Quase um ano depois eu estava lá no meio do Saara, mesmo que tivesse que, para chegar lá, vender tudo que tinha, incluindo carro, moto e som. Se voltasse teria que recomeçar do zero! Achei melhor ficar fora 4 anos.
Qual a grande dificuldade?
Sempre as mesmas: as dificuldades burocráticas, tipo conseguir vistos, passar fronteiras de países em guerra com vizinhos ou com problemas de guerrilha interna, provar que não era espião, porque naquela época havia uma grande desconfiança dos negros e árabes contra os "europeus", que pouco mudou até hoje.
Informações precisas não existiam, fronteiras podiam estar abertas hoje e fechadas amanhã, ou vice-versa.
Isto sem falar nos problemas de navegação no ponto mais isolado do Saara, a Mauritânia, onde nem trilhas existem para as longas travessias entre as dunas de areia macias como talco e longas planícies rochosas onde os traços não ficavam na pedra e quando nos perdíamos nem podíamos retornar por onde viemos, pois não conseguíamos achar nossos traços.
Depois de viajar por tantos países, qual a expedição que mais lhe marcou?
- São tantas que não poderia ser muito específico. Algumas voltam à memória repetidamente, como uma relativamente simples, que está ao alcance de muita gente: com um motorhome fiz 21 mil quilômetros pelo Oeste dos USA, sempre buscando as estradas sem asfalto ou com uma simples pista asfaltada. Além da paisagem natural sempre deslumbrante, não ter que se preocupar com a segurança própria foi um alívio depois de anos convivendo com atentados (Argélia), assaltantes (Colômbia), corrupção (México), racismo (Libéria), péssimas estradas (Brasil) e burocracia (Marrocos). Acampando não custou caro, a gasolina ainda era uma das mais baratas do mundo (1995), a estrutura dos parques nacionais e estaduais fez tudo fácil, e o alto nível de emprego reduziu a criminalidade. Foi um sonho deslizar em boa companhia como se estivesse num cenário de filme.
Com tantas experiências e conhecimento de culturas. Como você encara a vida?
- Não é porque acredito que haja outra vida depois dessa atual, que devo desperdiçar a de agora. Vivo intensamente, modestamente, frugalmente, honestamente e sonhadoramente. Não penso no futuro pois sempre consegui me virar, onde quer que fosse. Sonhar é o combustível do desejo, motor da realização. Sinto-me em paz porque não invejo ninguém nem desejo ter mais do que preciso para estar vivo e viajar.
Você segue alguma filosofia?
- Sou espiritualista. Minha mãe é uma católica que nunca freqüentou igreja e meu pai um ateu de origem judaica que nunca freqüentou sinagoga. Acho que a religião serve para aqueles que como quase todos nós, de vez em quando passam por momentos de grandes dúvidas existenciais e podem perder o rumo de vez em quando.
Você tem grandes preocupações com a preservação ambiental. Existe alguma receita para acabar com devastação que acontece em todo o mundo?
- Boa notícia: Sim! Má notícia: vai ser muito difícil! A resposta para a degradação ambiental passa por vários canais. Muita gente pensa que o planeta é um armazém de onde temos o direito divino de entrar, arrombar e levar tudo para casa e consumir. Ninguém rouba as paredes de sua própria casa. Nada mudará enquanto os seres humanos não entenderem que só temos um planeta, e que quando a terceira classe afundar vão todas as outras junto. Mas nós no Brasil não respeitamos nem nossa rua, quanto mais o planeta...
Outra fator que agrava a crise ambiental é o consumismo, doença que aflige os tristes que realizam suas frustrações comprando coisas no "shopping-center", o templo desta nova religião. E é claro que a miséria força muitas pessoas a devastar o planeta para justificadamente alimentar suas famílias. Ou algum de nós não o faria?
O que o Brasil pode fazer de imediato no sentido de preservar o seu patrimônio natural?
- Primeiro a reforma agrária, que é para acabar com a força dos latifundiários que controlam a bancada ruralista no Congresso, que é sempre quem organiza a pilhagem dos nossos recursos naturais. Uma turma da pesada. Com terra para plantar, colher, comer e vender, nenhum ser humano vai enfrentar a floresta para alimentar sua família. Eu achava os garimpeiros uns criminosos pois causavam grande dano aos índios e ao meio ambiente, depois conheci muitos deles quando estava na Amazônia e percebi que são apenas mais outros miseráveis na cadeia de sofrimento do povo brasileiro. É a vítima de cima contra a vítima de baixo.
