Um esporte que promete atrair grande número de praticantes no verão brasileiro, o waveski, que pode ser definido como uma espécie de "surf sentado" é considerado como uma das modalidades da canoagem, pois o atleta utiliza um remo para se locomover e realizar manobras radicais nas ondas em cima de uma prancha.
Ainda há poucos praticantes no Brasil - aproximadamente 300. Mas a tendência, espera Mário Silveira, diretor da modalidade na Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), é aumentar.
A entidade aposta na demanda, apoiando iniciativas como uma clínica de waveski orientada pelo vice-campeão mundial, em 1998, David Mitchell, em Florianópolis (SC). O neozelandês veio ensinar manobras e fabricação de pranchas. "Surgindo novos fabricantes e escolas, o esporte vai ficar mais conhecido", diz Silveira.
O Brasil também abrigou este ano o Campeonato Mundial de Waveski, na Praia Mole, em Florianópolis (SC). A competição, realizada em setembro, reuniu cerca de 100 atletas de todo o mundo - 25 brasileiros.
Adrenalina, contato com a natureza e muita diversão o esporte oferece, desenvolvendo ainda a capacidade de concentração, coordenação motora e força nos braços. Em uma costa tão extensa quanto a nossa, o waveski tem tudo para dividir as ondas com os "manos" surfistas.
Mulheres e adaptados - Durante o Mundial em Floripa, a galera na praia acompanhou alguns atletas com um carinho especial. Entre eles, o americano Rob Canali, participante na categoria Master.
Canali, de 43 anos, tem uma perna mecânica, e conta que sofreu um acidente inusitado: ele perdeu uma perna por causa da mordida de um tubarão quando surfava na Califórnia, nos Estados Unidos.
O americano parou de surfar, mas encontrou no waveski uma forma de continuar perto do mar e de suas ondas. "É mais fácil ficar sentado na prancha e as manobras são muito parecidas com as do surf", diz Canali, completando: "quando você quer alguma coisa, do fundo do coração, acaba aprendendo a se adaptar".
Dos 100 participantes, havia ainda apenas três mulheres na categoria Ladies. Como eram minoria, apesar de concorrentes andavam sempre juntas: as francesas Caroline Angibaut e Lagourgue Nicole (respectivamente campeã e terceiro lugar), e a australiana Jackie Dilon (segundo lugar) - com idades variando entre 16 e 42 anos.
Jackie, a mais velha, era também uma das mais animadas. Mãe de dois filhos, de 15 e 17 anos, a australiana afirma que o esporte é bastante radical e também pode atrair mulheres. "Só é preciso ser forte, porque você precisa da força para ultrapassar as ondas. Mas é divertido também", garante.
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