Reportagens

 

Festa do Boi Bumbá:Uma ópera Amazônica - (07/98)


Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg



Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg



Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg



Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg



Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg



Festa do boi bumbá
Foto: Tito Rosemberg


No coração da maior floresta tropical do mundo, em frente ao maior rio do mundo, e sob um céu que parece não ter mais fim, três dias de folia levam ao delírio a população de um minúsculo município amazonense: é a 33a festa do Boi Bumbá de Parintins, que, como não podia deixar nesta terra de superlativos, é a maior manifestação cultural do norte do Brasil.

Talvez a característica mais importante do Festival Folclórico de Parintins, o Boi Bumbá, é o fato dele ser realizado numa pequena cidade esquecida pelos deuses às margens do Rio Amazonas desde o século 16 sob a temperatura média de 35 graus e 85% de umidade.

Se procurada num mapa, Parintins vai ser difícil de ser achada pois destaca-se principalmente pelo isolamento do resto do país: nenhuma rodovia leva a ela, a não ser a grande estrada líquida que corta o coração da floresta. Sem dúvida um local insólito para uma festa com tamanha grandiosidade. Deitado na rede do barco o passageiro distraído vê Parintins passar desapercebida no cenário verde como tantas outras aldeias sem grandes peculiaridades, lugares que ninguém nunca pensa em visitar, a não ser que tenha parentes ou negócios por lá. O município tem mais búfalos, 250 mil, do que humanos, 100 mil, e é o maior polo pecuário do estado.

Durante os dias de festa, a chegada de quase 100 mil foliões dobra o tamanho da cidade, eternamente em crise financeira. Mas, desafiando tudo que o destino colocou contra a cidade, o festival existe há 33 anos, e os Bois, como são chamadas as duas agremiações que o promovem, estão fazendo música, dançando e expressando suas tradições desde o início do século, quando a comemoração foi trazida para a região no imaginário dos imigrantes nordestinos, principalmente do Maranhão. Logo a festa mesclou-se com outras tradições das culturas indígenas regionais.

As duas agremiações, os Bois, que disputam a vitória chamam-se Caprichoso e Garantido foram fundadas em 1913, e de lá para cá, ou pelo menos até há alguns poucos anos atrás, o festival permaneceu um evento exclusivo dos residentes, realizado nas ruas de terra do centro da cidade. O visitante típico do festival, que se realiza sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho, é o amazonense, com uma presença menor de paraenses, visto que Parintins está mais perto de Santarém , no Pará, do que de Manaus.

Parintins fica na Ilha de Tupinambarana a 420 km de Manaus, que por sua vez fica a uma pequena fortuna de avião, dos grandes centros populacionais brasileiros. A ilha é rodeada pelas águas barrentas do Rio Amazonas, pelo Paraná do Ramos e pelo Rio Uariá e a região, que é de florestas de várzea e terra firme, fica alagada metade do ano, formando muitas ilhas e lagos que desaparecem na vazante. Nela viviam os índios Tupinambás, Peruviana, Munducuru, Maués, Sapupés e Parintintins.

Nesta reportagem:
» Festa do Boi Bumbá:Uma ópera Amazônica - (07/98)
» A Lenda
» A festa
» Os arredores
» A aventura de chegar lá
» Onde ficar