E também resolver o problema grave que é o nosso país estar entre os 3 piores do mundo, segundo a ONU, no item diferença social. Vale a pena sonhar?
Nas suas andanças, qual foi o lugar que mais lhe impressionou e por quê?
- É difícil lembrar de um lugar exato entre tantos que marcaram minha vida. Marrakech me impressionou pela magia no ar. Nova Iorque me impressionou por ser a capital do mundo sem pedir licença para ninguém, e em breve terá se esquecido do ataque terrorista destes dias. Cuba me impressionou pela simpatia das pessoas. A Amazônia me impressionou pela vastidão. O Saara me impressionou pelo silêncio e solidão que se pode experimentar. A Itália me impressiona todos os dias pela qualidade da comida. E assim por diante...
Existe algum lugar que você ainda sonha conhecer?
- A Austrália é meu sonho número um. Mas para se visitar a Austrália e conhecer bem todos aqueles lugares que há anos freqüentam meu imaginário, precisaria de pelo menos um ano, e acho que é impossível conseguir-se um visto para tanto tempo. Eu levaria meu Defender 110, que tenho aqui na Itália, e conheceria de norte a sul, de leste a oeste. Tenho tantos amigos por lá, que conheci durante minhas viagens, que se ficasse uma semana na casa de cada um, já precisaria de quase um ano. Será que algum dia alguém de um Bureau de Visitantes da Austrália não lê minhas entrevistas e me convida com a emissão de um visto de tamanha duração?
Existe algum lugar que você se arrepende de ter conhecido?
- Nenhum! O conhecimento nunca pode ser negativo. A tradição diz que só podemos nos arrepender daquilo que não fizemos. E tenho até um costume estranho: sempre voltar aos lugares de que não gostei, porque se não gostei foi porque eu é que não tive a capacidade de entender o lugar. Quem sabe na próxima vez...
Qual foi o grande perigo nessas andanças?
- Pouquíssimos! Nunca andei armado. Nunca levei arma de fogo e felizmente, nestes 30 anos e 80 países, nunca precisei delas. Já bateram minha carteira em Paris, arrombaram o carro na Mauritânia, atolei na praia do Saara a 250km de qualquer ajuda enquanto a maré subia, voei em monomotores apocalípticos dentro de pavorosas tempestades na Amazônia, quase me afoguei numa onda na França, quase caí com um jumbo bem em cima do Triângulo das Bermudas, e estava dentro de um Boeing da Air France que numa noite com uma tempestade horrível caiu no aeroporto de Biarritz, na França.
Mas, acredite se quiser, medo mesmo eu tenho é de pivete de 10 anos com gilete na mão às 3 da manhã numa rua do Rio de Janeiro.
O que vem primeiro, o surf ou o off-road?
- O surf exige o mar, e com ondas, duas coisas que nos últimos anos não tem sido possíveis na minha vida. Mas continuo surfando, e a última vez foi há um ano atrás, na França.
O off-road não acaba nunca, porque eu não uso meu jipe para lazer. É meu veículo de viagem, e como tal tem que ser capaz de suportar dificuldades e poder não estar todo quebrado no final do percurso. Por isto desde os 18 anos tenho veículos 4x4. Não me considero jipeiro, nunca fui membro de nenhum jipe clube, nunca fiz passeios coletivos e nunca (a não ser o Camel Trophy) participei de competições. Sou um viajante que usa jipes para atingir seu objetivo. Como minhas viagens sempre se passam em confins esquecidos pelas autoridades, acabo tendo que ter um 4x4.
Como o jornalismo entrou na sua vida?
- Acho que acabei pegando do meu pai, coisa nada original, mas que no meu caso acabou me realizando em todos os níveis. Nada pior do que seguir a profissão do pai e depois descobrir no final da vida que errou tudo. Dei sorte.
Como sua família vê esse seu lado aventureiro?
