Planejamento e tecnologia são essenciais para garantir a segurança

Tema:Travessia do Drake
Autor: Betão Pandiani
Data: 7/1/2003

Dois amigos, um barco sem cabine em um dos mares mais perigosos do mundo. A partir de primeiro de janeiro, Betão Pandiani e Duncan Ross partem de São Paulo com o objetivo de atravessar o Estreito de Drake, uma faixa de oceano que liga o Extremo sul do continente americano à Península Antártica. Ao lado deles, um arsenal tecnológico que vai garantir a segurança dos tripulantes. “Tecnologia não quer dizer menos emoção. Teremos muitas dificuldades para enfrentar durante a travessia, mas, o importante é garantir o retorno e muitas outras expedições pela frente”, comenta Betão Pandiani, um dos tripulantes do veleiro Satellite.

A primeira providência após a escolha do roteiro foi a adaptação do barco às condições da região. O veleiro escolhido para a travessia, um catamaran de 21 pés, tradicionalmente é utilizado em viagens costeiras, por isso é construído em fibra de vidro. O Satellite, barco utilizado na viagem ao Drake, foi reprojetado pela empresa carioca Barracuda e construído em Kevlar, uma fibra exótica, (mais rígida que a fibra de vidro) com o objetivo de resistir a possíveis impactos contra o gelo. "Os barcos anteriores pesavam 284 Kg e a partir desta construção passou a pesar 230kg", comenta Betão. O barco terá ainda um mastro 70 cm mais alto que o original e 40 cm mais largo que garante maior estabilidade velocidade ( graças a área vélica maior). Essas mudanças aumentam a velocidade da embarcação, e garantem uma travessia mais rápida e segura, já que a menor permanência de tempo no Drake é uma questão de segurança.

Numa viagem como a Travessia do Drake existem quatro quesitos que são fundamentais na hora de escolher os equipamentos:serem à prova d’água, pequenos, leves e com autonomia de energia. Assim, a escolha da bagagem torna-se uma tarefa de somar pesos e medidas. Neste quebra cabeça, Duncan e Betão chegaram ao que eles consideram o ideal:

  • 2 GPS (Global Positioning System) Garmin III Plus e rádios VHF (Icon) de curto alcance (até 10 milhas) para comunicação com o barco de apoio) - ambos guardados em sacos a prova d’água.
  • 1 bússola digital.
  • 2 telefones Nera Communicator com modem de 64 kb de velocidade conectados a 2 notebooks Satellite 2400 da Semp Toshiba (patrocinadora oficial da viagem), que vão permitir o envio de quase 20 gigabytes de arquivos para atualizações do site oficial e material para imprensa. O notebook terá ainda um software de compressão especial para enviar arquivos de vídeo.
  • 1 telefone Iridium que também funciona via satélite e vai garantir a comunicação do Satellite com o barco de apoio, com o sistema de segurança e permitir que boletins sejam passados para a Rádio Eldorado.
  • 1 Rastreador Easy Track System, da Thrane & Thrane que funciona com bateria e uma pequena antena. O equipamento fica preso ao barco e vai enviar a posição e direção via satélite para o sistema Inmarsat C (empresa inglesa especializada em volta ao mundo). O sinal volta para o barco de apoio (Kotic II) e para o provedor Terra a cada 15 minutos. O sinal é plotado num mapa através de um software que dá a latitude, longitude, direção e velocidade exata do veleiro para que a viagem possa ser acompanhada pela internet. (www.travessiadodrake.com.br).
Para garantir a segurança dos velejadores em caso de emergência, Betão e Duncan vão carregar 3 EPIRBS- Emergency Position Indicate Radio Beacon) (2 pessoais e 1 no barco . Os Epirbs pessoais, quando ativados, enviam uma mensagem via satélite com a posição exata do tripulante e o número do equipamento para a central de dados mais próxima do local onde estiverem. A central verifica a chamada e contacta a Rescue Coordenation Center (central de resgate) mais próxima ao barco. Antes de iniciar a operação, a central verifica a veracidade da chamada, telefonando para o barco, apoio ou familiares, e só depois, inicia o resgate.

O EPIRB do barco é maior que o EPIRB pessoal, porém não consegue enviar a latitude e longitude imediatamente. O equipamento envia sinais contínuos que permitem à central calcular a posição do barco.
  • 1 Câmera Digital Toshiba PDR 70
  • 1 Câmara Fotográfica Nikon N90 com lente 24 mm dentro de um case à prova d’água feito especialmente para o tamanho dela
  • 1 Câmara de Vídeo Sony VX2000 – também dentro de um case especial à prova d’água
  • 1 Micro câmera Sony que será utilizada no topo ou presa ao mastro para captar as imagens mais emocionantes
  • 1 câmera Cannon à prova d’água submarina
Para sobreviver às águas geladas da península, a tecnologia empregada nas roupas e acessórios também contribuem. Betão e Duncan vão vestir:
  • Jaquetas North Face, que são aquecidas por baterias que duram cerca de 2 horas cada.
  • Dry Suits Musto– famosos macacões impermeáveis, compostos por três camadas. A alta tecnologia empregada na fabricação faz com que a umidade do corpo seja transportada para fora da roupa, o calor seja mantido próximo ao corpo e a água externa não infiltre. A primeira camada é feita de tela de poliéster, que transfere rapidamente o suor do corpo para fora da tela, mantendo o corpo seco. A segunda camada, ou camada média, é a mais importante, pois isola apenas o ar quente dentro da roupa e dá seqüência à passagem do vapor d’água, já iniciado pela primeira camada. A camada exterior é completamente impermeável para elementos que venham de fora da roupa e também rebate os ventos frios (para que não comprometam o trabalho da segunda camada). Entretanto, o tecido expele a água vinda de dentro da roupa. Isto só é possível porque a membrana do tecido tem furos microscópicos. Eles são grandes o suficiente para permitir que o vapor d’água saia e pequenos demais para a entrada de qualquer gota de água.
E ainda: Botas e luvas da Outdoor Research com pele por dentro e borracha por fora e com acabamento parecido com o Dry Suit, capacetes Gath, especiais para esportes náuticos, que protegem contra os ventos cortantes e a água de 1ºC no rosto. Os capacetes têm ainda outra função: evitar a perda de calor, já que 70% do calor humano é perdido pela cabeça.

Nesta reportagem:

» Planejamento e tecnologia são essenciais para garantir a segurança
» Tecnologia na alimentação



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