Sandra Soldan pede apoio da torcida carioca no Pan

Tema:Triathlon
Autor: Redação 360 Graus
Data: 10/7/2007

A triatleta Sandra Soldan quer “voar” no próximo dia 15, na Praia de Copacabana, quando, mais que representar o Brasil, ela estará defendendo as cores do Rio de Janeiro nos Jogos Pan-Americanos. Integrante da Seleção Permanente de Triatlon há cinco anos, Sandra, uma carioca de 33 anos, espera contar com o apoio da torcida para somar mais um título em sua carreira.

Há 12 anos Sandra Soldan acumula títulos nacionais e internacionais. Integrante da equipe Pão de Açúcar e patrocinada pela Mizuno e Age-Nutrilatina, ela tem o melhor resultado sul-americano de uma triatleta em Jogos Olímpicos (foi 11ª colocada, em Sydney). Ela já participou de dois Pan-Americanos, mas não conquistou medalha: ficou em 8º lugar, em Winnipeg (1999), e em 5º, em Santo Domingo (2003).

Formada em Medicina, a triatleta pretende se dedicar à profissão aos poucos, após o Pan, mas quer se manter sempre ligada ao esporte atuando na Medicina Esportiva. Nesta entrevista Sandra destaca os momentos importantes da carreira e a preparação para os Jogos Pan-Americanos do Rio.



CARREIRA



Como começou no esporte?

Comecei na natação, aos 6 anos, por recomendação do pediatra por causa da asma. Durante 15 anos defendi as cores do Flamengo e me especializei nas provas de 400m medley, 800m livre e 200m peito.



Quando e por que decidiu pelo triatlo?

Nas férias de verão de 1995 comecei a praticar o triatlo para emagrecer. Estava no quarto ano da faculdade de Medicina e queria fazer mais atividades físicas aeróbicas, já que estava acima do peso. Além disso, queria ter mais objetivos dentro do esporte e já estava bem na natação. Naquele mesmo ano, estreei nas provas em distâncias olímpicas, chegando em 16º lugar na categoria 20/24 anos no Campeonato Mundial em Cleveland.



Qual foi o momento inesquecível na carreira?

Foi na Olimpíada de Sydney, em 2000. Era a primeira participação do triatlo em olimpíadas e fiquei em 11º lugar, com o tempo de 2h03m19s. Até hoje é o melhor resultado de uma sul-americana em olimpíadas. No Museu Olímpico, em Lausanne, na Suíça, colocaram uma bicicleta com meu número de competição de Sydney e minha assinatura. É uma homenagem que representa o triatlo como esporte olímpico.



E o momento mais difícil?

Foi a Olimpíada de Atenas, em 2004. Durante a prova, sofri uma contratura de glúteo no lado esquerdo, caí da bicicleta e abandonei a prova. Foi muito decepcionante, uma vez que estava bem treinada e tinha me dedicado muito mais que na olimpíada anterior.



Qual são as suas metas no esporte?

Sempre melhorar, aperfeiçoar e superar meus limites.



Qual são as vantagens de ter um técnico que também é marido?

São muitas as vantagens. Ele está sempre por perto e sabe de tudo o que está acontecendo comigo no dia-a-dia, fora dos treinos, como noites mal-dormidas, cansaços, entre outras coisas.



E as desvantagens?

A maior delas é o fato de eu não conseguir separar os sentimentos que fazem parte das brigas de qualquer casal. Mas o mais importante é que sempre consigo superar esses momentos treinando muito, que é a melhor terapia para estes casos.



O que pretende fazer quando encerrar a carreira?

Já está na minha programação para o próximo semestre um curso de pós-graduação em Medicina do Esporte e do Exercício, com o Dr. Cláudio Gil, em Copacabana. Será um retorno gradual para a prática da minha profissão. Por enquanto, não pretendo e nem consigo me ver deixando de fazer esporte que, para mim, além de ser profissão, é uma terapia.



