Piloto descobre as belezas do vôo em um planador entre Rio Claro e Jundiaí

Tema:Vôo à vela
Autor: Thomas Milko
Data: 23/10/2002

Confira o relato do piloto de planadores, Tomas Milko, em uma viagem cheia de aventuras e grandes paisagens

O planador estava no hangar do Gil desde o Campeonato de Rio Claro. Decolei na quinta-feira, junto com o DG500M dos amigos Karl e Heinz, que não conseguiram cavar tempo para se juntar a esta pequena viagem. Inicialmente tomamos a proa de Brotas (sim, aquele lugar que tudo mundo faz canoagem) para sair da área da Academia da Força Aérea, que realiza intenso treinamento nesta região.

O Controlador foi muito prestativo e perto de Itirapina autorizava a prova de São Carlos, e posteriormente direto para o destino. Talvez fosse a hora do almoço da instrução, em todo caso, o espaço aéreo estava liberado. O dia estava bom, após a decolagem desliguei a 400 metros já enganchando numa térmica de 2m/s. A base não subiu muito. Ficou ao redor de 1200 metros durante a maior parte do dia.

Fazendo a fonia para os dois planadores, perto de São Carlos nos separamos: o ZBX foi para Matão e o XEZ tomou a proa de Araxá. Após Franca, por nós conhecida como ponto de virada de campeonatos feitos em Bebedouro, o terreno começa a ficar diferente. Os grandes arados vermelhos da região norte paulista vão aos poucos escasseando.

O vôo não estava rendendo muito. Então, no través de Franca, resolvi ligar o “turbo”do planador - conforme o linguajar do pessoal de vôo livre. “Entubei”, subindo aproximadamente uns 800 metros. Aí, sim, consegui um bom avanço até praticamente o Rio Grande, divisa SP/MG.

Escolhi atravessar o Rio Grande, justamente após a barragem de uma das represas de Furnas, pois em cima do grande lago é quase impossível o cruzamento. Karl, que atravessa essa região todos os anos para as viagens ao Nordeste, me avisara que seria “improvável” cruzar o rio sem motor. O ponto escolhido tem uma excelente pista de asfalto, ao lado da vila do pessoal que mora ao lado da barragem.

Fiquei triste quando vi que a pista tinha um “X” de cada lado, e que provavelmente dentro de alguns anos vamos perdê-la também. Novamente subi uns 300-400 metros dentro de uma nuvem, para ter a segurança de alcançar o outro lado. O visual era muito bom mesmo. Do outro lado a Serra da Canastra, que inclusive abriga um parque ecológico, com a beleza de uma região levemente montanhosa.

Enormes CBs espalhavam-se deste lado do Rio Grande, tendo o meu objetivo, Araxá, no meio de um grande céu azul, impossível para chegar de planador. Desviei 90 graus à direita, e usei todas as nuvens da região para entrar no planeio final. Saí com 1400 metros acima do solo (uns 300 novamente dentro de uma nuvem) para o planeio de 40 quilômetros, o que dava uma tranqüilidade razoável, com uma boa reserva.

Aliás, aprendi que na chegada de novos locais não é bom fazer um planeio apertado, pois a coordenada pode ser um pouco diferente. Pode haver tráfego na pista etc ... O aeroporto de Araxá tem uma excelente pista, e o pessoal do aeroclube foi muito gentil: deixaram guardar o DG800B junto com os ultraleves e outras aeronaves.

Vôos regulares a São Paulo devem iniciar-se no final do mês, aproveitando a boa infra-estrutura do aeroporto que conta com abastecimento e uma estação meteorológica completa.

Nesta reportagem:

» Piloto descobre as belezas do vôo em um planador entre Rio Claro e Jundiaí
» Entre Araxá e Pará de Minas
» Entre Pará de Minas e Governador Valadares
» Entre Valadares, Viçosa e Ponte Nova
» Entre Ponte Nova, Nova Friburgo e Juiz de Fora
» Entre a Serra do Mar, Juiz de Fora e Parati
» Percurso final: de Parati até Jundiaí



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