
Betão Pandiani e Duncan Ross protestam contra a guerra - Beto Pandiani and Duncan Ross protesting against war
Foto: Julio Fiadi

Gelo preso no casco do Satellite - Ice stucked on Satellite
Foto: Julio Fiadi
Depois de cumprirem a missão de atravessar o estreito de Drake em um veleiro sem cabine pela primeira vez no mundo, o brasileiro Betão Pandiani (45) e o sul-africano Duncan Ross (39) fazem em plena Península Antártica um manifesto pela paz. “A natureza nos ensina que é preciso preservar, cuidar, ter respeito mútuo. Na guerra, o alvo geralmente é político, mas, a conseqüência é destruição do homem e da natureza”, comenta Betão.
Apesar da distância, Betão e Duncan estão em contato com tudo o que acontece no Brasil e no mundo. “A guerra só existe porque as pessoas não respeitam a natureza”, salienta Duncan.
E é em meio a um cenário gelado e cheio de desafios que eles seguem viagem, respeitando limites e torcendo para que a guerra não aconteça.
A saga continua
Depois do descanso após a travessia, os velejadores deixaram Deception Island na quarta-feira, dia 12 de fevereiro. Com ventos fracos, chuva e muita neblina, eles partiram para o início da expedição pela costa sul do continente Antártico. “Os icebergs apareciam no meio da neblina rapidamente, imensos e assustadores. Não dá para imaginar navegar à noite por aqui, nem com radar”, conta Pandiani.
Aos poucos, as descidas de ondas começaram a ficar cada vez mais fortes tornando a velejada prazerosa e ao mesmo tempo amedrontadora. “Qualquer erro e o Satellite capotaria nas águas geladas da Península. Nesse momento, a sintonia da equipe é fundamental”, salientam.
E nesse cenário de gelo e animais marinhos, momentos de susto e emoção acabam fazendo da Travessia do Drake uma história que vai muito além do trajeto. “No caminho para a Ilha de Melchior aconteceu a coisa mais absurda de toda a minha vida náutica. Uma baleia cheia de cracas no dorso emergiu bem na frente do Satellite, que vinha acelerando no topo de uma onda. Só deu tempo de virar um pouco o leme e torcer para a baleia mergulhar novamente. Ela passou por baixo do barco e fazendo o seu movimento normal surgiu novamente por trás, seguindo o seu caminho. Talvez ela não nos tenha visto a tempo de reagir”, conta Betão emocionado.
Para Betão e Duncan, a chegada em Melchior foi também um momento mágico. “Não poderia ser mais sublime. O barco na penumbra entrando por canais bem estreitos com imensos icebergs e geleiras por todos os lados, como em um labirinto. É um dos lugares mais mágicos que eu estive na minha vida”.
A chegada de Betão e Duncan ao Brasil está prevista para o dia 04 de abril, durante o Rio Boat Show.
» 20/03 Mensagem final
» 18/02 Travessia do Drake: velejadores fazem manifesto pela paz na Antártica
» 07/02 Travessia do Drake: velejadores se aproximam da Península Antártica
» 04/02 Dupla de velejadores inicia a Expedição Travessia do Drake
» 28/01 Satellite e Kotic II chegam em Puerto Torre com ventos fracos
» 26/01 Tempo melhora e Betão e Duncan partem para Puerto Williams
» 14/01 Chegada em Ushuaia
» 12/01 Chegada em Puerto Julian
» 09/01 Equipe chega na Argentina
» 07/01 Tecnologia na alimentação
» 07/01 Planejamento e tecnologia são essenciais para garantir a segurança
» 05/11 A Travessia do Drake
Mais >>





