Caminho do Ouro - Parte 2 - A história

Tema:Trekking
Autor: Carlos Vageler
Data: 16/8/2001

Trekking -



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A antiga trilha Guaianá, aberta provavelmente antes da chegada dos portugueses no Brasil, pelos índios guaianases, experimentou muitas viagens e aventuras, a começar pelos próprios índios que a utilizavam para alcançar o vale do Paraíba.

Com o início do povoamento de Parati por paulistas vindos de São Vicente a antiga trilha começou a ser constantemente utilizada, pois era o melhor caminho para quem vinha de São Paulo a Parati por terra, e vice versa. A história do pequeno lugarejo vem se transformar através de um caminho que lhe trouxe riqueza e prosperidade por quase três séculos.

Em 1597, Martin Corrêa de Sá escolheu este caminho para alcançar as Geraes com setecentos homens portugueses e dois mil índios, na expedição contra os Tamoios.

Com a descoberta do ouro nas Geraes, por volta da segunda metade do século XVII, a antiga trilha Guaianá passou a ser conhecida como Caminho do Ouro, transformando a vida da pequena vila de Parati.

O ouro era transportado das minas até Parati no lombo de mulas guiadas pelos chamados tropeiros. Junto com o precioso metal traziam alguns produtos de lavouras do interior para comercializarem na cidade. Enfrentavam muitas dificuldades como chuvas e atoleiros que muitas vezes faziam perder alguns animais, sem contar os saqueadores ou também conhecidos como "piratas da terra", que esperavam em tocaia na descida da serra. Com a intensificação do transporte do metal foram criadas as casas de quintos de ouro, a primeira em Taubaté, depois em Guaratinguetá. Ambas foram extintas quando foi criada a terceira em Parati em 1703. Por conta também do aumento do transporte do ouro, a antiga trilha passou a ser a única cultivada pelos governadores e prelados do Rio de Janeiro .

Para o ouro chegar à metrópole as dificuldades do caminho começaram a se transformar em grandes prejuízos para a Coroa. Pelo excesso de trânsito, alguns pontos ficavam quase intransponíveis, por culpa de buracos, valas e lama chegando uma viagem, das Geraes à Parati, a demorar até 45 dias. Havia também o contrabando do ouro através dos "descaminhos" para burlar as casas de quintos. Mas o maior perigo vinha do mar através dos piratas, presença constante na costa fluminense ,na saída da baía de Ilha Grande.

A solução para este problema foi a abertura de um novo caminho que ligasse por terra as Geraes ao Vale do Paraíba, e depois ao Rio de Janeiro. A estrada criada ficou conhecida como Caminho Novo da Piedade.

Foi extinta a casa de fundição de Parati, e para evitar os descaminhos da serra, proibiu-se o tráfego pelo "caminho velho". Em 1715 foi suspensa a proibição e foi criada no alto da serra uma casa para o registro e cobrança do quinto. Novos descaminhos foram criados e também novas proibições até o abandono do caminho para o transporte do ouro.

A antiga trilha Guaianá ainda continuava a ser utilizada, pois Parati era considerada, por muitos viajantes, como o melhor pouso entre São Paulo e Rio de Janeiro e também o segundo porto do país em importância.

O início do século XIX inaugurou uma nova era para o antigo caminho da serra do Facão. Com o início do ciclo do café no Vale do Paraíba, produtos como fumo, carne de porco, produtos de lavoura, etc. passaram a ser comercializados em Parati e, em contrapartida, subiam produtos originários da Europa e outros continentes encomendados pelos Barões do café, como vinhos, porcelanas, cristais da Boêmia, sedas, perfumes, couros da Rússia, móveis austríacos, queijos, licores e até pianos e carruagens. O movimento das tropas era intenso, e no ano de 1835, deu-se o início do calçamento do caminho nos trechos de maior dificuldade, em particular na descida da serra. Só para se ter uma idéia de tal movimento, no ano da independência foram registradas 160.914 cabeças de animais e homens percorrendo a antiga trilha.

Mesmo com as pequenas melhorias feitas, eram constantes as reclamações das cidades do Vale do Paraíba, Minas Gerais e Rio de Janeiro quanto à conservação do caminho, principalmente durante as estações chuvosas. Não era raro tropeiros perderem parte de suas cargas nos grandes lamaçais que se formavam.

Os prejuízos que o caminho proporcionava pela demora do transporte e perda de produtos, incentivaram a construção, no ano de 1870, do "caminho do ferro" que ligava o Vale do Paraíba diretamente à Corte, solução esta que deu início a decadência de Parati como importante centro comercial e escoador de produção de todo Vale e sul de Minas Gerais.

Cronologia.

Até aproximadamente 1690 - descobrimento do sertão e exploração de pequenas lavouras.

Em 1693- notícia oficial da descoberta do ouro no rio Casca, por Antônio Rodrigues Arzão.

Final de 1698- iniciada a abertura do caminho novo

Aumento da produção de ouro, a corrida às Gerais transformou-se em calamidade pública, houve despovoamento de Portugal e cidades litorâneas indefesas.

Em 1709- primeiras proibições para ida às minas.

Em 1709- criação da capitania de São Paulo

Em 1720- criada a capitania de Minas Gerais

Diminuição progressiva da utilização do caminho velho

Final do século XVIII- Parati se tornou grande produtora de pinga.

Final do século XVIII, início do século XIX - ciclo do café no vale do Paraíba, intenso comércio em Parati, grande movimento na antiga trilha Guaianá.

Em 1835 - início do calçamento do Caminho do Ouro na subida da serra.

Final da década de 1870 - construção do caminho de ferro, que ligava diretamente o vale do Paraíba à Corte.

Final do século XIX - abandono do Caminho do Ouro.

Pesquisa: Carlos Eduardo Vageler

Nesta reportagem:

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