- Minha mãe sempre se preocupou muito, meu pai, no fundo, gostava porque se identificava com muita coisa que ele havia sonhado mas não realizado. Hoje, posso dizer que minha mãe apesar de seus 81 anos não se preocupa mais porque sabe que viver no Rio de Janeiro dos dias atuais é mais perigoso que atravessar o Saara à pé. Seguramente corre-se menos riscos imprevisíveis no Saara.
É fácil ficar tanto tempo distante da família e os amigos?
- Horrível! É um talento que se deve aprender com muito sofrimento. Um parto da montanha. Já criei anticorpos e por isso não dói mais tanto quanto antes. Mas a Internet veio para fazer os amigos mandarem notícias e até fotos por e-mail, e assim, onde quer que eu esteja, continuo dentro da minha família virtual, amigos espalhados pelo mundo mas sempre em contato.
Como é a vida financeira de um aventureiro?
- Tem poucas opções: a primeira é o "pai-trocínio", ou seja um pai rico e compreensivo, que não era o meu caso. Pode-se também ter o patrocínio de alguma empresa, que é menos difícil do que ter pai rico, mas não muito menos. E tem aquela do enfrentar qualquer trabalho para sobreviver, que foi minha opção, que já me levou a ter mais de 40 profissões que podem ser conhecidas no meu site (http://titorosemberg.com) na seção "Biografia completa". Não ter medo ou vergonha de dormir debaixo da ponte, lavar prato em restaurante, cantar na esquina ou carregar pedras em construção pode ser a chave para uma viagem de sucesso. Conheço tanta gente sem dinheiro que deu a volta ao mundo e tanta gente rica que nunca saiu de sua própria cidade. Quem pensa que dinheiro é o fator mais importante de uma viagem engana-se.
Qual o conselho para os aventureiros iniciantes?
- Não tenha vergonha de lavar latrinas se isto te permite conhecer o mundo. Seja humilde, lembre-se que sempre tem alguém mais esperto do que você. Talvez aquele cara que à primeira vista te parece um mendigo seja o chefe de uma tribo incrível onde você vai viver a experiência mais bela de sua vida.
O que se deve levar nessas expedições para que nada saia errado?
Conhecimento! Estude a área para onde quer ir, temperaturas, estradas opções de estadia, custos, vento, chuva, política, costumes. Leia livros ambientados na região que deseja conhecer. Eu pesquiso tanto antes de uma viagem que muitas vezes quando chego lá tenho a impressão de que não é a primeira vez.
Humildade é também um verdadeiro abre-portas. Leve uma boa dose dela quando partir.
Você é casado? Tem filhos?
Já fui casado algumas vezes, e com pessoas maravilhosas que são minhas amigas até hoje. Quanto a filhos não os tive por opção, porque com a vida que levo seriam muito sacrificados. Hoje estou solteiro, digamos... "free-lance".
Qual e quando será a sua próxima expedição?
- Para dizer a verdade não sei. Estou numa fase de ficar fixo em algum lugar, ter tempo para cultivar novas amizades, aprofundar-me em uma cultura muito diferente da minha, e conhecer o passado da nossa civilização. Mas não sossego: acabei de fazer uma viagem de 4 mil km pela Itália, e com freqüência em estradas não asfaltadas, que muita gente nem sabe que existe, mas que são as mais lindas do país.
A viagem é um vício que se não mantido sob controle pode levar uma pessoa a não conseguir mais viver fixo nem sentir prazer em lugar algum. Este é um risco que corremos, e que devo respeitar.
Como surgiu a idéia de montar um site?
- Há 5 anos atrás minha irmã fez uma belíssima página para ela (http://art3d.com) e eu morrendo de inveja pedi para ela fazer uma para mim. Queria mostrar minhas fotos e reportagens para um número maior de leitores. Com os baixos preços que pagam por fotos e reportagens no Brasil, acabo não publicando nada e deixando muitos amigos e leitores sem saber de coisas que considero interessantes. Assim, sem ver meu material impresso em jornais ou revistas, achei que a Internet seria a solução. Apesar de todo o trabalho que dá, e (mil perdões) da eterna preguiça de atualizar, me emociona poder publicar meu material e incentivar muita gente a conhecer o mundo.