Como foi a sua participação nos Pan-Americanos anteriores?

Foram boas na minha opinião, mas poderiam ter sido melhores. O Pan de Winnipeg, em 1999, foi minha primeira competição internacional pelo Comitê Olímpico Brasileiro e fiquei em oitavo lugar. No Pan de Santo Domingo, em 2003, fiquei em quinto.



Como foi a preparação para este Pan?

Na reta final, no último mês e meio, viajei para a cidade de Boulder, no Colorado, EUA, para um estágio na altitude. Foi muito proveitoso, já que me concentrei nos treinos e pude descansar entre eles, o que é tão importante quanto o próprio treino. Antes de viajar, estava treinando forte aqui no Rio de Janeiro, mas fiquei duas semanas sem treinar por causa de uma gripe forte. Lá em Boulder pude recuperar esse tempo perdido.



Como é a sua rotina de treinos?

Pela manhã o treino é de ciclismo, cerca de 80km; no começo da tarde o de natação, com 5km, e depois o de corrida, mais 12km. Mas não sigo essa rotina necessariamente todos os dias. Ainda faço musculação para fortalecer o corpo em geral. Aliás, essa parte foi fundamental no início do ano para agüentar os treinos intensos desta temporada. Para complementar a preparação física, faço sessões de pilates e de relaxamento, como massagens acupuntura, shiatsu e sauna.



Quais são as dificuldades esperadas no Pan-2007?

Fora as fortes adversárias, que virão com time A para a disputa do ouro e de vagas para Pequim 2008, ainda tenho de superar as minhas próprias dificuldades, como ser mais veloz na corrida.



Quais serão as principais adversárias?

Serão as americanas e as canadenses, que atualmente são as mais fortes do circuito mundial. E não podemos esquecer das mexicanas, que correm muito bem e que serão favorecidas pelo percurso desta prova.



Como será o percurso aqui no Rio?

Será plano, sem ser técnico no ciclismo. Por causa disso, favorecerá as boas corredoras.



Você leva vantagens por ser do Rio?

Gosto muito de fazer provas no Rio. Estou acostumada com o calor e com a umidade. Sinto-me em casa, já que comecei no esporte aqui. Além disso, ter a torcida bem próxima será a vantagem mais importante.



Você acha que o Brasil vai conquistar muitas medalhas? Por quê?

É claro. Acho que teremos medalhistas em todos os esportes, pois os atletas têm se preparado muito para este evento e estão motivados por ser no Brasil. Será emocionante.



PING-PONG



Nome – Sandra Soldan

Apelido – não tenho.

Peso / Altura – 55 kg /1,65m

Nascimento – 27/12/73

Patrocínio – Pão de Açúcar / Mizuno / Age-Nutrilatina.

Técnico – Carlos Eugenio Ferraro, conhecido como Neném.

Começou em – 1995, no Rio de Janeiro.

Sonho – no momento é que dê tudo certo em uma prova importante como a do Pan.

Se não fosse triatleta – estaria com uma vida sedentária na prática da Medicina.

Outros esportes de que gosta – não pratico outros, até porque não tenho tempo, mas gosto de assistir na TV á patinação no gelo, atletismo, natação, ginástica olímpica e muitos outros.

Filme – todos os de ação, aventura e romance.

Livro – os do Dalai Lama são referência de vida.

Comida – natural

Bebida – sucos e vinho tinto.

Família – é a nossa base de sustentação.

Amigos – prefiro poucos, mas de qualidade.

Principais resultados na carreira – Bicampeã brasileira (98/00); bicampeã sul-americana (97/98); duas vezes medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos (98/02); Campeã Mundial de Aquathlon (Cancun, 2002), campeã do Triathlon Internacional de Santos (2003), bicampeã do Fast Triathlon (Santos, 01/04) e 11º lugar na Olimpíada de Sydney (2000).

Resultado mais marcante – o 11º lugar em Sydney, sem dúvida!

Ídolos – Guga, dentro do esporte e como pessoa.



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