Você já acessou o www.universo4x4.com? O que achou?
- Gostei muito e já salvei nos meus "favoritos", para visitar de tempo em tempo para saber as novidades do mundo 4x4 brasileiro, mas gostaria de ver mais matérias de brasileiros que viajam em 4x4, pois sei que devem ser muitos.
Conte uma situação engraçada ou curiosa em suas viagens?
- Viajando pelo Saara encontro um caminhão 4x4 cheio de mecânicos franceses fazendo manutenção dos trilhos dos trens que atravessam as dunas rumo à Nouahdibou, na Mauritânia. Os caras me convidam para conhecer sua base de apoio, um lugar no fim do mundo onde vivem como reis graças ao ar condicionado e dois enormes containers refrigerados cheios das melhores comidas e bebidas vindas da França. Na sala me mostram uma prancha de surf vermelha que encontraram ao lado dos trilhos, há mil km do mar. Um mistério inexplicável.
Anos depois, na França, conversando com surfistas viajantes um me conta que perdeu sua prancha enquanto viajava de trem rumo ao mar no Saara. Enquanto ele dormia no teto do trem em movimento, o vento jogou sua prancha fora do trem e quando ele acordou já era tarde. E o trem só para no final da linha no porto marítimo há dois dias de viagem.
Ele não acreditou quando eu disse que tinha visto a prancha dele na parede da base de apoio dos mecânicos!
Quais carros 4x4 você já teve?
- Comecei aos com um Jeep Willys no Rio de Janeiro, depois, em ordem, um Land Rover Defender 109 SW na Europa e África, um Defender 90 conversível em Búzios, um Toyota Bandeirantes que levei para o Saara e Europa em 1988, um Suzuki Samurai na Califórnia por dois anos e há dois anos um Defender 110 SW County com o qual fiz uma bela viagem pelo Marrocos e por diversos países europeus.
Qual o melhor na sua opinião?
- Melhor é um conceito relativo. Para quem não tem pressa, não precisa de altos confortos, mas precisa de um veículo extremamente confiável, o Defender era ótimo até o ano passado quando inventaram este motor de 5 cilindros com excessiva (e não confiável) eletrônica por toda parte. Ninguém parte para a o "buraco quente" com a vida nas mãos de "chips" e circuitos eletrônicos. Eu quero é ferro!
Para quem mora na cidade e vai de vez em quando para um lugar de piso difícil, o conforto não interfere na segurança e um Toyota Hilux pode ser o ideal. Gosto do Mitsubishi L200 4 portas pois tem anos de serviços prestados. Nem sempre o melhor 4x4 de competição é o melhor 4x4 de viagem.
Gosto do Defender 110 porque leva sem problemas minha barraca de teto e ainda deixa muito espaço no bagageiro, e porque nas minhas eternas mudanças cabe tudo dentro (e no teto) dele. Gosto do estilo conservador, que está desaparecendo. Gosto da rusticidade, que também está em extinção, e do fato dele ser um Utilitário com "U" maiúsculo, sem concessões à estética, que acaba sendo "cult". Se o Defender sair de produção o mundo 4x4 estará de luto, vendido aos que querem veículos 4x4 para passear absurdamente nas ruas de nossas cidades.
Você já participou de algum rally?
- Nunca! Não sou competitivo. Não sinto prazer em comparar-me a outros, pois nosso maior desafio está dentro de nós mesmos, contra nossos próprios medos e limitações. Sempre quis participar e acabei participando do Camel Trophy porque era uma aventura sensacional em lugares sensacionais, com personagens sensacionais, mas durante a parte competitiva um jornalista brasileiro me acusou de estar relax demais para levar o "caneco" para casa. Eu respondi: - E quem está afim de "caneco"?
Onde você reside atualmente?
- Por circunstancias do destino estou em Roma, mas já me preparo para alguma mudança que pressinto será para um continente menos desenvolvido.
Um Ídolo: - Barbosa Lima Sobrinho
Uma Mulher: - Joana D'Arc
Um Lugar: - Arquipélago das Anavilhanas, Rio Negro, Amazonas.
Um Cantor: - Tom Waits
Uma Cantora: - Lisa Ekdahl
Uma Música: - Desafinado, de João Gilberto.
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